Finding Napoleon
- Mmmm... Cuio! Ato?
Mina deu um meio sorriso, virando ligeiramente a cabeça para ver o irmão sentado desajeitadamente no chão, tentando fazer as peças de um quebra-cabeças se encaixarem – que consistiam, naquilo preciso instante, em fazer caber um quadrado dentro de um círculo.
- Muia!!!
- Sinto muito, Kieran, mas eu tenho de terminar de arrumar meu guarda-roupa. – Mina respondeu – Ordens da Dona Holly. Se eu não obedecer, sabe-se lá o que ela pode fazer comigo...
- Oly nã ma. Oli, oly!
A moça riu de novo, voltando a atenção para as gavetas abertas diante de si, onde as roupas acumulavam-se, amassadas ou jogadas de qualquer jeito. Aos pés dela, já havia uma pilha de blusas e calças que, para surpresa da garota, já não lhe serviam mais.
Tudo parecia muito curto. Ou muito folgado. O que significava que ela estava crescendo... e perdendo peso ao mesmo tempo.
- A continuar nesse ritmo, eu vou virar um palito... – ela resmungou para si mesma.
Essa não era sua principal preocupação, contudo. Considerando que mais da metade de seu guarda-roupa estava jogada aos seus pés, isso significava que não tinha sobrado muita coisa para ela vestir. O que a levava para outro dilema: como faria para arranjar mais roupas? Ela não podia ir a Londres comprar. E também não ia fazer Holly de sua "escrava particular" para apertar todas aquelas calças.
Sempre podia procurar o alfaiate de Prydery... Só que existia um pequeno problema nessa condição... A moda das Hébridas parecia ter simplesmente estacionado no tempo. Qualquer um que fosse à vila e não estivesse acostumado ao modo de viver do lugar, pensaria seriamente que fizera uma viagem para o passado.
E tudo o que ela precisava era de corseletes medievais impedindo-a de respirar...
Talvez pudesse dar uma olhada no sótão depois. Havia baús e baús de roupas antigas lá. Quem sabe não tinha a sorte da avó ser do seu tamanho? As fotos que mostravam Stella MacFusty pela casa sempre a traziam em roupas aparentemente confortáveis. E isso era tudo do que ela realmente precisava.
Foi nesse instante que os olhos dela bateram em um objeto esquecido nos fundos do guarda-roupa. Um sorriso melancólico surgiu nos lábios da menina, enquanto ela puxava o cãozinho de pelúcia que ganhara de Lorelai no Natal do ano anterior.
- Napoleão... Eu tinha praticamente me esquecido de você... – ela desculpou-se, abraçando o bichinho – Kieran! Eu tenho alguém para te apresentar!
- Enta! Eeee! Em, em, Mi!
Ela caminhou até o irmão, sentando-se de frente para ele, colocando o brinquedo entre os dois.
- Kieran, esse é Napoleão. Mas você pode chamá-lo carinhosamente de Napinha.
- Inha! – o menino respondeu, batendo palmas, antes de puxar o pobre Napoleão pelas orelhas, mordendo-lhe o focinho.
- Ei! Peraí, não é para você morder o coitado! – Mina tentou, o mais gentilmente possível, tirar o focinho de pelúcia de Napoleão da boca de Kieran – Eu não sabia que já estava na hora de começar a procurar mordedores para você...
- Mmmmm... – ele respondeu, lutando ainda por alguns segundos, antes de soltá-lo – Inha!
Ela não pode se impedir de rir quando afinal recuperou Napoleão para seu colo, ainda que um tanto babado e amassado.
- Depois eu vou arranjar alguma coisa para você morder, mas não faça mais isso com o Napoleão, certo? – ela pediu, abaixando a cabeça até ficar no mesmo nível do irmão – Obrigada, Kieran.
- Mia?
Ela sorriu, afetuosa. Desde o dia anterior, quando conseguira fazer alguns pequenos fiapos de vapor prateado deixarem sua varinha enquanto tentava mais uma vez executar o feitiço do patrono, ela se sentia um pouco mais leve. E devia isso ao irmão. Fora apenas após passar uma tarde toda envolvida em brincadeiras com o pequeno que ela sentira-se suficientemente contente para evocar o encantamento.
Ainda estava um pouco deprimida, é verdade; o sentimento de impotência que a dominava desde que tinha deixado Hogwarts no meio da noite, após a morte do professor Dumbledore, continuava lá... Mas com o passar dos dias, com o trabalho que começara a fazer, com as aulas que tinha com Holly e o avô, aos poucos, as coisas pareciam estar voltando aos seus lugares.
Demoraria para que ela pudesse voltar a ser a Mina de sempre. Mas ainda havia esperanças. Ela não podia deixar de acreditar. Se deixasse de crer, o que mais lhe restaria?
Tinha de conseguir se comunicar com Lusmore. Tinha que descobrir o que acontecera com os amigos. Tinha de fazer o possível e o impossível para atender as expectativas de seu avô, de Holly, dos domadores, dos aldeões... e, acima de tudo, às suas próprias expectativas.
Haveria momentos em que iria desanimar. Mas então, poderia olhar para o sorriso alegre e ainda sem dentes do irmão e pensar que ela ainda não terminara seu trabalho.
- Há ainda muito o que fazer para que eu possa me dar ao luxo de me desesperar... Não é, Kieran? – ela perguntou, sem deixar de sorrir.
- Hum! – ele respondeu entusiasticamente, engatinhando para o colo da irmã, erguendo os braços para o pescoço dela – Mia!
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