Thursday, February 12, 2009

Take a Chance om Me - Final


Lucy parou na porta da loja, tocando o interfone com insistência. Embora ela ainda possuísse uma cópia da chave, achou que seria melhor se anunciar antes de falar com Jack.

-Pois não? - a voz do homem soou através do aparelho.

-Sou eu, Jack, podemos conversar? - ela falou, em um tom baixo e ligeiramente apreensivo.

-Quer entrar? - ele perguntou quase de imediato.

-Acho melhor você descer se não for incômodo - ela pediu, com um discreto tom de súplica.

Não houve resposta, contudo, não demorou nem cinco minutos para que Jack Mercury abrisse a porta e ficasse cara a cara com Lucy Reinfield.

Ele percebeu que ela trocara de roupa, usava agora um vestido comprido, com a barra pouco abaixo dos joelhos, de mangas curtas e extremamente discreto. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo.

O homem ficou parado, em silêncio, esperando o próximo movimento da mulher. Depois do modo como se despediram, era melhor que permitir que Lucy fizesse as coisas no ritmo dela.

-Podemos dar uma volta? - ela perguntou, abaixando novamente o rosto.

-Tudo bem - Jack assentiu, cerrando a porta atrás de si.

Os dois começaram a caminhar em silêncio. Lucy com os braços cruzados, praticamente fitando os próprios pés, enquanto Jack estava com as mãos enterradas no bolso da calça jeans, observando a morena pelo canto dos olhos.

-Por que você me beijou? - finalmente ela conseguiu fazer a pergunta que lhe martelara na cabeça desde que Jack foi embora.

Ele deu um sorriso torto, meneando a cabeça. Considerando a situação, era compreensível que algo que fosse tão óbvio para ele se apresentasse como um completo enigma para Lucy.

-Eu estou apaixonado por você.

-Por que? - ela perguntou novamente, incapaz de entender a razão daqueles sentimentos que o homem declarava sentir.

Jack parou, procurando as palavras certas para responder àquela questão. Era complicado colocar em palavras algo que parecia abranger muito mais coisas... algo que ia além da mera racionalidade e lógica.

-Eu já tive muitas mulheres na minha vida, Lucy, não vou negar - ele começou, enquanto ela também parava de caminhar - Mesmo antes de viajar mundo afora, eu já tinha uma lista não muito pequena de relacionamentos. Todos eles frustrados. Era como se nenhuma delas me fizesse sentir pleno, me fizesse sentir em casa.

Lucy continuava ao lado dele, porém sem encara-lo. Apreendendo cada uma das palavras que ele proferia.

-Quando você se mudou para minha casa, a cada dia se passava, eu percebia que com você eu me sentia feliz, me sentia completo. Pode parecer piegas, e talvez até seja, eu não me importo, mas, a sensação que eu tenho é que eu viajei o mundo inteiro, anos atrás, a procura de você, e, mesmo voltando para a Inglaterra, continuei me sentindo estrangeiro até você chegar. Como se eu estivesse encontrado em você o meu verdadeiro lar.

-Eu...eu entendo - ela disse, ainda cabisbaixa.

Estava sendo sincera, ela realmente compreendia as palavras dele, pois, de certo forma, ele estava traduzindo exatamente os sentimentos dela quando estava ao lado de Jack. Lucy confundira o que sentira com uma amizade profunda até o instante em que ele a beijou naquela tarde.

-Eu nunca me apaixonei por ninguém... pelo menos não até agora. Muito do que você disse descreve a mesma sensação de bem-estar quando estou ao seu lado. Eu só não sei se ... - ela fez uma pequena pausa, dando um suspiro ruidoso - Entenda, o único relacionamento que eu tive foi com Ludovic. Até hoje a tarde, nenhum outro homem antes ou depois dele havia me beijado ou tido qualquer outro tipo de intimidade comigo.

Finalmente Jack compreendeu plenamente o peso de todo o passado nebuloso e sombrio que envolvia a morena. Black-Thorne roubara de Lucy muito mais do que ele supusera a princípio. Ele pilhara a inocência dela e o direito de aprender a amar.

-Você é virgem, Lucy!- ele exclamou, sem conter a surpresa que aquela revelação lhe trouxera.

A escultora sentiu a timidez se refletir dolorosamente nas bochechas, chegando até mesmo a trincar os dentes.

-Eu tenho um filho, esqueceu? - foi a única coisa que ela conseguiu murmurar.

Pela primeira vez, desde o começo da conversa, Jack decidiu tomar uma iniciativa, ele aproximou-se da mulher, enlaçando com cuidado uma das mãos de Lucy. O movimento fez com que ela finalmente olhasse para o rosto dele.

-O que Black-Thorne fez com você não conta. - ele replicou com uma voz cheia de ternura - Você nunca fez amor, por isso ainda é virgem. Se você permitir, eu quero ser o primeiro - e se possível único - homem a fazer amor com você.

-Jack... - ela começou, embora, daquela vez, não houvesse se esquivado toque dele. Suas mãos permaneciam unidas.

-Eu sei que está com medo - ele a interrompeu - E não tiro a sua razão. Mas eu prometo ir com calma. Fazer a côrte como um lorde do século passado se necessário, até mesmo pedir a autorização de seu filho para poder namorar você. Qualquer que seja a sua exigência, eu acato. Só peço que nos dê uma chance.

Lucy percebeu que ele falava a sério em sua promessa. Procurou dentro de si uma razão para não tentar, mas, mesmo aquelas que conseguiu enumerar não foram suficientes para calar o desejo de, pelo menos uma vez na vida, se arriscar a ser feliz.

-Tudo bem - ela respondeu, os olhos começando a marejar.

Jack sorriu, sentindo o coração descompassar. Ele levantou a mão de Lucy que estava enlaçada na sua até a altura dos lábios, depositando ali um beijo. Aproximou-se dela, segurando o rosto com a mão livre.

-Posso? - ele perguntou, ao que a mulher assentiu.

Ele podia sentir ela tremendo, nervosa.

-Nós vamos bem devagar...eu prometo...

Com delicadeza, Jack pousou um beijo na testa de Lucy, para depois selar os lábios dela com igual sutileza. Após o contato mínimo, ele a abraçou, afagando os cabelos dela, enquanto a morena aninhava a cabeça no peito dele. Lucy sentiu os receios que guardava dentro de si começando a esmorecer, sentiu-se segura como há muitos anos não se lembrava. Talvez, ela também estivesse encontrando em Jack um lar.

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