Wednesday, January 23, 2008

It's the end of world as we knew it - Parte 4


Meridiana podia sentir os músculos em volta do pescoço completamente retesados, sua traquéia se comprimia, roubando-lhe um pouco do ar, e as juntas do corpo também doíam. Ela sabia que tudo o que sentia era reflexo do pânico que parecia irradiar de seu estômago até as partes mais distantes de seu corpo.
Entretanto, a ruiva tentava não demonstrar o temor que sentia pelo bem-estar dos amigos. Não era porque queria poupar a melhor amiga, Raven Sinclair, que caminhava ao seu lado tão nervosa quanto a grifinória.

A moça de cabelos rubros tentava se conter por saber que se deixasse a emoção dominá-la, seria incapaz de ajudar os amigos. Precisava ser prática e útil, fazer o que fosse possível para salvá-los.

Ela e a sonserina já haviam percorrido praticamente todo o perímetro do castelo que lhes fora designado e não encontraram sinal algum de Herman, Lore, Isaac, Mina ou mesmo de Melinda Dashwood.

- Já são quantas horas? – Meri virou-se para a Raven, em tom neutro.

A outra moça puxou a manga da capa para confirmar o horário no relógio de pulso que usava.

- Já são quase onze e meia da noite.

- Temos que voltar para o QG, já estamos atrasadas para encontrarmos os outros. Talvez eles tenham tido mais sucesso.

As duas começaram a caminhar pelo corredor a fim de refazer o caminho de volta ao QG, quando escutaram passos ecoando na frente delas. Estavam longe demais da curva que poderia levá-las ao corredor anterior.

Meridiana passou a mão de leve sobre o pingente em forma de fada que herdara de sua mãe e passou a usar como condutor mágico depois das aulas com Lusmore. Entretanto, ela tinha consciência de que não sabia o suficiente de Antiga Magia para usar em uma situação tão perigosa.

Precisava confiar que sua varinha seria o suficiente para protegê-la. Depois de uma troca rápida de olhar com Raven, ela tirou a varinha das vestes. A sonserina fez o mesmo movimento quase simultaneamente.

Tomada pela surpresa, Meridiana levou ainda alguns segundos para baixar a guarda ao reconhecer a pessoa que se aproximava. Os cabelos grisalhos dele estavam desalinhados, ele parecia mais magro, as roupas mais surradas e o semblante mais triste e cansado.

- Professor Lupin! – Raven murmurou, surpresa, antes que Meridiana o fizesse.

- Faz um bom tempo que não nos encontramos – o homem as cumprimentou com um aceno de cabeça - Vocês duas não deveriam estar nas suas salas comunais? Se eu ainda me lembro bem, o toque de recolher foi há uma hora atrás.

- Aconteceu alguma coisa, não foi? – Meridiana perguntou, cortando a fala de Lupin – Para você estar aqui na escola uma hora dessas.

A ruivinha não queria ser ríspida ou mal-educada. Parte dela estava contente em ver o antigo professor de Defesa contra as Artes das Trevas ali, afinal, ele sempre fora um dos professores favoritos dela, e, a despeito dos “problemas lupinos” do homem, ele sempre lhe trouxe uma sensação de confiança e conforto.

A questão é que, para todos os efeitos, ele não deveria estar ali, já que fora destituído de seu cargo três anos atrás. Talvez fosse apenas paranóia de Meridiana devido à situação pela qual ela e os amigos passavam. A ruiva esperava sinceramente que Lupin estivesse ali apenas visitando Dumbledore ou algum dos antigos colegas de docência e que a presença dele não fosse o indicativo de algo mais grave.

O homem franziu a testa ante a pergunta da moça. Se o tom dela não fosse tão urgente, talvez ele até deixasse um discreto sorriso aparecer em seu rosto; afinal com pouquíssimas informações ela chegara a uma conclusão relativamente acertada. Como ex-professor da ruiva, ele sentia certo orgulho em imaginar que contribuíra em parte para a formação dela. Lupin se lembrava de Meridiana como uma de suas alunas mais interessadas e aplicadas.

- Nada realmente grave – ele decidiu dizer a verdade – O Professor Dumbledore precisou se ausentar do castelo e pediu para ficarmos de olho por via das dúvidas.

Meridiana mordeu os lábios com força, indecisa se deveria ou não contar a Lupin sobre o que acontecera com os membros do Olho do Grifo. Ela olhou de soslaio para Raven, em busca de algum apoio. A sonserina de cabelos escuros assentiu discretamente em incentivo à amiga.

- Aconteceu uma coisa sim, professor – Meri começou – Alguns amigos nossos desapareceram. Já reviramos todo o castelo e não conseguimos encontrá-los.

O semblante do homem se tornou mais grave diante daquela notícia.

- Eu vou avisar a Profª. McGonnagal. Ela vai saber o que fazer – ele disse.

As duas meninas assentiram. E, enquanto observava o patrono do homem desprender-se da varinha e percorrer, célere, os corredores, Meridiana sentiu os dedos de Raven entrelaçarem os seus. Ela fechou sua mão ao redor da da sonserina, deixando que, daquele modo, confortassem uma a outra, ainda que minimamente.

por Meri e Raven

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