Sunday, December 28, 2008

Another White Christmas


de Raven para Meri


Nota Explicativa: Como eu mencionei na abertura das fics de amigo oculto, tivemos um pequeno problema e fizemos dois sorteios, e, acabou que a Rav, que havia tirado me tirado no primeiro e tirado o Sat no segundo, só recebeu o primeiro sorteio e, no fim das contas, ganhei dois presentes.

Eis meu segundo Natal Branco...


Meridiana colocou de volta sobre a toalha de mesa festiva o belo Arcanjo que a enfeitava, e novamente não pôde deixar de sorrir ao vê-lo: em vez da tradicional espada, o anjo portava um sabre de luz em miniatura. Arrumação de seu pai, Nicholas Johnson.

Também fora arrumação dele, ainda que indiretamente, servir a ceia antes da meia-noite. Apesar de a sugestão ter sido de Meridiana, a verdadeira motivação foi o repetido beliscar travesso de Nicholas às travessas, e a ruiva não se incomodou em quebrar a tradição em favor da fome do pai. Combinaram apenas de manter a abertura dos presentes para o dia seguinte, mesmo porque vê-los embrulhados ao pé da árvore aguçava deliciosamente a curiosidade.

Meridiana fitou carinhosamente o pai. Ele a ajudara com a louça do jantar, e depois foi sentar-se no beiral da janela, observando a noite. A jovem sabia o quanto Nicholas ficava feliz por tê-la em casa no Natal, mas também sabia o quanto ele sentia falta de Elizabeth Johnson, principalmente nessas datas. Provavelmente era na mãe de Meri que ele pensava naquele momento.

Uma canção encheu o ar, vinda de alguma casa da vizinhança. Meridiana sorriu de leve ao ver o pai fechar os olhos e cantá-la num tom levemente desafinado:

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow


I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all
Your Christmases be white


Meri caminhou até a janela e sentou-se do outro lado do peitoril; Nicholas abriu os olhos e sorriu ao vê-la. Continuaram, juntos, a canção:

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow


I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases be white


I'm dreaming of a white
Christmas with you
Jingle Bells
All the way, all the way


- Obrigado, Pimentinha, por me ajudar com a música – disse Nicholas, com um brilho divertido no olhar – Afinação nunca foi o meu forte... Aliás, sua mãe costumava dizer que se eu escrevesse como eu canto, estaria perdido.

- Que exagero, pai - comentou Meridiana, rindo.

- Sabe, Meri, sua mãe adorava canções de Natal trouxas. Sabia todas, algumas até que nem eu conhecia. Essa que cantamos era a sua predileta; era ao som dela que Elizabeth gostava de pendurar os enfeites e as luzes na árvore – lembrou Nicholas.

- Como vocês comemoravam o Natal, pai? – perguntou Meridiana, aproveitando as memórias de Nicholas.

- Geralmente aqui no mundo trouxa, mesmo, já que um Natal em família com os Black-Thorne estava definitivamente fora de cogitação... Porém, Elizabeth quebrava um pouco as regras e me levava para ver a decoração de Natal das lojas do Beco Diagonal. A propósito, até hoje não sou capaz de compreender como vocês conseguem se orientar naquele espaço tão pequeno e tão lotado!

- Com o tempo a gente acostuma e passa a achar muito divertido – comentou Meri.

- Imagino... Mas, como eu dizia, eu e Elizabeth geralmente passávamos o Natal em casa, como passamos hoje. Não era preciso muita coisa para que nos sentíssemos felizes.

Ele olhou para a noite estrelada e ainda iluminada por alguns fogos de artifício, e um sorriso deslizou por seus lábios.

- Houve uma vez em que fizemos algo diferente – ele retomou, sem deixar de sorrir – Sabe aquele pequeno parque que tem aqui pertinho, que você chama de Jardim Secreto? Lá tem um pequeno lago que sempre fica congelado nessa época do ano.

Meridiana anuiu.

- Pois houve uma noite de Natal em que Elizabeth cismou que a ocasião merecia uma forma diferente de celebração: precisávamos ir até lá e patinar.

- Patinar? Na noite de Natal? - duvidou Meri, divertida.

- Sim, Pimentinha, pois a noite estava linda, sem neve, exatamente como hoje... E, por acaso, os patins ainda estão guardados dentro da parte de cima do meu armário – emendou Nicholas, com um brilho irresistível no olhar que dirigiu à Meridiana.

- Hm, pai, tem certeza disso? Patinação não é bem o meu forte... – começou Meri.

- Jovem Padawan, o que isso é? De si não duvide, tenha na Força fé e tudo o que desejar você de fazer será capaz – Nicholas pronunciou, com ar solene, fazendo Meridiana rir – Além do mais, jovem Princesa, que risco você correrá sob a proteção de seu Cavaleiro Particular?

A ruiva cruzou os braços, deitou a cabeça um pouco de lado e fitou o pai com uma sobrancelha erguida.

- Me dê só um minuto – pediu Nicholas, saltando do parapeito e sumindo corredor adentro. Poucos minutos depois retornou com os dois pares de patins pendurados no ombro e com casacos, gorros e luvas para si e para sua filha.

- E então? Vamos? – chamou, sorridente, estendendo as roupas para Meri e pegando a chave do carro.

Meridiana anuiu, e em pouco tempo chegaram ao lago congelado. Estava tudo muito calmo e silencioso, como se fosse um cenário de sonho que se desenhara apenas para eles. Pai e filha calçaram os patins e Nicholas, segurando firme as mãos de Meri, deslizou com ela pela superfície gelada.

- Vamos lá, Pimentinha! Afinal de contas, por que só Papai Noel tem o direito de deslizar por aí na noite de Natal? – brincou, divertido. E, em pouco tempo, pai e filha patinavam à vontade, equilibrando e desequilibrando-se numa coreografia estranha, posto divertida.

De repente, a neve começou a cair suavemente, em macios flocos algodoados.

- Hm, neve não estava prevista no roteiro – comentou Nicholas, entendendo a mão enluvada para capturar alguns flocos.

- Bem, pai, talvez desta vez haja neve por ser a nossa versão da história – comentou Meri, em meio a um sorriso.

- Sim, Pimentinha, você tem razão... E nessa nova história há espaço no roteiro para incríveis batalhas de bolas de neve? – perguntou Nicholas, simulando um ar sério e profissional.

Meridiana virou os olhos. Nicholas riu.

- Como quiser, pai – ela respondeu, sorridente. Porém, eu faço questão de manter a trilha sonora.

- Perfeitamente, senhorita. Podemos ensaiá-la, enquanto a batalha não começa?

Meridiana anuiu e, deslizando juntos pelo gelo, de mãos dadas, pai e filha retomaram a canção de Natal preferida de Elizabeth Johnson – e, por que não, deles também:

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all
Your Christmases be white

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases be white

I'm dreaming of a white
Christmas with you
Jingle Bells
All the way, all the way


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