Saturday, August 02, 2008

Breaking Dawn - Final


Os dois homens entraram com cuidado no quarto do pequeno hospital de Wallsburg. Ambos usavam capotes escuros, e tinham semblantes sérios. Os cabelos escuros e olhos azuis podiam levar as pessoas a imaginarem certo parentesco entre eles, contudo, por apenas poucos segundos aquele equívoco se manteria. Havia diferenças notáveis entre eles.

O mais novo tinha os cabelos compridos presos em um rabo de cavalo, seus olhos eram azuis meia-noite. A expressão de seu rosto era rígida, parecendo ter sido esculpida em mármore.

Já o mais velho tinha os cabelos recém aparados, seus olhos eram azuis bastante claros, e um cavanhaque se destacava em seu rosto. Sua expressão era muito mais amena que a do outro homem, mas ainda assim determinada e concisa.

Contudo, apesar de não possuírem laços sanguíneos, inúmeras outras coisas acabaram por conecta-los. Ambos eram aurores e acabaram trabalhando ocasionalmente juntos, ambos possuíam posições semelhantes frente ao novo Ministério.

E ambos passaram os últimos dois meses a procura da garota que agora observavam na cama do hospital. Pelo bem daquela menina, mas também, pelo bem das pessoas que mais se importavam.

Alexis von Weizzelberg sabia que a felicidade de seu filho repousava naquela garota, por isso, estava grato por terem finalmente encontrado Meridiana. Ele aprendeu a apreciar a nora do mesmo modo que apreciava o filho ou a enteada. Portanto, ele também estava preocupado com as conseqüências que o cárcere poderia ter sobre a menina.

E a aparência dela não estava muito boa...Ela estava magra, muito mais magra do que ele se lembrava, e profundas e escuras olheiras podiam ser vistas sob os olhos, que, naquele instante, começavam a se abrir.

Quando Meridiana despertou completamente a primeira coisa que viu foi os dois aurores ao pé de sua cama. Seu sogro e seu padrinho. Era como uma miragem, quase impossível de acreditar.

Ela fitou os dois homens se esforçando para dar um sorriso, mas o que conseguiu foi um esboço pálido de uma ligeira curva nos lábios, que denotava tristeza e cansaço.

Kamus mantinha o rosto sério e aparentemente impassível, mas seus olhos revelavam algo mais. Revolta, indignação, e, até mesmo, um pouco de espanto.

Ele podia notar as marcas roxas no corpo da garota, assim como algumas marcas de agulha nos braços.

Ludovic era, sem dúvidas, um crápula doente ainda pior do que Kamus concebera. Ele esperava um maltrato desses com a Adhara, quando o comensal capturou sua filha, mas não com Meridiana, que o Ludo dizia amar tanto.

Ele não era inocente quanto à insanidade do primo. Imaginou que Ludovic lançasse alguns crucius na sobrinha ou algo do gênero. Mas espanca-la? Ele não esperava que o comensal se atrevesse a fazer coisas que deixassem marcas em Meridiana, afinal ele matou Elizabeth de modo rápido e limpo, com um Avada Kedrava.

O russo sentiu compaixão ao imaginar todo o inferno pelo qual a afilhada havia passado.

-Nós estivemos procurando você desde que sumiu – ele começou, quebrando o silêncio – e assim que soubemos onde você estava, viemos buscá-la. Estamos aqui para leva-la embora, de volta para casa. Você está segura agora.

Kamus colocou a mão no ombro de Meri, o gesto como uma confirmação de suas palavras. A ruiva fitou a mão do homem por alguns segundo, depois levantou o rosto, observando a expressão dele. Tudo aquilo fez com que ela não duvidasse por nenhum momento das palavras dele. Ela estava segura, finalmente, estava segura.

-Estamos muito aliviados em vê-la – Alexis tomou a palavra. – Tem alguém lá fora querendo entrar para te ver. Nós vamos deixa-los a sós enquanto providenciamos sua transferência para o St. Mungus.

Meridiana anuiu, incapaz de responder, tamanha era a emoção que dela se apoderava naquele instante.

Pouco depois que os dois homens saíram, a porta se abriu novamente. E ela soube que era ele, ela sentiu mesmo antes de vê-lo. O coração acelerou, e, Meridiana podia notar que lágrimas começavam a se formar no canto de seus olhos.

Ele estava um pouco diferente do que ela se lembrava, os cabelos estavam mais compridos, na altura do ombro, e ele parecia quase adulto no modo como se caminhava. Ele mudara como ela própria mudou durante o tempo que Ludovic roubara de ambos.
Ainda assim, ele era o seu Lucien.

A primeira coisa que ele percebeu quando a viu foi seu estado...a perda de peso, os cabelos longos que ela tanto amava reduzidos a quase nada, os hematomas, as feridas...

Lucien sentiu um ódio tão grande que não duvidava que seria capaz de matar Ludovic Black-Thorne com as mãos nuas caso o comensal estivesse ali na sua frente naquele momento.

O rapaz aproximou-se, sentando na beirada da cama, pousando as costas das mãos no rosto da moça. Foi então que ele viu: o brilho opaco nos orbes verdes de Meridiana, o que o deixou paradoxalmente preocupado e aliviado. Ludovic parecia ter alquebrado o espírito de Meridiana até quase destruí-la, mas ainda existia uma fagulha de determinação e força no fundo daqueles olhos.

Apesar de tudo, ela ainda era a sua Meri.

Ele inclinou-se, tomando os lábios dela com uma urgência avassaladora, como se precisasse constatar que ela era real, que não estava sonhando. A moça correspondeu com igual sentimento.

Quando eles se afastaram, permaneceram calados. Não havia o que dizer, nenhuma palavra seria capaz de traduzir exatamente o que sentiam ao estarem novamente na presença um do outro.

Meridiana segurou a camisa de Lucien, apertando o rosto contra o peito dele, deixando que as lágrimas que emergiram desde que ele entrou no recinto tomassem conta de todo o seu ser.

Lucien a envolveu em seus braços, abraçando-a com força, quase como se desejasse que seus corpos se fundissem em um só, e ele pudesse guarda-la dentro do seu peito e mantê-la protegida de todo o mal, para todo o sempre.

Contudo, ele sabia que aquilo era impossível. Mas, ele não iria pensar nas trevas que pareciam querer engalfinha-los a todo instante.

Não quando tinham novamente um ao outro para se completar.

Extra



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