It's the end of world as we knew it - Final
Caminhando com o braço passado por sobre os ombros de Raven, Luke tentava absorver a informação que a moça lhe dera. Como assim, Dumbledore morto? Parecia mentira, uma mentira muito mal contada; se existia alguém que, àquela altura dos acontecimentos, não podia morrer era justamente o Diretor de Hogwarts!
- Como foi que aconteceu, Rav? Você e Meridiana viram... alguma coisa? – ele perguntou, entristecido.
- Não, ruivo, não vimos nada... – murmurou Raven, enxugando os olhos – Foi Meri quem primeiro viu a Marca Negra pairando sobre a Torre de Astronomia... depois nós seguimos naquela direção e... ele estava lá... caído...
A voz de Raven sumiu; ela soluçou, depois se forçou a prosseguir:
- Ele parece ter tomado um Avada lá no alto da Torre, por causa da... da posição estranha de seu corpo no gramado... Parece um pesadelo, Luke, aquele homem morto... Tão inteligente, tão brilhante, tão poderoso... Caído ali, desamparado, como um boneco de pano... Não dá para entender...
Luke anuiu, um tanto surpreso com o carinho e a admiração que Raven demonstrava por Dumbledore. Acostumado como estava em ouvi-la falar e exaltar apenas Severus Snape, parecia ao ruivo que o Diretor de Hogwarts não merecia tanta consideração da jovem sonserina. Era estranho, mas Luke sentiu-se inexplicavelmente satisfeito com aquilo.
- Como será que ficarão as coisas, agora? – ele perguntou.
- Bem, ruivo, acho que a Profa. McGonagall deve assumir a direção da Escola... Mas temos que lembrar do Ministério; talvez eles interfiram em Hogwarts, você sabe que os invejosos de lá não topavam o Professor Dunbledore... E ainda há que perguntar se teremos Hogwarts ano que vem...
Um silêncio pesado se estabeleceu entre eles.
- Estou me sentindo tão órfã, Luke... – disse Raven, quebrando repentinamente o silêncio – Mais uma vez, essa sensação horrível... Não importa quantas vezes eu tenha que passar por ela, é sempre do mesmo jeito, sempre a mesma dor... E a impotência...
Luke não sabia o que dizer, e sua intuição sugeriu que ele mantivesse silêncio. A jovem voltara a chorar, e o ruivo a abraçou apertado, lembrando-se de certa vez, tempos atrás, em que a encontrara chorando escondida perto do velho chafariz e fizera exatamente a mesma coisa. Pareceu-lhe injusto que tudo o que o destino lhe permitia partilhar com Raven eram seus momentos tristes.
- Rav, vamos à enfermaria – murmurou ele, depois que a sonserina se acalmou um pouco – Deixe que Madame Pomfrey a veja, ela pode ter alguma coisa para você tomar...
- Não, não, ruivo, não quero tomar nada não – disse Raven, soltando-se dos braços de Luke e enxugando os olhos na manga da veste – Vamos para o QG, era para onde eu e Meri íamos quando... quando tudo aconteceu. É o melhor a fazer, pode ser que o pessoal já tenha aparecido, ou pelo menos alguma notícia... O que você acha?
- É uma boa idéia; vamos, então – concordou o ruivo, e seguiram, cabisbaixos, pelo corredor.
Sentado na sala da diretoria, Lucien observava a namorada pelo canto do olho. Ele podia perceber que ela estava preocupa e tensa, mais do que deixava transparecer.
Desde que a conhecera, o rapaz já registrara alguns pequenos gestos da ruiva que refletiam seu estado de espírito. Depois que começaram a namorar, os significados desses gestos se tornaram mais acurados para Lucien.
Meridiana tinha a mania de girar os olhos quando não concordava com algo, mas não havia como argumentar. Ela também costumava morder os lábios quando estava indecisa, enrodiscar os cachos nos dedos quando estava refletindo sobre algo que lhe interessava ou agradava, e, se comia algo que gostasse, cantarolava baixinho entre uma mordida e outra...
Exatamente por isso, o austríaco sabia que aquele gesto específico significava uma mistura de medo e apreensão mesclados a um desejo de se controlar e enfrentar a realidade. Era como se, com aquele ato, ela buscasse por forças e por conforto que estavam, talvez, além do que qualquer pessoa poderia proporcionar. Mesmo ele.
Meridiana apertava com uma das mãos o pingente dourado em forma de fada que um dia pertencera a Elizabeth Johnson.
O rapaz voltou sua completa atenção novamente para a atual diretora, que continuava a falar.
-Eu sei que não é justo pedir a vocês paciência, mas, dados os últimos... – a voz de Minerva tremeu sutilmente antes que ela prosseguisse.
Embora os dois jovens não houvessem percebido, a professora notou sua breve hesitação, pensando consigo o quão difícil estava sendo para ela se controlar.
-Acontecimentos, existem assuntos em demasia a serem definidos, e, parte dos esforços para encontrar seus amigos precisarão ser usados para resolve-los. Contudo, garanto a vocês que tudo que puder ser feito por eles nesse entremeio, eu farei.
McGonnagal fez uma nova pausa fitando quase maternalmente, apesar da expressão austera, os dois jovens. Se fosse por escolha dela, Minerva optaria por não pronunciar a próxima frase, contudo, ela sabia que nenhum deles poderia fugir da realidade cruel que os cercava naquele momento.
-Eu não gostaria de dizer isso, mas, pelas circunstâncias, talvez devêssemos esperar pelo pior.
Pior... A palavra ecoou na mente de Meridiana abafando todos os outros pensamentos. Quando deu por si, já estava fora da sala de Dumbledore, sendo guiada por Lucien, que a levava pela mão.
-Espera... – ela murmurou, com uma urgência avassaladora –Espera....
Lucien virou-se percebendo que a palidez da namorada, como se cada gota mínima de sangue que existia antes no rosto da moça houvesse sido abruptamente arrebatada. Ele ficou assustado com aquela imagem, e mais assustado ainda, ao ver Meridiana encostar-se na parede e deixar-se escorregar até o chão.
-Meri? – ele perguntou, abaixando-se ao lado dela – Está sentindo alguma coisa?
Ela meneou a cabeça. Não estava sentindo algo verdadeiramente grave, apenas a sensação de que suas pernas não mais lhe obedeciam e que precisava parar, depois de tudo, ela simplesmente precisava parar.
Era uma sensação opressora que parecia querer engalfinha-la por completo. Era diferente do que sentiu na noite em que confrontara o tio, pois, naquela ocasião, mesmo depois de tudo, havia ainda uma faísca de raiva a impulsiona-la.
Agora, o que ela percebia era frustração, desalento e desespero.
Lágrimas grossas desceram pelo rosto dela até se transformarem em um choro quase compulsivo. Ela sentiu Lucien puxa-la carinhosamente, até a cabeça dela se acomodasse no ombro dele.
Depois de alguns minutos, ela se acalmou minimamente, se afastando dos braços do namorado, levantando-se. O austríaco fez o mesmo.
Meridiana enxugou os olhos com as costas das mãos, notando que os olhos bicolores de Lucien também estavam ligeiramente vermelhos.
-Eu não queria que os outros me vissem chorando – ela disse.
-Eu sei... – Lucien murmurou, segurando novamente a mão de Meridiana.
Ela não perguntou para onde ele a estava levando, pois, sabia que só havia um único lugar em que quase todos os seus amigos deveriam estar.
Assim que atravessou a tapeçaria de sir Ulrich, Meri percebeu que os sofás, os pufes e algumas cadeiras haviam sido transfigurados em camas.
Satanio e Yvaine estavam deitados em uma delas, abraçados, mas completamente despertos. Já Raven parecia ter se deixado tomar pelo cansaço, e, de olhos fechados, chorava baixinho no colo de Luke, que, por sua vez, deixava seus longos dedos deslizarem delicadamente pelos fios cor de azeviche do cabelo da sonserina. Samantha inclinava-se sobre uma das camas, cobrindo Heather e Felicity com uma manta.
E havia Adhara...
Meridiana sentiu-se surpresa em vê-la ali, mas, especialmente aliviada, pois, além da preocupação com os desaparecidos, temia que algo pudesse ter ocorrido com a prima, que houvessem descoberto a posição da moça como espiã do Olho do Grifo.
Ela tentou sorrir para a morena, mas não conseguiu, apenas deixou que seus olhos esmeraldinos se encontrassem com as orbes azul meia-noite de Adhara, encontrando também ali uma mistura de alívio e tristeza.
Novamente Meridiana sentiu os dedos de Lucien entrelaçarem-se aos seus, e, ela voltou-se para ele, apertando de leve a mão dele em um gesto de cumplicidade e compreensão.
O silêncio parecia preencher todo o espaço que havia disponível no QG, mal se escutava a respiração dos estudantes. Não havia nada que nenhum deles pudesse dizer. A única certeza que tinham era que passariam a noite ali, com a esperança de que a presença uns dos outros trouxesse um pouco de conforto.
por todos acima
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