Revelações - Parte 1
- Pegou tudo o que precisava?
Adhara assentiu à pergunta de Mira, enquanto ajudava o avô a empurrar seu malão para dentro da lareira da sala de estar dos Timms. Naquela manhã estaria deixando Edimburgo rumo à Londres através da rede de Flu.
Ela então aprumou-se, observando sua bagagem desaparecer entre as chamas mágicas antes de virar-se para os olhos verdes e apreensivos de Mira Timms.
Era palpável a preocupação da mulher ao ver a única neta regressando para o turbilhão caótico que se transformara a capital da Inglaterra desde a recente morte de Rufus Scrimgeour e Mira tinha que admitir que adoraria mais do que qualquer outra coisa acorrentar Adhara ao pé de alguma cama para impedi-la de ir embora. Ao menos ali na Escócia o Conselho que exercia o governo não permitiria ofensas contra nascidos-trouxas e mestiços e se a garota não quisesse retornar para Hogwarts em setembro, ali seria mais fácil escondê-la até que outubro chegasse e Adhara completasse a maioridade.
Mas a jovem Ivory já sabia de tudo isso, tendo protagonizado essa conversa ainda na noite anterior. Porém mesmo ciente dos riscos não hesitara ao receber o Patrono de Kamus, não perdendo qualquer tempo em arrumar suas coisas para voltar à Londres tão logo amanhecesse.
Meridiana havia sido encontrada. Viva. E estaria chegando à capital inglesa ainda naquele dia...
- Cuide-se, está bem? – disse Christopher, apoiando uma das mãos sobre o ombro da neta e fitando-a com seus olhos bondosos.
- Eu vou. – respondeu a garota, virando-se para dar um breve abraço no homem – Obrigada por ter me ensinado a jogar críquete.
O homem apenas riu e separou-se dela.
- Não sou um especialista, mas fiz o meu melhor. – ele retorquiu, com uma ligeira piscadela para a garota.
Adhara assentiu e soltou-se dele antes de voltar-se para Mira.
- Obrigada por me receber. – ela disse, fazendo uma pequena mesura.
Mira aproximou-se da jovem com passos ligeiros e não perdeu tempo em puxá-la de encontro ao seu peito.
- Você será sempre bem-vinda nesta casa... Adhara Katrine.
A sonserina sorriu levemente, apreciando em segredo a sensação de ter os braços da avó circundando-a com tanto carinho. E pela primeira vez o abraço de Mira não parecia imposto e sufocante... Era simplesmente terno, como ela supunha que qualquer abraço de mãe seria.
Após alguns segundos ela soltou-se da avó e agradeceu a ambos mais uma vez pelo período que a hospedaram antes de entrar na lareira. Com um último aceno, ela jogou o pó de flu aos seus pés e foi consumida pelas chamas verde-esmeralda.
A polonesa observava o rapaz retirar as malas da lareira, para, pouco depois, a figura de Adhara Ivory se revelar em meio às chamas. Ela sorriu discretamente ao perceber que a aparência da moça estava muito melhor que da última vez que a vira no casarão dos Ivory. Uma temporada com os avós maternos parecia ter feito bem a filha de Kamus.
- Bem vinda, Adhara – ela disse, cumprimentando a jovem.
A garota deixou a lareira espanando a leve fuligem que aprecia ter grudado em sua blusa seus olhos escanearam todo o ambiente de imediato, como era seu costume sempre que se encontrava em um local desconhecido. A sala do apartamento de Frida Black-Thorne era bastante espaçosa e decorada com bom gosto. Também não pôde deixar de registrar a figura do garoto que amontoava sua bagagem em um canto. Ele estava de costas, assim não podia ver seu rosto, mas não se lembrava de nada sobre o pai ter dito que teria alguma companhia além da polonesa...
- Obrigada. – respondeu, permanecendo parada em frente à lareira.
Assim que o rapaz se virou, focalizando seus olhos verdes na moça parada próxima à lareira, Frida percebeu que era o momento de fazer as devidas apresentações.
- Adhara, este é Kyle O’Neil. Ele está passando uma temporada em Londres e está hospedado aqui.
Adhara o encarou atentamente. Ele era muito jovem, parecia até mais jovem do que ela, com certeza ainda era menor de idade. E para estar no apartamento de Frida, um local protegido pelo Feitiço Fidelius e, mais ainda, para que Kamus, o fiel de segredo, revelasse a localização do apartamento para o garoto... Aquele Kyle deveria ser um rapazinho deveras importante.
Assim, ela estendeu a mão para ele.
- Sou Adhara Ivory.
- Muito prazer – ele respondeu, apertando a mão da jovem, e percebendo, pelo cumprimento firme dela, que a garota deveria ser muito mais do que a aparência pequena e frágil dela denotava.
- Kyle? – Frida chamou a atenção para si tão logo os jovens soltaram as mãos – Se quiser se retirar para seu quarto ou fazer qualquer outra coisa que deseje, não se prenda à nós. Eu vou ajudar Adhara a guardar as coisas dela no quarto e também coloca-la a par dos últimos acontecimentos.
Ele assentiu.
- Tudo bem, Sra. Black-Thorne, eu vou preparar um lanche para mim, e aproveito para deixar um pouco de chá pronto para vocês. – meando a cabeça em direção de Adhara, completou – Acho que vamos ter outras oportunidades de conversarmos, Ivory.
A jovem anuiu.
- Espero que sim. – ela respondeu, antes de seguir Frida pelo corredor.
continua...
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