Favor - Final
- Você tem um minuto antes de ir? – ela perguntou.
O austríaco assentiu. Se a morena havia esperado Kyle ir embora para lhe dizer alguma coisa, na certa deveria ser um assunto delicado.
- Eu só queria te agradecer. Por antes. – Adhara começou a explicar. Ela deu um suspiro e cruzou os braços antes de continuar – Eu estava apenas sendo idiota e sentimental e passando um sermão na Meri e no Kyle e não sendo de ajuda nenhuma quando era minha obrigação estar ajudando.
Lucien franziu o cenho. Ele não estava entendendo muito bem onde a moça queria chegar, e nem porque ela parecia estar tão frustrada.
- Adhara, por que você está agindo como se estivesse em falta com alguma coisa?
Ela deu de ombros.
- Por que eu estou? – a moça meneou a cabeça, balançando seus cachos negros – Vamos encarar os fatos Lucien, essa porcaria toda que está acontecendo é minha culpa. Fui eu que sugeri a Meri ir atrás do Nott. E Kyle deu aquele soco em Theodore porque estava me defendendo... Eu não deveria ter contado ao Kyle que Theodore havia tentando me beijar. Eu deveria apenas ter mantido isso para mim mesma. – ela suspirou de novo – E, honestamente, eu conheço Theodore Nott, mais do que eu gostaria de conhecer na verdade. Esse papo todo de família se unindo e troca de favores que ele usou com a Meridiana? É, isso é bem típico dele, mas não é tudo o que há nessa história. Ele está tentando usar a minha prima para machucar o cara com quem ele acha que eu estou saindo. É bem óbvio que ele está tentando acertar dois gnomos com um feitiço só: ele se vinga do Kyle e gera uma animosidade entre mim e a Meri.
A reação do austríaco não foi esperada pela morena. Lucien deu um meio sorriso, como se ela tivesse acabado de lhe contar uma piada particularmente divertida.
-Olhando dessa perspectiva, talvez você devesse se congratular, porque, no fim das contas, Nott não vai conseguir nenhum dos seus objetivos. Ele sim é o idiota da história, não você. Você não tem razão para se sentir culpada.
Adhara entortou um pouco a cabeça enquanto encarava o lufano. Ela nunca havia pensado nas coisas daquele ponto de vista tão... Otimista. Na verdade Adhara Ivory nunca fora do tipo que vê sempre o lado bom das coisas, e agora que o mundo bruxo estava em guerra e o destino da sua recém-formada família estava girando muito próximo do olho do furacão ela não se sentia muito inclinada em aderir a perspectivas mais otimistas. Mas, por mais estranho e improvável que fosse, o argumento de Lucien havia conseguido acalmá-la. Logo Lucien, a quem ela via como um rapaz tão prático e racional.
- Bom, eu não posso discordar de você em uma coisa. Theodore é um idiota - ela disse, dando uma ênfase especial no "é".
-Vamos torcer para que ele seja idiota suficiente para cair na nossa armação – Lucien respondeu – embora, por tudo o que vocês já falaram sobre ele, não acho que tenhamos muito com que nos preocupar.
A moça não podia dizer que concordava com Lucien daquela vez. Ela achava Theodore um idiota, é claro, mas ele não era exatamente burro. Se agissem com cautela e extenso planejamento, o embuste poderia dar certo - em um primeiro momento. Mas e depois? E se, mais para a frente, algo acontecesse que levasse Nott a descobrir tudo? Ela não queria mais ver Kyle sendo perseguido. E aquela era apenas o primeiro favor que Theodore havia pedido à Meridiana. Ela sabia que haveria outros vindos, talvez não dele, mas de pessoas mais perigosas e bem posicionadas do que ele. E nem ela, nem Lucien ou Kyle, poderiam armar um teatrinho para livrar Meri de fazer o trabalho sujo.
Adhara considerou dizer tudo isso a Lucien, mas o austríaco tinha uma expressão tão serena naquele momento, um meio sorriso fácil nos lábios. Ele parecia simplesmente feliz por eles terem resolvido o problema mais imediato e a sonserina simplesmente não teve coragem de despejar seus temores em cima dele. Assim, ela apenas assentiu.
- Você tem razão. Provavelmente vai dar certo. - ela fez uma pausa, reconhecendo que sua voz não parecia nada otimista - Obrigada, Lucien. De novo. - a morena resolveu encerrar sua fala por ali antes que sua tendência a pensar negativamente colocasse tudo a perder.
-Sempre que precisar – ele respondeu, acenando a cabeça. – Melhor irmos, não?
Adhara assentiu, seguindo em direção à porta. Lucien seguiu logo atrás. Apesar do teor das palavras da moça, ele percebera a leve hesitação na voz da sonserina. Ele não podia culpar a moça por se preocupar com o que estava por vir, ele próprio se sentia ansioso na maior parte do tempo.
Contudo, pela experiência, ainda que pouca, trabalhando na resistência bruxa, ele sabia que existiam situações muito mais desvantajosas para se entrar em ação. Hogwarts era um terreno conhecido, um lugar mais fácil de controlar as variáveis, eles tinham noção de onde e como agir, portanto, eram esses pequenos aspectos que faziam com que Lucien se prendesse à esperança de que as coisas poderiam dar certo. Ele simplesmente precisava acreditar naquilo.
Nota - Cerca de 90% da equipe viajando no feriados, passei aqui correndo para desejar a todos um ótimo descanço.
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