Monday, January 21, 2008

It's the end of world as we knew it - Parte 1


Adhara fechou o malão aos pés de sua cama com um baque seco após depositar dentro dele a bolsa onde costumava carregar os livros escolares. Movimentou o ombro direito, ligeiramente dolorido por carregar quatro compêndios de magia por todo o castelo durante o dia inteiro.

As aulas daquela tarde foram puxadas e ainda se vira obrigada a ir diretamente para a biblioteca após seu último período, a fim de terminar um ensaio de Herbologia que deveria ser entregue no próximo dia. Quando se dera conta o horário do jantar já estava quase em seu final, ainda assim preferiu rumar primeiro para a ala da Sonserina e deixar os livros no quarto antes de ir comer qualquer coisa no Salão Principal.

Suspirou, apanhando a varinha deixara em cima da cama e colocando-a por hábito dentro do bolso direito da capa. Deixou o quarto vazio e atravessou o corredor estreito e escuro que ligava os dormitórios femininos à sala comunal. Quando já estava próxima da passagem e avistava a luz esverdeada que geralmente banhava a entrada da Sonserina, sentiu uma mão emergir do escuro e fechar-se ao redor de seu pulso, puxando-a de encontro à parede.

Tudo aconteceu tão rápido que Adhara teve tempo apenas de preparar-se para o choque contra a superfície dura e áspera.

Porém este não veio. Ao invés da parede, ela chocou-se contra outro corpo.

- Aí está você.

A sonserina reconheceu a voz que falava em um tom baixo e conspiratório como sendo a de seu primo, Theodore Nott. Fosse em outra ocasião, apenas alguns meses antes, ela teria feito exatamente o que sentia vontade de fazer naquele momento: azará-lo. Entretanto, e ela forçava a si mesma a se lembrar disso, tinha que tratar Nott de uma maneira no mínimo cortês, afinal o rapaz era a sua única porta de entrada para a teia de conspirações que se expandia por todo o castelo. Era a serpente que lhe guiava até o ninho.

E foi somente por isso que espalmou uma das mãos na altura do peito do primo, se afastando dele de uma maneira que ainda parecia delicada, sem repúdio aparente, reforçada pelo sorriso que ela fez aparecer em seus lábios.

- Theodore, você me assustou. – disse, em um tom leve e moderado.

- Desculpe. – e apesar do pedido, ele não parecia em nada arrependido – Estive procurando por você no Salão Principal, já ficou sabendo das novidades?

Adhara encarou o rapaz na penumbra escura do corredor, notando a excitação que se pronunciava nas feições dele. A última vez em que Theodore parecera tão ansioso para lhe contar alguma coisa fora na noite em que ela, pela primeira vez, se apresentara a outros pretensos Jovens Comensais. O que quer que fosse dessa vez, certamente valeria à pena ouvir.

- Estava na biblioteca terminando alguns deveres, não fiquei sabendo de nada. – ela respondeu com o que não era de mentira em todo.

Theodore sorriu para a morena e em seguida olhou ao redor do local onde estavam parados. Sons de conversas ecoavam, vindos da sala comunal, mas fora aquilo estavam completamente sozinhos. Ele então abaixou seu rosto para mais perto do de Adhara, falando em um sussurro conspiratório:

- Eu encontrei o Nashton hoje por um acaso, no início da tarde, no corredor do terceiro andar. Eu estava indo para a minha aula de Aritmância e nós conversamos de passagem. Pelo que ele me disse, parece que a trupe de heróizinhos finalmente aprendeu a somar dois mais dois e está chegando perto de alguma coisa. Mas não se preocupe... – Nott se apressou a emendar, interpretando erroneamente a expressão chocada que dominou os olhos de Adhara por alguns momentos – Nashton e alguns outros dos nossos já deram um jeito nos sangues-sujos. Essa história do "Olho do Grifo" – e o nome foi dito quase que de maneira cuspida, com asco – vai terminar hoje.

A garota sentiu seu pulso acelerar ao notar o perigo contido naquelas palavras.
Havia a chance de Theodore estar apenas fazendo alarde em volta de algo que não era tão grande assim, afinal Mina e outros, Lorelai e a irmã de Mercury, já haviam sido ameaçados antes e nada realmente danoso rendera daquilo. Porém havia também a chance de que ele estivesse falando sério.

Mas ela não ganharia nada ficando parada ali e deixando a apreensão tomar conta de si.

- Ah, então finalmente alguém resolveu tomar alguma atitude quanto a esse assunto? – perguntou Adhara, forçando que o descaso pesasse em suas palavras – Já não era sem tempo.

- Eu sei. – e Theodore apressou-se em concordar – Estou dizendo isso a eles há meses, mas parece que são todos covardes demais para agir de verdade.

Adhara curvou seus lábios, dando um sorriso fechado para o primo porque não conseguiu pensar em nenhuma outra resposta naquele instante, mas ainda assim ele pareceu satisfeito com o seu gesto.

- Agora você terá que me desculpar Theodore, mas eu estou faminta e preciso jantar. – ela encerrou a conversa, dando ligeiras palmadinhas no ombro do rapaz como despedida – Vejo você depois, na sala comunal.

O rapaz assentiu, deixando-a se afastar sem protestos enquanto correspondia à despedida. Adhara deu-lhe um último sorriso falso antes de cruzar a passos lentos o salão comunal da Sonserina, em uma pretensa imagem de serenidade.

Quando a parede de pedra que ocultava a passagem para a Casa das serpentes fechou-se atrás dela, Adhara correu.

por Adhara

Nota: A partir de hoje até o encerramento do sexto ano do Expresso Hogwarts, as postagens serão de Segunda a Sábado (afinal, no domingo precisamos desncansar)

No comments: