Let it snow
de Darien para Raven
Sem planejar, deixaremos acontecer.
Apesar do vento gelado, era um clima agradável. Por mais que as pessoas parecessem frias externamente, em seus interiores o sorriso e a alegria de estarem juntas as uniam num círculo incandescente.
Alguns casais caminhavam a esmo, como se não tivessem um lugar para onde ir; mesmo assim não se importavam com o clima, com a nevasca. As mãos deles se cruzaram, se tocaram, se sorriram. Era visível a olhos nus, de qualquer espécie de ser, a felicidade da Sonseria e do Lufano. Mesmo alguns anos após a adolescência escolar, o rapaz ainda se sentia como um, e era correspondido por Raven com a mesma intensidade.
Ao chegarem a casa, colocaram as compras para o Natal na cozinha. Enquanto Raven preparava coisas, e Luke limpava a entrada da sala que se sujara com a neve e acendia a lareira, a sonserina pegou-se a uma lembrança do passado. Mais precisamente, no primeiro ano deles fora de Hogwarts, quando as coisas do mundo bruxo iam a perfeito estado.
Nevava naquela mesma época, e ainda era final de Outubro. Raven estava radiante com o novo lar que ela mesma havia conseguido comprar, resolveu convidar os amigos mais íntimos para uma festa, e isso incluía Luke, quem não via desde a época a escola.
Na sexta daquela mesma semana, todos se encontraram e Raven pôde ver novamente o amigo cigano. Estava nevando, nevando forte. Apesar de tudo, Raven sentiu-se feliz em ver o amigo, achou-se estranho por repará-lo de uma forma.... um tanto quanto diferente, fora do campo amigável, mas ainda com um sentido bom no olhar. Ele estava mudado, pensou a menina, mas o que seria? Os cabelos? Estaria Luke se exercitando? Não! Era ela quem havia mudado, deixou de lado os preconceitos e apelidos que ganhara em Hogwarts, e passou a notar mais no amigo tão presente.
Convidaram-se novamente para uma passada pelas ruelas de Glasgow, na Escócia. Nada muito formal, nada muito romântico, nada muito estranho; eram apenas dois amigos conversando, se olhando, se dando as mãos, se reaproximando.
- Luke, parece que vai começar uma tempestade daquelas, não acha melhor corrermos?
A menina previu o que aconteceria, antes que pudessem chegar a qualquer lugar mais seguro contra a neve, estavam os dois cobertos por flocos brancos e estavam longe da estação de trem. Entraram numa galeria repleta de gente com alguns embrulhos em mãos, já se aproximava do Natal. Na galeria, da vitrine das lojas não se via nada além de gente correndo de um lado par ao outro, era uma liquidação, algo que fazia os trouxas agirem mais loucamente do que o comum. No corredor principal, uma música antiga embalava as compras.
“Let it snow, let it snow, let it snow.
It doesn’t show signs of stopping
And I’ve brought some corn for popping
The lights are turned down low
Let it snow, let it snow, let it snow.”
Era mágico o que os dois estavam vivenciando naquele momento, se juntaram à multidão numa dessas cafeterias. Conversaram, deixaram-se levar pela cômica visão que tinham de pacotes das mais variadas cores, comentários em tantos tons de voz. Apenas se entre olharam e deixaram fluir toda aquela vontade presa que seguravam até então. Beijaram-se. Foi o primeiro beijo deles que reacendeu a chama de antes.
- Rave, escute isso!
Era a mesma música, a neve voltava a cair dentro da sala onde Raven e Luke estavam se olhando. Um sorriso infantil apareceu no rosto dos dois.
“When we finally say goodnight
How I’ll hate going out in a storm
But if you’ll hold me tight
All the way home I’ll be warm”
Embora a música estivesse por acabar, eles se admiravam sem dizer uma única palavra, sem mover um músculo, apenas por sorrirem. Não tinham para onde ir, como dizia a música. Apenas deveriam deixar acontecer.
“The fire is slowly dying
And my dear we’re still goodbying
Long as you love me so
Let it snow, let it snow, let it snow.”
Realmente o fogo estava por acabar, e eles nem ainda começaram a se despedir, mas ainda davam tchau um ao outro, como na época em que Luke visitou Raven pela primeira vez. Dali em diante, todos os dias foi assim despreparado, organizadamente desorganizado. Eles apenas deixariam a neve cair e a aproveitariam ao máximo que pudessem.
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