It's the end of world as we knew it - Parte 3
Não encontrara Mina, Lorelai ou Mercury sentados à mesa dos leões no Salão Principal. Também não vira Meridiana em lugar algum junto dos demais grifinórios, e sua prima sempre costumava se destacar e ser facilmente identificada pelos cabelos rubros.
Apesar de seus olhos terem também vasculhado com atenção as mesas das demais Casas, não conseguira captar sequer um vislumbre dos alunos que sabia estarem igualmente envolvidos com o Olho do Grifo.
Sinclair e Goddriac ela tinha certeza que não estavam na ala da Sonserina, pois acabara de vir de lá. E se qualquer um dos dois estivesse rumando para seu salão comunal após o jantar, Adhara os teria visto pelo caminho.
A sonserina abandonou seu local de observação, parada logo à porta do salão principal, e encostou o corpo na parede externa do salão que dava para o saguão de entrada do castelo. Encarou o chão polido com o cenho franzido... É claro que havia a chance de tudo ser uma enorme paranóia de sua parte, mas o fato de não ter encontrado nenhuma das pessoas que procurava no salão principal, aliado ao que Theodore lhe dissera ainda há pouco... Tudo isso estava deixando-a inquieta.
Parte de si lhe dizia que não haveria como algo trágico acontecer. Certamente aluno nenhum, Comensal ou não, se atreveria a matar dentro do castelo de Hogwarts, sob as vistas de Albus Dumbledore. Mas ainda assim, ainda que não pudessem matar, era imprevisível o que aqueles aprendizes de Comensais da Morte fariam.
Não poderia aparecer na Sonserina agora e tentar arrancar alguma coisa de Nott ou mesmo Nashton, seria suspeito demais. Ela quase já se entregara por algumas vezes entre eles ao demonstrar tanto interesse pelo “Olho da Serpente”, afinal todos sabiam que era prima de Meridiana Johnson e filha de Kamus Ivory que, não obstante ter sido um sonserino, graduou-se na escola para vir a tornar-se uma chave importante entre os Aurores. Adhara não era assim tão incógnita quanto a ruiva julgava...
Suspirou brevemente, pesando suas opções. Poderia correr até o corujal e mandar uma mensagem para Meri, entretanto aquilo levaria tempo demais, além do que ficaria de mãos atadas tendo que aguardar uma resposta que sequer tinha certeza de que chegaria. Porém pior seria sair procurando pelo castelo, levaria a vida toda e ainda não teria checado todas as salas, além do mais não possuía conhecimento algum sobre as passagens secretas de Hogwarts. Não conhecia ninguém nas outras Casas a quem pudesse perguntar sobre os desaparecidos...
Adhara mordeu o lábio inferior enquanto sua mente tentava buscar uma solução.
Ainda havia um último lugar onde poderia procurar: a sede do Olho do Grifo. Se não encontrasse sinal deles lá, então cederia à idéia de mandar uma coruja para Meridiana e outra para a Mina, e se nenhuma das duas lhe respondesse até o horário do toque de recolher, então procuraria um professor para informar o que estava acontecendo.
Com essa nova resolução, Adhara desencostou-se da parede e começou a galgar os degraus de mármore da escadaria do saguão de entrada, rumando para encontrar a tapeçaria de Sir Ulrich.
Quando Adhara removeu a tapeçaria foi para encontrar quatro varinhas apontadas diretamente para si. Mas sua apreensão durou por apenas um segundo até reconhecer os rostos das pessoas que a ameaçavam.
- Tudo bem, ela está com a gente. – disse o lufano de cabelos escuros, abaixando sua varinha – Ela é a nossa fonte dentro dos JCs.
A sonserina estranhou ligeiramente o fato de ele saber da sua atuação como espiã do Olho do Grifo, mas quase que de imediato lembrou-se que aquele era o namorado de Meridiana. A ruiva certamente deveria ter contado a ele.
Sentiu-se grata pela iniciativa da prima, aquilo lhe pouparia tempo com histórias, apresentações e justificativas.
Os outros se tranqüilizaram de imediato com as palavras de von Weizzelberg, também abaixando suas varinhas, e a apreensão defensiva foi substituída pelo que pareceu a Adhara ser uma curiosidade esperançosa enquanto a encaravam.
Aquilo só fez deixá-la ainda mais tensa, pois era praticamente uma confirmação de que havia algo errado.
- Onde estão os outros? – perguntou a sonserina – Meridiana? Os escritores do Grifo? – completou.
Lucien passou a mão por entre os cabelos, tenso, antes de responder à Adhara. Se a moça estava perguntando aquilo, era porque estava no "escuro" sobre o assunto assim como eles próprios. O rapaz não precisou olhar para os demais para saber que seus semblantes externavam sentimentos semelhantes.
- Mina, Herman, Lorelai e Isaac desapareceram, possivelmente depois do almoço. Nós nos dividimos para vasculhar o castelo em busca deles. Acabamos todos de chegar aqui, sem pista alguma. Parece que a irmã da Lore está envolvida com os comensais. Satanio e Yvaine não a encontraram. – ele fez uma pequena pausa para tomar fôlego antes de concluir – Sam foi procurar Felicity McGuire e Heather Mercury para trazê-las para cá. Agora só faltam Meri e Raven voltarem da busca para sabermos se descobriram alguma coisa.
Adhara surpreendeu-se ao ouvir todos aqueles nomes, tentando associá-los a rostos e relações, obtendo sucesso em cerca de metade deles. Se Mina já não tivesse comentado de antemão com ela, em uma tarde em que se encontraram por um acaso na biblioteca, da amizade que havia desenvolvido com Isaac Cyan, se surpreenderia ao ver o corvinal presente naquilo tudo.
- Quando você fala sobre a irmã de McGuire envolvida com comensais, está falando da lufana? A primeiranista? – ela questionou, sentindo-se um pouco perdida.
- Não. – Yvaine tomou a palavra para si. – Melinda Dashwood, ela é irmã mais velha de Lorelai.
A moça tinha o cenho franzido e apertava os punhos como se quisesse conter dentro de si uma fúria quase incontrolável. Sentia-se traída. Melinda era a melhor amiga dela. Não conseguia compreender como se deixara enganar sobre o caráter de Mel durante todos aqueles anos. Não queria acreditar que a amiga pudesse ter realizado tantos feitos pérfidos, especialmente contra as próprias irmãs.
A setimanista sentiu as mãos do namorado pousarem em seus ombros. Apenas naquele momento ela conseguiu relaxar minimamente. Ao menos, ela não estava sozinha.
- Eu nunca vi nenhuma Melinda Dashwood nas reuniões que participei com os Jovens Comensais. – disse Adhara, puxando nomes pela memória – Mas eu nunca cheguei a conhecer todos eles, então isso não significa muita coisa.
- Pelo visto eles estão mais enraizados na escola do que imaginávamos – Luke bufou, estreitando os olhos verdes em reflexo à raiva que sentia – Estão em lugares que nunca suspeitaríamos.
Adhara sorriu com ligeira amargura ao reconhecer a verdade presente nas palavras do ruivo. Mas não era a hora para mergulharem naquele tipo de conjecturas.
- Eu encontrei com meu primo, Theodore Nott, na ala da Sonserina agora há pouco. Foi ele quem me introduziu ao círculo dos Comensais em Hogwarts. – a garota começou, em um tom sério que atraiu a atenção dos quatro – Ele me disse que conversou de passagem com outro sonserino pouco depois do almoço, Edward Nashton, do sétimo ano. Eu posso afirmar com certeza que Nashton é um dos JCs e, segundo o relato de Nott da dita conversa, alguns dos envolvidos com o Grifo descobriram algo importante sobre os JCs ou o Olho da Serpente, tanto que Nashton disse que ele e alguns outros dariam um fim ao Olho do Grifo hoje mesmo.
Uma onda de terror e frustração pareceu atingir a todos os presentes ao escutarem as palavras da sonserina, afinal, era a confirmação de tudo o que temiam.
Adhara mordeu os lábios discretamente, sentindo-se também frustrada. Ninguém ali sabia muito mais do que ela própria e enquanto permaneciam ali, trocando suas parcas informações, a areia na ampulheta continuava a escoar. Em momentos como aquele cada segundo era decisivo, pois era todo o tempo necessário para que um desastre acontecesse.
A sonserina não sabia exatamente o que havia tomado conta de si, por que sentia essa aflição toda ao pensar que os quatro estavam em perigo. A não ser por Isaac e Mina, não era realmente próxima de nenhum deles... E mesmo com a domadora e o corvinal haviam certas reservas. Grandes reservas. Então o fato de encontrar-se tão preocupada com o bem-estar daquelas pessoas a surpreendia.
Mas Adhara apenas não conseguia afastar o pensamento de que se alguma das informações que passara à Meridiana havia ajudado a colocar os quatro naquela situação... Se, ainda que por uma parcela mínima, fosse sua a culpa caso...
Não, aquela não era hora para pensar no pior. Apenas precisava fazer alguma coisa.
- Eu vou voltar para a Sonserina e procurar por Nashton. - declarou, com a varinha segura firmemente entre seus dedos - Se ele realmente estiver envolvido nisso e souber de algo a mais do que Theodore me contou, então eu o farei falar.
E com isso a morena deus as costas aos demais, já iniciando seu trajeto para a saída do QG. Parou apenas quando ouviu a voz de von Weizzelberg:
- Se você for lá agora e começar a fazer tantas perguntas suspeitas, vai estar revelando o seu disfarce para eles. - disse o lufano, em um tom sério, analisando a figura da prima de Meri com toda a perspicácia que havia adquirido como filho de um Auror - Não importa o quão boa espiã você seja ou o quanto Nott confie em você, os demais não serão assim tão crédulos.
A garota estancou, reconhecendo a verdade na fala de Lucien. Ainda assim, percebeu que se importava muito pouco. Ela virou apenas sua cabeça, encarando por cima dos ombros os olhos bicolores do rapaz.
- Eu nunca disse que iria perguntar de forma gentil. - e com um pequeno sorriso, ela se foi.
O austriaco observou a garota sumir a passos decididos pela passagem do QG, só depois de Adhara ter partido completamente, é que ele se voltou para os outros. A sonserina tinha razão, eles precisavam agir, ficar parados não traria nenhum dos amigos de volta. Além disso, Meridiana e Raven estavam demorando demais para retornarem, e ele começava a ficar apreensivo quanto ao bem-estar da namorada.
-Acho que deveríamos fazer uma nova busca - ele sugeriu, por fim - Mas alguém precisaria ficar aqui, caso Meri e Raven voltem, e também a Blair com as pequenas.
-Tudo bem, eu fico - Yvaine se candidatou, e, depois voltou-se para o namorado - Pode ir com eles, Sat, sei que seria difícil para vocês ficar esperando.
-Tem certeza? - o loiro perguntou, preocupado.
Yvaine apenas assentiu, séria, e, enquanto ela assistia aos três rapazes saindo apressados, a moça de cabelos lilases deixou-se cair completamente no pufe laranja, sentindo se abater sobre ela, de uma única vez, todo o cansaço que as notícias das últimas horas trouxeram.
por todos acima
No comments:
Post a Comment