Monday, December 08, 2008

Cousins - Parte 1


Era 31 de agosto, e em praticamente toda casa bruxa com crianças em idade escolar a rotina era a mesma: materiais sendo embalados, roupas sendo dobradas, pertences sendo separados, malões sendo limpos e esvaziados para serem preenchidos novamente.

Aquela era a sétima vez que Meridiana seguia aquela rotina, e, se nos anos anteriores ela executara aquela tarefa com expectativa e animação para voltar para a escola, naquele ano – seu último em Hogwarts, um ano que deveria ser memorável – a ruiva se sentia preenchida por uma névoa de torpor permeada por obrigação. Pela primeira vez desde criança, não estava feliz em ver a chegada de setembro.

- Aqui, não se esqueça do seu suéter.

Meri piscou e forçou sua mente a retornar para o presente quando ouviu a voz de sua prima. Tentou sorrir – e conseguiu, pelo menos vagamente – quando apanhou a blusa vermelha e dourada que Adhara lhe estendia.

- Obrigada.

A morena lhe respondeu com um sorriso dela própria, e Meri surpreendeu-se ao notar em como agora parecia fácil à Adhara formar um sorriso. O engraçado era pensar que no ano anterior a situação era justamente a inversa – Adhara era a séria e ela, Meridiana, a mais extrovertida. Aqueles últimos meses haviam deixado marcas profundas nelas, fosse para o bem ou para o mal.

- Sabe, isso não é tão complicado quanto eu pensei que seria – disse Adhara, enquanto embolava seus pares de meia-calça. – Fazer as malas sem magia, eu digo.

A grifinória franziu a testa, olhando de esguelha para a outra.

- Você nunca tinha feito isso?

- Não. Os elfos domésticos da minha casa sempre faziam tudo – respondeu a moça, após separar mais uma pilha de roupas para dobrar.

Meri reparou, com uma parcela de culpa, que Dhara já havia terminado de dobrar as roupas dela e agora se ocupava em dobrar as suas – uma tarefa que a ruivinha estava distraída demais para executar com rapidez.

Meridiana aproximou-se de Adhara, tentando juntar-se a tarefa de arrumar a própria mala com um pouco mais de empenho.

- Obrigada pela ajuda – ela murmurou, ao que a prima respondeu com um novo sorriso.

A arrumação continuou em um silêncio produtivo por algum tempo. Fosse o que fosse que estivesse incomodando Meridiana, Adhara sabia que a prima se abriria quando necessário. Algo que reparara há algum tempo é que ela e Meri possuíam muitos pontos em comum. Um deles era o fato de preferirem dividir sua privacidade apenas quando julgavam necessário.

Enquanto se mantinha absorvida por aquela tarefa, a grifinória deixou que seus olhos recaíssem no estojo de madeira que jazia aberto sobre a cama. Uma varinha longa, de madeira clara, com algumas manchas de um vermelho-quase-terra espalhadas em alguns pontos.

A tia lhe presenteara aquele artefato no dia em que Meri lhe contara sobre seus planos acerca de Hogwarts. Pertencera outrora a seu tio Aldebaran, e foi uma das poucas coisas que permaneceram intactas após o ataque dos Inferi.

Como Ludovic quebrara a varinha da sobrinha no dia que a seqüestrara e matara o pai da garota, o presente da tia era mais que providencial e bem-vindo. A verdade é que Meridiana se sentia honrada em envergar a varinha de seu falecido tio Aldo, e, prometera a si mesma que se esforçaria para ser digna de tamanha confiança por parte de Frida.

Leves batidas na porta fizeram com que ambas as moças interrompessem seus afazeres e direcionassem seus olhos para o batente da porta, onde Kyle as encarava com uma expressão encabulada e suplicante.

- Será que vocês poderiam me ajudar com as bagagens? Não tenho a menor idéia do que levar para Hogwarts.

As primas trocaram olhares entre si. Com tudo o que acontecera nas últimas semanas – os preparativos para o casamento de Frida e Kamus que, apesar de pequeno e simples, exigira tempo e empenho, e a cerimônia de casamento em si – haviam relegado os arranjos para a viagem à Hogwarts para o último momento possível. Para elas aquilo não trazia problemas, afinal já estavam mais do que acostumadas com a rotina no castelo para saber o que Hogwarts exigia delas – mas aquela era a primeira vez que Kyle estaria indo para uma escola de bruxaria. O garoto deveria estar se sentindo, no mínimo, perdido.

- Você pegou seus materiais, varinha e uniforme? – perguntou Adhara.

Kyle coçou a cabeça.

- Bem, isso sim. Foram as primeiras coisas que coloquei na mala.

- Então relaxa – disse Meri, voltando à sua dobra de roupas. – O mais importante já foi. Agora é só você colocar algumas roupas suas e ir preenchendo o espaço com o que mais você quiser. Como livros ou o seu vídeo game portátil. Só aviso para você levar um estoque de pilhas, porque nada elétrico funciona em Hogwarts.

- Sem eletricidade? – o garoto balbuciou, surpreso – Não mencionaram isso nos papéis de matrícula. Como é que vocês conseguem sobreviver lá?

A ruivinha deu ombros.

- Com o tempo você até esquece do que é uma televisão.

- Eu não sabia o que era uma televisão até pouco tempo atrás, e sobrevivi – completou Adhara.

- Bem – disse Meridiana, guardando o estojo dentro da mala e cerrando a mesma – se você não se importar de duas garotas bisbilhotando as suas coisas, podemos ir ao seu quarto e ver o que seria interessante levar.

- Eu estou acostumado com garotas bisbilhoteiras desde que eu nasci – ele respondeu, sorrindo amplamente – portanto, ficaria muito grato pela ajuda de vocês.

Desse modo, os três seguiram para o quarto que o rapaz ocupava.


Nota Com a palavra, a Sel: "A Mari falou de casar ser clichê, mas cara: é a guerra! Acho que, no desespero, é bem possível...é bem...plausível o povo querer um 'para sempre' em meio a tanta... falta de certeza e iminência de morte."

Comentário da Meri: A culpa é toda da Meyer, o povo está todo viciado em Eddie e Bella e cenas românticas e, inspirados por um vampiro cuja "única coisa que lhe resta é a virtude" (palavras dele, não minhas) estão querendo tudo "conforme manda o figurino". XD

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