Thursday, May 07, 2009

Velhos Conhecidos


Era uma manhã calma, especialmente pelo fato de quase todos os habitantes da casa estarem ausentes. Não que houvessem muitos: somente quatro moradores para aquela casa grande. Os três rapazes tinham saído para fazer compras no mercado e aceitaram quando Sam pediu para ficar em casa.

Lusmore não tocara no assunto do dia em que viu a morena chegar abalada, mas entendeu que ela estava dando um tempo em casa. E por isso convenceu os outros rapazes a deixar a única garota da casa ganhar uma manhã de madame como presente.

Sam estava sentada no sofá lendo um livro que Cyan a emprestara sobre feitiços defensivos. Um ou outro ela tentava fazer com sua varinha, mas sabia que precisaria de alguém junto para praticar direito.

A porta da sala se abriu e os olhos cinzas da jovem olharam para a pessoa que entrava, Godfrey McKinnon. Ele sorriu para ela enquanto dava passagem para três pessoas que vinham atrás dele entrarem.

- Bom dia, Samantha. Tenho novidades. Onde estão os outros moradores da casa? - ele perguntou bem humorado, tirando um sapo de chocolate do bolso e jogando na direção dela, que o pegou no ar.

A garota se levantou, com um meio sorriso, mas antes que pudesse responder alguma coisa, um dos rapazes que chegara com Godfrey andou rapidamente até ela, abraçando-a.

- Samizinha! Não acredito que você está aqui! - ele a levantou no ar. - Ao menos um rosto familiar nessa bagunça de país.

Ainda meio tonta, Sam olhou para o rapaz que ainda a abraçava e reconheceu o amigo de infância, vizinho de anos, Michael Byrne.

A família dele se mudara três anos atrás do prédio onde Sam morava com seus pais e desde então não falara mais com o rapaz. Os dois tinham uma pequena diferença de idade, somente dois anos, mas fora o suficiente para que em Hogwarts praticamente se ignorassem.

- Oi, Michael. - ela respondeu, soltando-se.

- Vejo que ao menos dois de vocês já se conhecem, o que facilita a adaptação de vocês. - Godfrey observou - Eu gostaria de explicar só uma vez, sabe se os rapazes vão demorar?

Como se em resposta à pergunta de Godfrey, os outros três ocupantes da casa chegaram, carregados de sacolas. Lusmore, que até então estivera cantarolando uma melodia alegre, silenciou-se, os olhos se fixando nos três desconhecidos com suas malas ao pé do sofá.

Herman e Isaac se encararam, mas foi o bardo quem colocou em palavras o que ambos tinham pensado.

- Substituição do time?

- Entrem, entrem. - Godfrey respondeu, ignorando o olhar inquisitivo do sobrinho - Guardem suas compras e voltem para cá, temos algumas coisas para conversar. E vocês não vão ser substituídos, relaxem.

O silêncio reinou na casa enquanto os que estavam na sala se acomodavam e esperavam os outros retornarem. Parecia que ninguém, sem contar Godfrey, sabia o que estava acontecendo.

Nas regras passadas aos participantes da Resistência, cada célula tinha até três participantes. A célula comandada por Lusmore era uma exceção, com quatro pessoas juntas – mas isso era obviamente explicado pelo fato de que eles tinham formado um time mesmo antes de seguirem para aquele lugar.

Também fora informado que ficaria uma célula em uma casa e que nenhuma saberia da outra, haveria troca de informações entre elas apenas em situações de necessidade, e, mesmo assim, através dos contatos que usualmente faziam essa ponte de ligação, como o próprio Godfrey McKinnon.

Aquela situação naquela sala de estar era inusitada e inesperada por todos.

Quando os recém-chegados afinal se juntaram a eles, sentando-se no sofá e olhando para o homem, este começou a falar.

- Como vocês já sabem normalmente uma célula não teria contato com outra. Mas devido a um problema interno, vocês serão exceção novamente. Essa casa é grande o suficiente para acomodar vocês sete. - ele se interrompeu, como se esperasse por perguntas. Como estas não vieram, continuou. - Tenho certeza que não irão comentar sobre suas missões e nem entrar em detalhes que não diga respeito à outra célula. Em compensação terão mais pessoas para trocar experiências.

Os rostos confusos e pensativos fizeram Godfrey se perguntar se era correto aquilo, mas ao mesmo tempo não tinha escolha. Aquela casa estava bem protegida e até aquele momento não estavam conseguindo novas casas para esconder o pessoal da Resistência.

- Perguntas? - ele falou, tentando puxar algumas reações dos outros.

- Eu tenho uma. – Lusmore levantou a mão, voltando-se para os novos inquilinos – Algum de vocês sabe cozinhar?

Herman deu um meio sorriso fraco, enquanto Isaac revirava os olhos. Sam meneou a cabeça.

- Você realmente não tem jeito, não é?

- Bem, se eu não cozinho, ninguém come nada que preste por aqui. – o bardo observou – O cão aqui não sabe descascar uma batata e Herman é distraído demais para deixar qualquer coisa no fogo com ele vigiando. Minhas costelas que o digam, elas ficaram intragáveis de tão queimadas.

- Eu ajudo! – Sam exclamou.

Ele deu um meio sorriso de lado, mas não respondeu. Um dos garotos ergueu a mão.

- Eu cozinho. Ajudava minha mãe quando estávamos sozinhos.

- Ótimo. Sejam bem-vindos à casa. Hoje você cozinha.

*****


O loiro deixou sua mochila cair no chão e olhou para Sam. Os dois estavam sozinhos agora, já que Isaac e Godfrey tinham se retirado para conversar alguma coisa sobre a questão das comunicações entre cada célula e seus dirigentes – o ex-corvinal ficara responsável por ajudar naquela questão – e Herman e Lusmore tinham seguido com os outros dois novos companheiros.

Lusmore, aliás, desaparecera em direção à cozinha com Troy, conversando animadamente sobre como eles poderiam revezar na cozinha para fazerem almoços decentes e não “essas coisas sem gosto e extremamente nocivas à saúde desse povo que inventou fast-foods”.

Aquela era uma coisa que ela só viera descobrir sobre o bardo quando tinham passado a morar em Londres. Em Hogwarts, ele nunca reclamara de sua comida. Ali, contudo, eles tinham acabado por descobrir que, por conta dos muitos anos vivendo nas florestas de Lyon com druidas e druidesas, Lusmore era absolutamente contra qualquer tipo de comida enlatada, condicionada ou minimamente industrializada.

E, embora ele não fosse um cozinheiro de primeira, isso significava que, pelo menos, estavam livres de alimentarem-se apenas de hambúrgueres, batata-frita e milkshake até a guerra terminar.

- Não acredito que você está na Resistência, não tem nem 17 anos. - Michael virou para Sam - Principalmente conhecendo sua mãe...

- Estão todos na França. Eu pedi para ficar aqui e meu avô deu uma ajuda. - ela sentou melhor no sofá e virou o corpo para ele. - E a Tia Jacy?

- Minha mãe conseguiu fugir, mas meu pai foi pego e preso. Não sei onde ele está... - ele baixou os olhos levemente. - Até por isso eu estou aqui. Quero encontrá-lo.

Sam levou sua mão até a do rapaz. Conhecia a família dele há anos e saber que o Sr. Byrne, que ela chamou de Tio Bill por tanto tempo, sumira a fez querer ajudar Michael. Um sorriso surgiu no rosto do loiro ao sentir aquela mão quente sobre a sua.

- Você cresceu e está tão bonita quanto sua irmã.

Sam se lembrou do jeito de ser de Michael, que sempre tentou namorar sua irmã, e puxou sua mão. A última coisa que a morena queria era pensar em romance, principalmente no meio de uma guerra.

- Certas coisas não mudam, não é? - ela falou. - Se cair na rede é peixe...

O rapaz sorriu e pegou sua mochila.

- Vai me mostrar onde é meu quarto? - o loiro falou piscando para Sam.

A resposta dela foi um virar de olhos e o abrir do livro que estava ao seu lado, enquanto levantava o dedo mindinho para Michael. Quando crianças seus pais os proibiram de xingar um ao outro e eles passaram a usar símbolos nas mãos para burlar os adultos. Levantar o dedo mindinho era equivalente a levantar o dedo do meio.

- Vejo que seu bom humor continua o mesmo. - Michael passou a mão na cabeça dela, bagunçando o cabelo, antes de subir.

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Alguns Comunicados


Título auto-explicativo. XD

Bem, brechinha para contar algumas novidades e também algumas pequenas mudanças.

A primeira é que eu resolvi mudar o ator do Kyle. Eu gosto do Zac Efron, contudo, o Thomas Dekker, que já fez Heroes e faz o John Connor em Terminator: The Sarah Connor Chronicles, tem com "cara mais de meninão perdido no meio do furacão" que o Zac, e também mais cara de moleque, apesar da cara sujinha. Sem falar que o Christian Bale (Ludo) faz o John Connor no cinema e estou juntando as duas coisas XD

Além disso, quero usar a Lena Headey, que faz a Sarah Connor na série, como a Lucy mais velha, já que dá para achar fotos dos dois juntos. E, embora ela faça mais papéis de "mulheres fortes", como a rainha de Esparta, a própria Sarah e a mocinha de Irmãos Grimm, ela tem fotos mais doces e melancólicas. Sem falar que, apesar da aparente fragilidade, a Lucy é uma mulher (muito) forte.

A segunda mudança diz respeito tanto ao Fogo e Gelo - cujo link está na parte de "Outras Histórias" e que, quando a inspiração vier, pretendo fazer um bottom mais arrumadinho - e o Dolls da Katchoo - que deve ter atualização hoje a noite, estão com um novo sistema de comentários

Muita gente reclamou que não conseguia usar o sistema de comentários do Blogger e para dar vazão a todos coloquei nos menus aquelas caixinhas de comentários. Usem e abusem:



A terceira notícia é 100% novidade. A Lulu, para dar (ainda mais) vazão a sua fome de escrever, criou um blog, o Coruja em Teto de Zinco Quente, onde ela pode colocar todas as loucuras que não consegue postar aqui, no Amaterasu e em nenhum outro lugar.

O endereço é: www.owlsroof.blogspot.com

E, para fechar, o recado básico de todo último post da semana:

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