Sunday, May 10, 2009

Payback – Parte 1


Em uma das masmorras vazias da escola, Meridiana olhava pela fresta da porta o fluxo de sonserinos que se dirigiam para a ala das serpentes. Se Theodore queria uma vingança em grande estilo contra Kyle era exatamente isso que ela daria a ele, um espetáculo com direito a platéia.
Fazia cerca de quinze minutos que a ceia findara. Ela viu o vulto de Adhara passar pouco tempo antes, juntamente com alguns poucos sonserinos que saíram mais cedo do jantar. Raven e Satanio também já haviam seguido sala comunal adentro. Ela combinara com a amiga para que ela contivesse o loiro e não estragasse a atuação.
Estava tudo saindo perfeitamente conforme o combinado entre eles. A ruiva olhou para trás, vendo Kyle encostado na parede, um pouco constrangido pelo resultado final da maquiagem de teatro que a prima lhe aplicara.
- Cara, nem nas piores brigas que eu me meti na Grécia eu acabei tão detonado – ele murmurou baixinho.
Meridiana saiu de perto da porta aproximando-se dele com um pequeno sorriso.
- Isso significa que temos uma excelente chance de nos sairmos bem dessa enrascada. – ela falou, pousando a mão no ombro dele. Pela expressão do rosto de Kyle, parecia que finalmente ele começava a compreender a gravidade da situação em que haviam se metido.
- O que estamos esperando? – ele perguntou, fitando a prima grifinória com relativa apreensão.
- O bobo da corte de nossa peça. Sem Theodore, não podemos começar. – ela virou-se momentaneamente, tirando do bolso uma pequena pílula e entregando para o lufano, que a engoliu sem pensar duas vezes. – Logo, logo o “nugá sangra-nariz” vai fazer efeito, mas antes...
- Antes o que? – Kyle perguntou, sem perceber que Meridiana tirara a varinha da capa.
- Preciso te colocar para dormir ou seu pavio curto vai estragar tudo. Não vai doer, eu prometo.
Sem esperar que Kyle pudesse contestá-la, ela murmurou Morpheus Serenati, fazendo com que o primo caísse em um sono suave, porém profundo.
Ela reconheceu a voz de Theodore vindo pelo corredor e se apressou até a fresta da porta. Ele estava rodeado de colegas, inclusive Pansy Parkinson e Millicent Bulstrode. Parecia que o antigo grupinho do Malfoy havia abandonado o loiro quase por completo agora que ele parecia ter caído em desgraça e se juntara em torno de Nott como figura de destaque.
Revirando os olhos, ela deixou que eles alcançassem a entrada da ala das masmorras, e, depois que mais um grupo de sonserinos além deles passou, ela virou-se para Kyle, apontando a varinha para o rapazinho desacordado.
- Levicorpus.
O corpo do lufano começou a flutuar desajeitadamente como se uma mão invisível o segurasse pelo pé, o sangue – efeito do nugá – pingava pelo nariz de Kyle, sujando as pedras cinzentas do chão. A ruiva abriu a porta pesada da masmorra com um forte puxão e saiu à frente, trazendo o corpo de Kyle flutuando molemente como um marionete atrás de si.
- Com licença – Meridiana se aproximou, cutucando as costas de um primeiranista que estava prestes a entrar na ala das serpentes. – Poderia chamar Theodore Nott para mim?
O garotinho virou-se para responder, mas não conseguiu articular palavra alguma ao notar o contraste da cena que via: uma moça bonita, com um sorriso insinuante nos lábios, ao lado de um rapaz desacordado e aparentemente muito machucado que flutuava no meio do corredor como um fantasma. Ele apenas assentiu, correndo para dentro da sala comunal verde e prata.
A ruiva escutou novas vozes vinda de suas costas. Alguns sonserinos retardatários se aproximavam. O sorriso dela aumentou. O circo estava se armando.
*****

Adhara havia se posicionado estrategicamente em uma poltrona que ficava no lado oposto da lareira do salão comunal, o lugar que outrora fora o ponto de encontro de Draco Malfoy e seus comparsas mais próximos, mas que hoje era ocupado por Theodore, Zambini e todos os demais veteranos proeminentes da Sonserina. Apesar de estar longe, ela podia ter uma visão bem clara do que estava acontecendo no grupo de Theodore.
Eles estavam conversando e rindo enquanto saboreavam alguns petiscos que os elfos domésticos agora sempre deixavam à disposição dos alunos da Sonserina no salão comunal. Pansy estava sentada no braço da poltrona de Theodore e ria com especial entusiasmo de tudo o que ele falava. Em dado momento, ela colocou a mão sobre o ombro de Nott e se curvou para ele, mas Theo, muito discretamente, retirou a mão dela e voltou sua atenção para dizer algo a Blaise Zambini.
Adhara deu um meio sorriso de apreciação ao ver a expressão contrariada de Pansy. Ela se forçava a admitir que Theodore tinha pelo menos um ponto positivo a seu favor – ele tinha um melhor gosto para mulheres do que Draco.
- Nott! Nott!
Quase todas as cabeças do salão comunal da Sonserina se viraram para observar o menino magricela que irrompeu pela porta, gritando pelo nome do setimanista.
Adhara se esqueceu no mesmo instante da satisfação de ver Pansy ser rechaçada e focou cada fibra de sua atenção na figura do garotinho. Ele parecia estar aterrorizado, atônito e, ao mesmo tempo, excitado. Ele correu aos tropeços para o grupo de Theodore assim que os localizou, e, por causa da distância, a morena não pôde ouvir o que ele dizia a Nott e nem tentar fazer uma leitura labial, pois o primeiranista ficara de costas para ela, mas ela podia ver o semblante de Theo e notar as sobrancelhas do rapaz se unirem em uma expressão que mesclava desconfiança e curiosidade.

Theodore se levantou, flanqueado por Blaise, Pansy e Millicent, e seguiu o garotinho para fora do salão comunal, sob os olhares de diversos outros alunos. De seu lugar a jovem notou que alguns grupinhos de curiosos, uns discretos, outros nem tanto, tinham decidido seguir os quatro setimanistas.

Ela soltou um curto suspiro, recostando-se melhor na poltrona, e tateou o bolso de sua capa para retirar de lá um relógio redondo e prateado. Adhara abriu a tampa do visor e checou a hora: 8:15 da noite, exatamente o horário que havia combinado com Meridiana. Havia começado.

A morena fechou o tampo do relógio e cruzou os braços. Daria à Meri os dez minutos que a prima pedira para conversar com Theodore e mostrar ao sonserino o resultado final da “lição” que a ruiva dera em Kyle, e então partir para cumprir o seu papel na pequena peça que orquestraram.

Ela inspirou fundo e fechou os olhos. Aqueles provavelmente seriam os dez minutos mais longos de sua vida.

No comments: