Thursday, August 07, 2008

Revelações - Parte 2


A polonesa caminhava à frente, locomovendo as bagagens magicamente com a ajuda da varinha. O quarto onde entraram era bem iluminado e as paredes eram brancas e nuas. Havia apenas uma cama de madeira clara, uma escrivaninha vazia, um pufe e um guarda-roupa de quatro portas no mesmo tom da cama.

A ausência de qualquer quadro, livro, porta-retrato ou demais objetos pessoais denotavam que o quarto estava desocupado.

Frida pousou a bagagem aos pés da cama, de forma que não atrapalhasse a locomoção pelo quarto, antes de virar-se para a garota.

- Eu montei este quarto para Meridiana mesmo antes de Nick ter morrido. Imaginei que talvez ela poderia querer me visitar ocasionalmente ou até mesmo trazer uma amiga. – ela disse, revelando parcialmente uma cama mais baixa, que se escondia sob a outra – Kyle está no quarto de hóspedes. Acho que vocês duas vão ficar bem acomodadas aqui, e, acredito que queira ficar perto de sua prima.

Adhara concordou, já tendo deduzido parcialmente que Meridiana iria ficar hospedada ali. Era apenas a coisa mais lógica a fazer, afinal a ruiva não poderia voltar para a casa dos Johnson, já que aquele se provara um lugar vulnerável. Com Kamus Ivory como o fiel de segredo, Adhara duvidava que qualquer Comensal pudesse entrar ali... Seu pai provavelmente preferiria morrer a ser capturado.

Mas... Para que eles tivessem se dado ao trabalho de executar um Fidelius para ocultar o apartamento... E para seu pai envolver-se de tal forma a ser o voluntário para guardar o segredo... Deveria haver algo bem grande que Kamus queria manter de fora. Ou ainda, algo realmente precioso que deveria ser mantido lá dentro.

Ela ergueu o rosto para fitar a polonesa, que naquele momento se ocupava em abrir o guarda-roupa, como se quisesse avaliar a mulher.

- Acho que você poderia ficar com essas duas portas, Adhara. Trouxe muita coisa contigo? – perguntou Frida.

- Não. Eu não levei muito para Edimburgo, o que deve fazer mais volume são os casacos, mas podemos mandar esses de volta para a minha casa já que aqui não faz tanto frio.

Frida assentiu, ajudando a moça a colocar as roupas nas gavetas e nos cabides. Depois que tudo estava devidamente organizado, e de a mulher ter cerrado a porta, ela indicou a cama de Meridiana para que Adhara se sentasse, enquanto ela própria se acomodava na cadeira da escrivaninha.

- Eu não sei o quanto você sabe sobre as mudanças que ocorreram no Ministério nos últimos dias, considerando que elas parecem repercutir de forma mais lenta na Escócia. – começou a polonesa – Mas a morte do ministro não foi exatamente o que os jornais noticiaram. Rufus Scrimgeour foi torturado para revelar segredos ministeriais ao Lord das Trevas e assassinado quando recusou-se a fazê-lo. E o novo ministro... – Frida suspirou discretamente – Digamos que nossas fontes possuem fortes indícios de que Thicknesse está sob a maldição Imperio.

- Em outras palavras... – Adhara interrompeu-a educadamente – Eles estão governando agora, não é?

A loira assentiu.

- Seu pai está em uma situação bastante difícil no momento, Adhara. – ela encarou a moça, deixando transparecer no rosto, parte da imensa preocupação que a consumia, o que não passou despercebido pela jovem – As leis estão mudando no momento em que conversamos. Não acreditamos que os Comensais da Morte continuarão sendo criminosos por muito tempo, na verdade já há notícias de alguns deles entrando e saindo do ministério como se lá trabalhassem... E seu pai matou gente demais do lado deles na última vez...

A sonserina abaixou seu rosto, reconhecendo a gravidade da situação. Se as coisas já eram difíceis antes, quando tinham a lei e as autoridades ao lado deles naquela guerra, agora então tudo seria infinitamente pior. As pessoas que estavam tentando fazer o correto seriam aquelas caçadas como criminosos.

E o que fariam a respeito de Ludovic Black-Thorne?

Adhara duvidava que seu pai fosse desistir de perseguir o Comensal, mesmo que tivesse que infringir uma centena de leis ministeriais no processo. Pessoalmente, ela desejava que Kamus continuasse caçando Black-Thorne e desse ao cretino o que ele merecia... Mas e se o ministério, com essa nova política, resolvesse fazer de Kamus um criminoso? E se o mandassem para Azkaban ou emitissem uma ordem de execução contra ele? Ela não queria ter que pensar nisso... Mas também não queria ver seu pai obrigado a abaixar a cabeça e desistir de tudo o que acreditava. Não queria que ele voltasse a ser o homem que fazia apologia à atrocidades para que pudesse sobreviver.

A garota levantou o seu rosto, pronta para perguntar à Frida se haviam pessoas no ministério que não concordavam com essas mudanças, mas encontrou a face da polonesa anormalmente pálida e algumas gotas de suor escorriam pela testa da mulher.

continua...

NOTA: A partir de agora, teremos sempre postagens aos sábados também.

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