Sisterhood
Desde que chegara ao St Mungus, Meridiana fora submetida a uma bateria de exames para determinarem o quadro de saúde dela. Com Ludovic fora do país, tanto Alexis quanto Kamus duvidavam que Meridiana corresse qualquer perigo imediato.
Enquanto o pai e Ivory resolviam as questões burocráticas da internação, Lucien permaneceu ao lado da namorada o máximo de tempo que pôde. Se ausentando apenas por alguns poucos minutos, quando o pai lhe chamou para conversar.
Foi quando Alexis dissera que Kamus já havia ido, com o intuito de avisar Adhara e Frida sobre o estado de Meri, e, que ele próprio iria para casa dentro em pouco, para fazer o mesmo em relação a Selune e Valentine. Ele imaginou que o filho preferiria passar a noite ali, com a namorada.
Nesse meio tempo em que se separou da ruiva, Lucien aproveitou o ensejo para avisar a todos os demais sobre o retorno de Meridiana.
Quando voltou para a sua ruivinha, ela havia finalizado o último exame. Assim, Lucien segurou uma das mãos de Meridiana, enquanto a enfermeira do St Mungus segurou a outra, encaminhando a moça para o quarto destinado a ela no hospital. Os dois também ajudaram Meri a subir na cama e se deitar. A enfermeira cobriu a garota com uma manta não muito pesada, e, depois de se despedir educadamente, afirmando que poderiam chama-la sempre que precisassem, saiu, deixando o casal à sós.
-Eu não quero dormir - Meridiana balbuciou, dando um suspiro, sem revelar por completo que temia acordar e descobrir-se ainda presa sob o poder de Ludovic, temendo que a liberdade dela fosse apenas um sonho.
-Mas precisa... - Lucien falou, aproximando-se as cama, enquanto passava as costas da mão no rosto de Meri - Se eu prometer segurar a sua mão e não soltar até você acordar de novo, você me promete que tenta dormir.
Meridiana deu um sorriso apagado, indicando a Lucien que apreciava a proposta dele.
O rapaz afastou-se momentaneamente da moça, com o intuito de arrastar a poltrona para o lado do leito de Meri. Contudo, antes de sentar-se, ele enfiou a mão no bolso, tirando de lá uma correntinha dourada, adornada com um pingente em forma de fada.
-Acho que isso também vai fazer você se sentir melhor.
Os olhos de Meridiana brilharam ao reconhecer o colar que herdara de sua mãe. Lucien inclinou-se, colocando a jóia no pescoço da namorada. mal ele terminou de cerrar o fecho, batidas foram ouvidas vindas da porta, antes de ela se entreabrir.
O jovem casal voltou sua atenção para a moça de cabelos desalinhadamente presos em um coque, camiseta larga e meio amarrotada em conjunto com uma calça jeans desbotada. Os olhos dela estavam arregalados e fixos na ruiva, como se não conseguisse acreditar no que via.
-Eu recebi o patrono de Lucien. Minha prima conseguiu que eu entrasse. - ela falou, tão rápido que os outros dois quase não conseguiram compreender.
Meridiana olhou de soslaio para o namorado, grata por ele ter avisado a todos, depois voltou a fitar novamente Raven, entendo o que a sonserina fizera para chegar ali tão rápido, para ter acesso ao quarto dela fora do horário de visitas. Uma das primas de Raven era curandeira no St. Mungus. Meri sorriu, feliz por rever a melhor amiga, sabendo que aquela seria a primeira de várias visitas que receberia nos próximos dias.
Os olhos dela começaram a marejar, e, ela mordeu os lábios, não queria chorar em um momento tão feliz.
Lucien olhou de uma moça para a outra, percebendo que deveria deixar as duas à sós. Aquele era um momento delas, não seria certo que ele permanecesse ali.
-Eu vou deixar as duas à vontade - ele disse, levantando-se da poltrona.
Antes de sair, depositou um delicado beijo na testa de Meri, e, lançou um olhar de conforto para Raven.
Durante algum tempo, a morena permaneceu parada, há poucos passos de distância da cama da amiga. Era como se qualquer movimento que fizesse, ela fosse quebrar um feitiço e a ruiva voltaria a desaparecer.
A passos lentos e tímidos, Raven se aproximou, estendendo o braço em direção a amiga. Seus dedos tocaram de leve no braço de Meri. A sonserina suspirou, aliviada, Meridiana ainda estava ali. Ela deixou os dedos envolverem o braço da amiga, levantando os olhos.
As duas se encararam, incapazes de pronunciar qualquer palavra. Permaneceram assim por muito tempo, apenas se olhando, pois sabiam que não havia necessidade de palavras naquele momento.Tudo o que sentiam era tão intenso - a preocupação, a saudade, a alegria - não caberiam em palavras...
Ao invés disso, elas se abraçaram, afastado a distância mínima que ainda as separava...o gesto significando um reencontro que demorou muito mais do que ambas desejavam.
Quando Lucien retornou ao quarto, esperando ter dado o tempo necessário para que as duas matassem, ao menos, as primeiras saudades, o que viu, fez seu coração se aquecer. Como duas irmãs, Meridiana e Raven dormiam, de mãos dadas, na cama do hospital.
O rapaz se aproximou, passando de leve a mão no cabelo da namorada, Sentou-se na poltrona, próxima a ela, pegando a mão livre de Meridiana e envolvendo na sua. Cumpriria a promessa de estar ao lado dela quando a ruivinha acordasse. Não a deixaria sozinha.
E, estava feliz, por saber que ele não era o único que sempre estaria ao lado de Meridiana.
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