Tuesday, April 28, 2009

Favor - Parte 2


A ruiva sentou-se no chão, encostando o corpo e a cabeça na parede, refletindo sobre o modo como as coisas estavam se encaminhando. Se, por um lado, ela estava satisfeita com a aproximação de Theodore, o que, em breve, lhe garantiria um passaporte para o círculo interno da juventude comensal de Hogwarts, por outro, a idéia de ter que usar Kyle para atingir esse objetivo não lhe agradava de forma alguma.

A moça baixou a cabeça, deixando os orbes verdes se dirigirem para a entrada da sala secreta que o padrinho revelara a eles. O primeiro a entrar foi Lucien.

Assim que seus olhos se encontraram, ambos deixaram que um sorriso leve se formasse em seus lábios. O moreno abaixou-se, dando um beijo suave em Meridiana, antes de sentar-se ao lado da namorada. As mãos de ambos se entrelaçaram, e, a grifinória recostou a cabeça no ombro de Lucien, tentado aproveitar plenamente aqueles breves momentos que conseguiam ficar juntos.

Poucos minutos depois, Kyle apareceu, seguido por Adhara. Estando os quatro reunidos, a ruiva levantou a cabeça, para explicar aos demais a razão de tê-los convocado ali.

- Houston, nós temos um problema – ela falou.

Adhara, Lucien e Kyle trocaram olhares entre si. A morena foi a primeira a quebrar o silêncio.

- Que tipo de problema? – a sonserina desconsiderou a tentativa de Meri de fazer uma piada e foi direto ao assunto.

-Theodore. – a ruiva respondeu da mesma forma direta – Ele me garante acesso aos comensais de Hogwarts desde que eu o vingue do soco que Kyle deu nele.

Os olhos de Kyle se arregalaram em surpresa. Ele imaginou que Theodore era alguém indescritivelmente cretino pelo que fizera com Adhara, mas nunca imaginou que o nível de boçalidade do sonserino pudesse atingir um patamar tão alto.

- Você está brincando, não está? – ele perguntou, lançando um olhar interrogativo para ambas as primas, que conheciam Theodore há mais tempo que ele.

A ruiva revirou os olhos, sentindo uma onda de asco percorrer sua coluna.

- Nas palavras de Theodore, nós somos parentes e devemos cuidar um do outro. Eu faço esse pequenino favor para ele e ele me faz outro, em troca.

Adhara suspirou e levou suas mãos até as têmporas. Aquilo era exatamente o que ela havia temido em primeiro lugar. Era exatamente o que ela sabia desde o início que iria acontecer. Theodore era um rapaz orgulhoso e rancoroso... Na verdade, a maioria dos sonserinos eram orgulhosos e rancorosos, ela mesma não podia dizer que se esquivava daquelas características. Ela tinha certeza que o rapaz não se contentaria em apenas ver Kyle cumprindo uma detenção e perdendo pontos para a Lufa-Lufa. Ela tinha certeza que o rapaz não se contentaria em apenas ver Kyle cumprindo uma detenção e perdendo pontos para a Lufa-Lufa. Theodore iria querer pagar na mesma moeda, e com juros exorbitantes.

- Isso é exatamente o motivo pelo qual eu lhe disse que não valia à pena comprar briga, Kyle. – ela se virou para o primo, lançando um olhar de censura para o garoto – Não estou tentando fazer você se sentir culpado ou coisa assim, mas eu te disse que isso teria conseqüências maiores. O que foi feito está feito, mas eu espero que você pense melhor no que vai fazer da próxima vez que um sonserino te provocar. Porque, acredite em mim, vai haver uma segunda vez. Agora que você se tornou um alvo, vai ser difícil eles te deixarem em paz. – ela então se virou para Meri e voltou a falar antes que Kyle tivesse uma chance de abrir a boca para se defender – E você? – a moça cruzou seus braços e fixou um olhar duro sobre a ruiva – O que você vai fazer agora que o barqueiro resolveu cobrar a passagem?

A ruiva suspirou ruidosamente.

- Sem nenhuma idéia do que fazer. Exatamente por isso chamei vocês. Eu preciso encontrar um modo de dar a Theodore o que ele quer sem ferir Kyle. O problema é que Nott deseja sangue. Literalmente falando. Ou pelo menos algo pior.

Por alguns minutos, os quatro permaneceram em um pesado silêncio, tentando descobrir uma solução para aquele maldito impasse que acabaram por cair. Foi Lucien, que desde o começo da conversa estivera apenas escutando e ponderando sobre os fatos, que primeiro se pronunciou.

- Adhara, você acha que Nott se contentaria em ver apenas o resultado da vingança?

A sugestão do lufano a pegou de surpresa. Ela encarou Lucien por um longo momento com uma expressão neutra e ele manteve o olhar. Ela podia ver claramente o que o austríaco estava implicando e, honestamente, a morena se sentiu um pouco tola por estar tão irritada com a situação que não teve a racionalidade de pensar naquele plano antes. Ela estava deixando seus sentimentos entrarem no caminho e sendo mais parcial do que deveria – e, obviamente, aquilo não estava ajudando nenhum deles.

- Claro. – ela assentiu – Claro, faz perfeito sentido. Acho que ele vai ficar satisfeito contato que ele saiba que o serviço está feito... Theodore não é do tipo que se sente particularmente ansioso em sujar as mãos e assistir a barbáries, ele não tem estômago para tanto... Do contrário ele mesmo se vingaria. – ela então voltou o olhar para Meri, dessa vez com um meio sorriso – Essa pode ser a sua brecha.

A ruiva deu um meio sorriso, compreendendo exatamente o que o namorado e a prima estavam insinuando. O grego franziu a testa. Kyle observou cada um dos três, ainda sem entender exatamente qual era o grande plano que eles haviam elaborado.

- Eu ainda estou meio perdido. – ele confessou.

- Lucien sugeriu uma pequena encenação, Kyle – a ruiva voltou-se para o primo, o sorriso ainda ampliando-se mais. – Tendo você como astro principal.

- Ahhhhh – foi tudo o que ele respondeu, finalmente deixando a “ficha” cair.

- Com um pouco de maquiagem e quem sabe "nuga sangra nariz" para dar um toque mais realista, acho que podemos simular uma boa surra. – foi a sugestão de Lucien.

- Perfeito! – Meridiana falou, entusiasmada. – Assim que conseguirmos tudo o que precisamos, colocamos nosso plano em ação!

A moça levantou-se, seguida pelo namorado. Ela pousou os lábios sobre os do austríaco, antes de virar-se para os primos.

- Eu preciso ir agora, mas nos mantemos em contato. – e com uma expressão bem mais confiante, Meri seguiu em direção à saída.

Adhara levantou-se também após aquilo, seguida por Kyle.

- Quer saber, eu vou indo também. Ainda tenho que pegar a biblioteca aberta para devolver um livro de Transfiguração. – disse o mais novo, apontando para a porta.

- É, é melhor você fazer isso mesmo. Você não vai querer entrar na lista negra da Madame Pince por atrasar com os livros, acredite. – Lucien o aconselhou, fazendo um pouco de graça.

Kyle concordou e se despediu dos dois setimanistas. Quando o rapazinho cerrou a porta, Adhara voltou-se para Lucien.

- Você tem um minuto antes de ir? – ela perguntou.

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