Os Primeiros Dias do Resto de Suas Vidas- Parte 1
Os olhos cinzentos das lufana se perdiam no buraco que ficava no teto do QG, o mesmo pelo qual ela e as demais mafiosas deslizaram na primeira vez que encontraram aquele lugar.
O pula-pula que amenizou a queda delas naquele dia havia sido transformado na cama que Heather e Felicity agora dividiam, encostada na parede, estando ao lado da cama de Samantha, outrora ocupada por Lusmore Mahla quando este tornara o QG seu lar em Hogwarts.
Era exatamente para o bardo que os pensamentos de Sam se dirigiam no momento. Ela se perguntava se ele havia recebido a carta que ela enviara. Se ele estivessem ali, talvez já tivessem encontrado Mina, Isaac, Herman e Lorelai.
Lusmore professava uma magia diferente da deles, não necessariamente melhor, uma que a moça não compreendia completamente. E Sam tinha certeza de que aquela diferença era o que precisavam para encontrar os amigos desaparecidos.
Nenhum deles conseguiu achá-los. Nem eles, nem os professores. E não por falta de tentativa.
Definitivamente parecia a Sam que apenas um outro tipo de magia seria capaz de ajuda-los agora... Como a de Lusmore...ou como...
Blair levantou de estanque na cama ao perceber a idéia cruzar pela mente como um
raio. Ela precisava acordar os amigos...Enquanto um deles comunicava à professora McGonnagal a idéia que a lufana tivera, os demais iriam com ela até à cozinha.
Se uma magia diferente era o que necessitavam, existia alguém que poderia auxiliados. Na realidade, mais de um...capazes até mesmo de aparatar dentro de Hogwarts.
Os elfos domésticos!
Havia um gosto metálico em seus lábios, misturado à bílis. A nuca estava dando pontadas já há algum tempo e, de vez em quando, ela tinha a impressão de que as vistas turvavam-se, em um novelinho de cores escuras, mil e uma matizes de negro.
Ao lado dela, Isaac não estava em melhores condições. O rapaz já afrouxara a gravata e o colarinho. Um suor frio e pegajoso brilhava em sua testa e em seu pescoço. A cabeça latejava no ponto em que batera contra a parede, quando fora desarmado.
Há quanto tempo estavam presos naquele calabouço? Todos os sinais de exaustão e de fadiga estavam presentes. O ar viciado só os deixava ainda piores. E o mesmo se dava com o outro casal, sentado não muito longe deles.
Os soluços de Lore tinham cessado, mas Herman não tinha muita certeza se o mutismo da namorada significava qualquer melhora. Sua garganta estava seca, queimava como se estivesse em carne viva. Tudo o que ele podia fazer naquele momento era abraçar Lorelai, focando toda sua atenção sobre a garota para não perceber o quão desesperadora era a situação deles.
E foi nesse instante que eles ouviram um suave estalido no fundo do cômodo, em meio à escuridão, logo seguido por mais outros dois.
- Eles estão aqui! – uma voz fina exclamou – Estão aqui! Rápido, avise senhorita Blair, avise aos jovens senhores! Estão sob o alçapão!
Herman viu adiantar-se na direção dele um elfo doméstico pequeno e encurvado, que o encarava com grande preocupação. Por um instante, o mensageiro sentiu vontade de rir. Por onde estaria a Granger com seus distintivos do F.A.L.E.? Ele se alistaria na campanha naquele exato instante.
- O jovem senhor está bem? A senhorita também? Não se preocupem, o socorro está chegando. Vamos tirar vocês daqui, vamos sim.
- Obrigado. – o rapaz respondeu com a voz rouca – Eu...
Uma luz quase cegante irrompeu de algum ponto acima deles. Mina levantou-se, cambaleante, ajudada pelo outro elfo, enquanto Isaac se erguia apoiando-se na parede, tendo recusado ajuda antes.
- Encontramos eles! Eles estão aqui!
Mina sorriu, reconhecendo a voz de Sam. A grifinória foi a primeira a avançar para a escadaria, encarando o rosto da lufana com apreensão.
- Sam, as meninas... Heather e Felicity, elas...
- Estão bem. – Sam respondeu, puxando a amiga para fora e abraçando-a apertado – Elas estão bem, vocês estão bem... Vai ficar tudo bem agora.
A voz da amiga estava embargada e, próxima daquela maneira, Mina podia perceber que Sam também tremia de leve. Logo atrás da lufana, estavam Meri, Raven, Adhara e todos os outros amigos. Lucien, Luke e Sat se adiantaram quando Isaac e Herman emergiram do alçapão, o último guiando Lorelai.
- É melhor levarmos eles para a enfermaria. – Meri observou, aproximando-se quando Sam soltou Mina e avançou na direção de Lore – Vocês estão sumidos desde o almoço de ontem. Precisam descansar.
Mina deu um sorriso de leve, percebendo as olheiras sob os orbes esmeraldinos da amiga. Aparentemente, todos ali precisavam descansar. Mas havia coisas que tinham de ser feitas antes.
- Eu preciso ver o professor Dumbledore. – ela pediu, a voz firme apesar da tontura que sentia – Eu recebi...
Ela se interrompeu ao perceber Meridiana desviar os olhos, cheios de pesar e cansaço. Encarando os outros amigos, viu a mesma reação: todos tinham abaixado a cabeça. Exceto por Adhara.
E foi Adhara quem lhe revelou o que estava acontecendo afinal.
- Dumbledore está morto. - disse a sonserina, com uma voz ponderada mas que não falhava em esconder uma pontada de pesar.
E tudo então mergulhou em trevas.
por todos acima
Nota: Se alguém estiver muito curioso, no capítulo 7E de Hopelessly Addicted, publicado hoje em Amaterasu, tem um spoiler bombástico sobre o fim do sexto ano do Expresso Hogwarts.
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