Tuesday, December 09, 2008

Cousins - Parte 2


Kyle não havia trazido muita coisa da Grécia, contudo, depois que fora acolhido por Frida, e, especialmente depois que se reconciliara com a mãe, algumas coisas de necessidade básica – e outras nem tanto – foram adquiridas.

A ruiva observava com o canto dos olhos a interação de seus primos, pensando consigo o quão confortável a convivência entre eles se tornara, o quão rápido o laço entre eles fora criado. Era irônico que parte disso se devesse ao monstro de olhos verdes que afetara a vida daqueles três jovens.

Contudo, era aquele mesmo monstro que ameaçava destruir aquela harmonia. Meridiana não poderia permitir tal fato. Percebendo que aquela era a hora mais apropriada para discutir com os primos o que havia decidido, ela se pôs a falar, chamando a atenção dos outros dois.

- Eu preciso conversar uma coisa com vocês. Já falei com Lucien, e também com tia Frida, suponho, portanto, que o senhor Ivory também já saiba.

Adhara parou sua revista às gavetas da cômoda de Kyle quando notou o tom sério que a ruivinha empregava. Kyle, que estava ao lado da morena, lançou-lhe um olhar silencioso. O rapaz podia não ter uma convivência tão longa com Meri, mas julgava já conhecer a prima o suficiente para notar que havia alguma coisa errada com ela. Algum tipo de sombra que se escondia atrás daqueles olhos verdes. E, às vezes, o sorriso de Meri não parecia sincero.

A jovem Ivory assentiu minimamente ao olhar do primo, como se a confirmar para Kyle que estava pensando exatamente o mesmo que ele. Talvez Meridiana fosse finalmente lhes revelar o que tanto a incomodava.

Os dois se voltaram para Meri, que havia se sentado sobre a cama de solteiro, e eles imitaram o gesto da ruiva, cada um se acomodando em um dos lados da moça.

Silêncio preencheu o quarto por alguns instantes, até que Meri suspirou.

- A Hogwarts para qual estamos indo não é a Hogwarts que eu e Dhara conhecemos. É um lugar controlado pelos comensais e eu só posso supor como as coisas serão, e, minhas conclusões não são as melhores.

Meridiana prendeu a respiração momentaneamente, soltando novamente um ruidoso suspiro antes de prosseguir, fazendo com que Kyle e Adhara percebessem o quão difícil aquela conversa estava sendo para a ruiva.

- Além disso, ainda têm Ludovic – a moça completou, sentido o primo remexer, ainda que discretamente, ao seu lado.

A mera menção do nome de seu pai trazia um aperto na garganta do rapaz, e uma golfada de ansiedade parecia querer dominá-lo. Ele ainda não se sentia plenamente consciente do que exatamente sentia por aquele homem que ainda não conhecera. Aquele que tanto mal fez àqueles que lhe eram e se tornaram caros, mas também, aquele que fora responsável pelo seu nascimento.

- Eu fugi dele e não duvido que ele saiba que estou com vocês, pelo menos com Tia Frida. E eu sei que ele fará o possível e o impossível para que eu volte para ele... Ele não vai ter escrúpulos em destruir qualquer um que esteja próximo a mim para alcançar o que deseja ... – Meri fez uma pausa para evitar que o soluço que desejava surgir em sua garganta se manifestasse ao se lembrar de relance do pai – E eu só vejo uma solução para esse problema.

Adhara segurou uma das mãos de Meri e, com sua outra mão livre, apertou levemente o ombro da prima. Ainda não sabia exatamente o que fazer para proporcionar conforto a alguém, mas sabia, por instinto, que o contato físico com alguém familiar trazia tranqüilidade em meio a uma situação difícil.

- Você planeja desaparecer depois que completar dezessete anos? Fugir para algum lugar, para afastar Ludovic de nós? – perguntou a morena.

- Também... – Meridiana assentiu, olhando para a mão de Dhara pousada sobre a dela, sentindo-se não mais tranqüila, mas pelo menos um pouco menos sozinha. – Antes disso, eu preciso fazer outra coisa para protegê-los...

Kyle cerrou os punhos, levantando-se. A imagem da prima nos primeiros dias em que ela chegou à casa de Frida, a figura magra e abatida, o olhar triste que ocasionalmente ainda aparecia no rosto dela.

- Não é justo você querer colocar o mundo nas suas costas, Meri! A gente sabe se proteger tanto quanto você... Pelo menos eu acho. Você não tem que passar por tudo isso sozinha ou por causa da gente. Você tem que pensar em você também.

- Kyle – Adhara chamou o primo, de forma apaziguadora – eu concordo com você, mas agora não é a hora para isso. Por favor, sente-se. – ela então se virou para a ruiva – Meri, continue.

O rapaz fechou o cenho, mas não discutiu com a morena. Ele sentou-se no colchão com mais força do que o necessário, demonstrando que não estava contente com a situação, e fez o estrado da cama estralar.

Meri levou uma mão à têmpora massageando-a levemente. Aquela conversa estava sendo muito mais difícil do que a que tivera com Frida.

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