Oxigênio - Final
Selune ficou sem ação efetiva: sua boca se abriu sem emitir um som sequer, seus olhos se enchendo tão subitamente de lágrimas que ela mal conseguia divisar além da luz cintilante das fadas e – diabos, onde estavam suas pernas quando ela precisava sentir algo sob seu corpo?
Então ela sentiu o corpo de Tristan sob o seu, sustentando sua queda, como sempre, cumprindo a promessa de sempre estar por perto, de não a deixar só. E o cheiro dele era tão bom!
- Extremamente pertinente o meu timming romântico, não acha? – ela suspirou alto, ajeitando-se no colo de um Tristan que havia se sentado para aparar a ambos. – Acho que essa vai ser uma boa história para contar para os nossos netos. “A vovó tinha joelhos fracos e estava de salto Luís XV, crianças. Foi por isso que ela caiu sobre o vovô e fez ele se estatelar sentado no assoalho!” – Selune não precisou fazer muito esforço para imitar uma voz frágil de velhinha, muito embora seus motivos fossem outros e ela se sentisse mais nova que nunca – sua vida acabara de recomeçar.
- Netos? Então... – ele começou.
- Sim. Je t’aime, Tristan McCloud. E é claro que eu me caso com você.
Tristan a custo manteve as mãos firmes enquanto colocava o anel no dedo de sua noiva. Noiva... a palavra era doce como os lábios dela que buscavam sua boca com tamanha urgência que, quando se beijaram foi como se nunca o tivessem feito antes. E ele queria se deixar levar, porque ele a ela pertencia, cada movimento, cada toque de seus dedos era um comando irrecusável sobre seu corpo, que reagia em igual intensidade e certeza.
Havia sons de fogos de artifício pipocando do lado de fora do castelo de vidro quando ele finalmente começou a diminuir lentamente o ritmo, acalmando-a, trazendo-a a tona novamente.
- Você não sabe como me faz feliz. Eu te amo mais do que já imaginei ser possível, Selune.
Ela mal esperou que ele concluísse a frase e já o estava beijando novamente. Cada vez que inspirava ela sorvia mais um pouco do perfume cítrico amadeirado exalado por ele, gravando-o nos pulmões, na alma. Ato contínuo, seus dedos se enroscavam nos cabelos do rapaz, enquanto sua outra mão pousava sobre o peito, tateando a correntinha que ela bem conhecia. Ele era seu lugar, sempre fora.
- Meu amor, espera. Não faça isso, não torne tão difícil... Selune...SELUNE! – sua voz saiu trêmula e um pouco acima do normal quando a moça começou a beijar seu pescoço, sua orelha. – Perdão, eu não queria assustá-la. - ele ergueu as mãos em rendição, sorrindo da expressão indignada da moça. Havia uma certa nota de nervosismo em seu tom.
- Você... está me rejeitando minutos depois de me pedir em casamento, Tristan McCloud?
- Se algum dia eu a rejeitar pode me encaminhar sem escalas ou desculpas para o Saint Mungus, que será caso perdido. Por hora, é somente um pedido de pausa, nada mais.
Mas ela continuava mexendo em seu cabelo, a cabeça deitada em seu ombro, a respiração tão próxima que ele sentia cada leve movimento.
- Não me tente Sel, por favor. Só Deus sabe como foi difícil parar agora! Não me olhe assim, como seu eu fosse o cúmulo da crueldade. Você ouviu, nossas famílias estão aparatando lá fora e Albert só está aguardando meu sinal para abrir a porta.
- Aparatando? Mas... não eram fogos de artifício?! – a moça se ergueu de um salto, a surpresa subindo-lhe pela face, ruborizando suas bochechas e acentuando o brilho em seus olhos. – UGH! Pour quoi non me disse que eles viriam ANTES?
- Como!? Você é tão deliciosamente persuasiva! - Tristan já não continha o riso cristalino ante a cena cômica que se instalou, Selune olhando paranoicamente pelo vidro escuro, andando de um lado para o outro do salão.
– Você... Tem certeza que non ecsiste nenhum feitiço que deixe as pessoas verem aqui dentro? Ma Morgàne, você me conhece melhor que eu mesma... Você tinha certeza que eu ia aceitar?
- Nunca foi certeza.... – ante a afirmação, a jovem ficou pálida e demorou alguns segundos para que ele percebesse o engano – Calma! Sim, o vidro não deixa ninguém ver nada. Nem com magia. Certeza absoluta, prometo.
Ela relaxou um pouco, os olhos fixos na direção da parede de vidro onde ela imaginava ser a porta de entrada, a face ainda vermelha pelo ímpeto que a fizera subitamente tão... ousada.
Tristan lhe segurou a mão e olhou ainda sonhador para o anel que cintilava ainda mais em contraste com sua pele de lua. Agora era ele quem sorria encabulado de sua própria parcela de ousadia.
- Eu não tinha certeza de que aceitaria. Mas assumi os riscos e, como eu havia dito, contei com alguns cúmplices. Lucien, Valentine, Alexis, Victoria. – ele respondeu à pergunta que ela havia feito com os olhos. - Devo dizer que muito me alegra que você tenha aceitado. Se meu timming estivesse errado e você saísse daqui com borboletas na cabeça ao invés de no estômago seu irmão ia me encher de socos por ter que lidar com sua versão psicótica sabe-se lá por quanto tempo. Palavras dele.
- Hunf! Seu dia ainda não terminou. – ela a custo reprimia o riso. - Se eu fosse você não abusava da sorte só porque eu o amo, Bert!
Ele segurou sua mão e juntos dirigiram-se à porta para receber suas famílias.
- Eu te amo também, Poppins. Para sempre.
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New Dawn
Parece que as coisas estão se arranjando de tal forma que o capitulo 04 continua travado e travado e travado. Em meio a vestibulares, eventos de animes, concursos, trabalho, fim de semestre, o tempo sendo roubado um pouco de cada uma de nós...
Enfim, não deu para terminar de novo. ^^”
Para não deixar vocês sem sua dose recomendada de açúcar vampiresco, fizemos um pequeno trailer de algumas cenas já escritas de capítulos futuros de New Dawn.
Para ler, basta clicar no button abaixo:
E vamos fazer o possível e o impossível para colocarmos o capitulo 04 na semana que vem.
Novamente nos desculpem.
Abraços, Meri/Katchiannya
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