Tuesday, July 29, 2008

Breaking Dawn - Parte 2


Meridiana piscou os olhos, sentando-se ereta na cama. Nunca antes vira a mulher retratada naquela imagem, mas, o par de olhos ambarinos que a outra lhe dirigia denotavam um reconhecimento inexplicável para a moça.

-Creio que me confundi com a contagem do tempo – a mulher da pintura continuou – imaginei que estaria bem mais velha, Elizabeth, especialmente considerando a aparência do seu irmão a última vez que eu o vi.

A jovem bruxa abaixou o rosto fitando as mãos que pousavam no colo, compreendendo, finalmente, que a outra mulher não a conhecia, apenas estava confundindo Meridiana com sua falecida mãe.

-Eu não sou quem você está pensando. Sou a filha dela... – ela disse, levantando o rosto para fitar o quadro.

A expressão da mulher refletiu um ligeiro e curioso espanto, mas, foi uma reação rápida, no instante seguinte, ela voltou à mesma serenidade com que observava Meri desde o começo da conversa.

-Parece que não me enganei em relação ao passar do tempo, afinal – ela disse, e, dando um ligeiro sorriso, perguntou – Como você se chama, pequena?

-Meridiana Astreia Black-Thorne Jonhson – a moça disse sentindo-se inexplicavelmente compelida a revelar seu nome completo.

O sorriso da senhora do quadro ampliou-se, parte de si sentindo-se orgulhosa ao descobrir que Elizabeth nomeara a filha em homenagem a ela.

-Jonhson? – ela perguntou – Não me lembro de nenhuma família tradicional bruxa que tenha este nome.

-Meu pai era trouxa – Meridiana respondeu, sentindo um nó se formar na garganta. Era a primeira vez que mencionava o pai desde o dia do seqüestro.

Ela virou o rosto, sentindo lágrimas se formarem no canto dos olhos, mordendo os lábios com força para conte-las. Tal gesto não passou despercebido à mulher da pintura.

-Não digo que aprovo tal tipo de união – ela disse, ainda observando as reações da moça, ao mesmo tempo em que começava a intuir o que deveria ter acontecido. – Mas se Elizabeth está feliz com o enlace, eu fico feliz por ela.

-Ela foi feliz... – Meridiana murmurou, ainda sem fitar o quadro – Os dois foram felizes para sempre enquanto estiveram juntos. Meu pai...ele...costumava dizer isso...

-Eles estão mortos, não estão? – a mulher perguntou com a voz mais serena e delicada que conseguiu proferir.

Meridiana apenas anuiu. Somente depois de alguns minutos de completo silêncio ela conseguiu reunir forças para voltar a encarar o quadro.

-Ludovic os matou. Minha mãe quando eu era um bebê...meu pai pouco tempo atrás, pouco antes de Ludovic me prender aqui....

A feiticeira mais velha assentiu, aquilo fazia sentido. Sempre soube que havia algo errado com o sobrinho, sempre sentiu uma crueldade quase palpável emanar dele, mesmo ainda criança.

Ela ainda se lembrava da expressão desvairada que ele possuía na noite em que retornou, queimando todos os quadros da casa, enquanto ria loucamente... Ela escapara por pura sorte... Não fosse a moldura que havia no santuário particular que ela fizera para si em vida, ela teria perecido como os demais.

A feiticeira fitou com tristeza a filha de Elizabeth. Ela poderia ser apenas um reflexo da pessoa que ela representava. Alguém que já havia deixado aquele mundo muito anos atrás. Contudo, o apreço dela em relação à sobrinha estava impresso em cada pincelada que tornaram aquela imagem viva. Saber do destino final de Betsy lhe era doloroso.

-Eu sou Aribeth Meridian Thorne, a última matriarca da família – ela disse, sem esconder o orgulho em suas palavras – Sou tia avó de Elizabeth – com uma voz mais doce, ela completou. – Meridiana como você e Betsy como sua mãe um dia foi.

Daquela vez, foi Meridiana quem se espantou com o que ouvira.O pai mencionara a tia-avó da mãe certa vez, quando a ruivinha ainda era criança e perguntara sobre a origem de seu nome.

-Você não sabe onde está, sabe? – Aribeth perguntou.

A moça meneou em negativa.

-Esta é a câmara secreta do Palacete dos Thorne, apenas quem possui o sangue da família consegue abrir caminho para aqui. – a mulher fez uma pausa antes de continuar – Eu vou te devolver a liberdade, pequena, basta que faça exatamente o que eu disser.

Meridiana assentiu, incapaz de dizer qualquer coisa. Era a primeira vez em muito tempo que sentia a esperança voltar. Seu coração batia tão rápido que parecia reverberar por todo o seu corpo.

-Vá até a parede de pedra, naquele exato ponto onde uma pequenina pedra se sobressai na superfície lisa. – a mulher comandou. – depois pressione sua mão contra a pedra.

Imediatamente Meridiana reconheceu o lugar como o ponto de acesso à câmara usado pelo tio. Ela pousou a mão no lugar indicado, sentindo uma pontada fina, mas não muito profunda na palma de sua mão, o suficiente para arrancar parcas gotas de sangue.

-Agora repita: Cómhla

Após repetir a palavra de Aribeth, para a surpresa de Meri, a parede de pedra se dissolveu exatamente como fazia com seu tio, abrindo-lhe uma passagem. Ela olhou, hesitante, para a saída. Passara tanto tempo presa que lhe era custoso acreditar que estava a alguns passos de deixar aquele pesadelo para trás.

- No portão de entrada da casa, tem uma estrada coberta de pedras que leva até a Muralha de Adriano, chegando lá, você verá uma placa apontando para um povoado próximo. – Aribeth disse – Vá, menina, vá embora depressa.

Meridiana assentiu, e dando uma última olhada para o quadro da tia-bisavó, respondeu.

-Eu vou voltar para te tirar daqui.

A mulher no quadro meneou a cabeça.

-Você não precisa se preocupar comigo. A pessoa que eu era já está morta...Não tem por que se arriscar por uma mera sombra dela.

-Mesmo assim eu vou voltar – a ruiva disse com determinação.

Aribeth sorriu ao constatar que definitivamente aquela era a filha de sua adorada Elizabeth. Meridiana era forte, como eram todas as mulheres da família que a precederam.

- Go gcumhdai is dtreorai na dáithe thú – a feiticeira mais velha disse, enquanto via a menina sair a passos apressados pela passagem.

continua...

Glossário Celta :
* cómhla – portal
* Go gcumhdai is dtreorai na dáithe thú - “Que os Deuses o guardem e guiem”


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