Parte I
Fim de mais uma aula de poções. Neste dia em particular, o professor
Snape estava excepcionalmente bem disposto, afinal, ao invés de pedir o
costumeiro relatório de 2000 palavras, pediu um apenas com 1500.
Selune e Meridiana guardavam calmamente seu material. A maioria de seus
colegas de sala já havia se retirado, até mesmo Raven, usualmente uma das
últimas a deixar a Masmorra, saíra correndo, pois combinara se encontrar com o
simpático Lucas Hunter e pegar um livro sobre quadribol com o ruivo da Lufa-lufa.
- Oh, Meri. Pardon moi, oui? Hoje eu me atrapalhei um pouquinho no
preparo das poções e acabei me atrasando... Não precisa me esperar, amiga, pode
ir que eu termino de ajeitar as coisas por aqui.
- Que isso, Sel, relaxa. Não me custa nada te esperar. Ainda mais que o
Snape precisou sair e só estamos nós duas aqui. Ou seja, não tem problema
nenhum em ficar um pouco mais na Masmorra.
Enquanto esperava pela amiga, Meridiana passou displicentemente os olhos
pelas bancadas da sala de poções quando repentinamente um caderninho de capa
esverdeada chamou sua atenção.
- Olha, Sel, parece que alguém esqueceu um caderno aqui.
Era um caderno pequeno, de capa de couro verde musgo e detalhes pratas
nas laterais. Meridiana abriu a primeira página, na esperança de descobrir quem
era seu dono. No centro da primeira página parda do caderno estava escrito com
uma letra miúda e delicada: Adhara Ivory.
- Sel, é o caderno da Adhara. Na verdade, parece ser um diário...
- De quem? - perguntou Selune, desatentamente, absorta em organizar o
resto de seu material escolar.
- Da Adhara Ivory, Sel. Eu não acredito que depois de quase cinco anos
estudando com a menina você ainda não sabe quem é ela. - disse Meri, rindo da
distração da amiga. - Você sabe quem é sim, Sel, é aquela menina de cabelos
cinzentos, muito bonita, bastante calada e que anda sempre com a Juliet.
- Desculpe, Meri, sei quem é a Adhara sim. É que eu não estava prestando
atenção no que você estava falando. Desculpe mesmo.
- Tudo bem, Sel. Termina de juntar suas coisas que eu vou correr para
ver se ainda acho a Adhara no corredor.
Meridiana pegou seus pertences e o diário de Adhara e partiu em
disparada para fora da sala. Mas, tudo em vão. O corredor que leva à Masmorra
estava completamente deserto Nenhum sinal da colega sonserina. Selune chegou
logo em seguida.
- Não alcançou ela não?
- Nada. Acho que vou ter que devolver depois.
- Pede para a Raven entregar para você... Olha, Meri, tem um pedaço de
papel perto do seu pé. Deve ter caído do caderno.
Meri abaixou-se para apanhar o objeto que Selune apontara. O pedaço de
papel revelou ser, na verdade, uma fotografia. Nela era possível ver dois
casais bastante jovens. Três deles provavelmente eram apenas um ou dois anos
mais velhos que Meri. Havia uma moça realmente muito bela, com enormes olhos
amendoados e longos cabelos castanho-claros e levemente ondulados. Ao seu lado
estava um rapaz de olhos azuis escuros e cabelos negros. O outro casal era
formado por dois jovens muito parecidos. A moça também tinha cabelos castanho
avermelhados, seus olhos eram verde esmeralda, e ela parecia muito feliz. O
rapaz que a acompanhava era mais o mais alto grupo. Era o mais velho de todos
também e olhava com carinho para a ruivinha sorridente. O rosto de Meridiana se
tornou tão alvo quanto a penagem de sua coruja Athena ao vislumbrar aquela
foto. Ela sabiam quem eram aqueles dois jovens de cabelos avermelhados.
- Meri, você está bem? Ficou tão calada de repente.
- Eu... eu estou bem sim, Sel. Só acho que não vou pedir para a Raven
devolver o diário da Adhara. Eu mesma faço questão de entregar.
- Mas por quê? A Raven devolvendo é muito mais prático...
- Sel, olha só esta foto - disse Meridiana, interrompendo a amiga.
- Mas são... - Selune não conseguiu concluir a frase.
- Exatamente, Sel. E agora eu quero descobrir por que a Adhara tem uma
foto da minha mãe e do meu tio Aldebaran no meio das coisas dela...
Parte II
Adhara bateu com força a porta do dormitório vazio e largou os materiais
no chão, desabando sobre a sua cama logo em seguida, aquela semana estava sendo
realmente difícil. Primeiro não conseguira terminar a tempo um trabalho de
Transfiguração, o que resultou em uma bronca da Profª McGonnagall, tinha a
redação de dois rolos de pergaminho do Prof. Binns para fazer e, para coroar,
depois do almoço teria aula com a Umbrigde.
- Devo estar pagando agora pelos meus pecados... – resmungou, virando-se
de bruços e tampando a cabeça com um travesseiro.
De repente sentia uma saudade enorme de casa. O que não daria para estar
agora ajudando o pai com os relatórios do trabalho enquanto um dos irritantes
elfos domésticos vinha incomodar-lhes de dez em dez minutos tentando se fazer
útil?
Foi lembrando-se de Kamus que Adhara levantou-se da cama, indo juntar
seus materiais. Abriu a mochila, procurando pelo diário encadernado em couro
verde que o pai lhe dera já fazia muito tempo, escrever naquele pequeno caderno
sempre a ajudava a se acalmar. Porém, mesmo revirando a mochila várias e várias
vezes, Adhara não conseguiu achar o caderno de maneira nenhuma.
- Ótimo, isso era realmente tudo o que eu precisava! – disse, irritada,
ao concluir que havia perdido o seu diário.
Parte III
A hora do jantar se aproximava e Meridiana ainda não conseguira falar
com Adhara Ivory. Desde que encontrara uma foto de sua mãe e de seu tio
Aldebaran no meio do diário que a colega perdera, Meri tentara durante todo o
dia localizar a sonserina. Porém, todos os seus esforços foram em vão.
Meridiana estava começando a ficar irritada com a situação, chegou até mesmo a
pensar, por alguns breves segundos, que as Potências, de que tanto fala a sua
amiga Raven, poderiam estar interferindo no seu intento.
Meridiana viu Adhara sentada na mesa da Sonserina durante o jantar.
Ivory tinha um ar levemente preocupado em seu semblante, provavelmente devido a
perda de seu diário. Apesar de desejar fortemente falar com Adhara, Meri se
refreou. Não queria conversar com ela na frente de todos os sonserinos. O
assunto entre ela e Adhara era pessoal e, possivelmente, delicado.
A garota grifinória terminou seu jantar o mais rápido que pôde, e,
despedindo-se dos amigos, saiu do Salão Principal, encaminhando-se para a ala
da Sonserina. Meridiana esperou em um estreito corredor escuro que ficava a
poucos passos da entrada da ala da casa da serpente. Tinha esperanças de
conseguir falar com Adhara ainda naquela noite. Não conseguiria dormir enquanto
não tirasse a limpo o mistério daquela fotografia.
Para a sorte de Meridiana, Adhara veio se aproximando, sozinha. Num
impulso, Meri puxou a sonserina para o corredor em que se escondera.
Adhara se assustou e imediatamente puxou a varinha de dentro das vestes,
encostando-a no pescoço de Meri.
- Calma, pode ficar calma, Adhara. Sou eu, Meridiana.
- Meridiana? – reconhecendo a voz da colega ela abaixou a varinha – O
que você está fazendo aqui no escuro? – Adhara cruzou os braços, um tanto
desconfiada.
- Desculpe se te assustei, mas é que eu te procurei o dia inteiro. Esta
era a última oportunidade que eu tinha de falar com você ainda hoje.
A sonserina ergueu uma sobrancelha, estranhando o desespero de
Meridiana, parecia ser algo realmente importante.
- O que foi? É alguma coisa com a Ju?
- Não, não, a Juliet está ótima. É que eu encontrei seu diário... E
também uma coisa que estava dentro dele... Eu realmente preciso conversar com
você.
Adhara parecia cada vez mais intrigada com aquilo tudo, mas pelo menos
tinha o consolo de que o seu diário estivera em boas mãos, o paradeiro do
caderno que o pai lhe dera era algo que estava preocupando-a bastante nas
últimas horas.
- Tudo bem, Meridiana. Tem uma sala aqui perto que quase ninguém usa,
podemos conversar lá tranqüilamente.
Parte IV
Na sala vazia, Meridiana encarou Adhara silenciosamente. Depois de toda
a ansiedade que passara no decorrer do dia ao procurar a colega, agora Meri não
sabia como iniciar a conversa sem que soasse como uma ofensa ou acusação.
- Adhara, bem... Hum... Você sabe que eu e você nunca fomos amigas
íntimas, mas que eu gosto de você, te acho uma pessoa realmente legal e mente
aberta, afinal é uma das poucas sonserinas que se relaciona muito bem com
membros de todas as casas. Quer dizer, a Juliet é da Grifinória e é uma de suas
melhores amigas e...
- Meridiana, - Adhara interrompeu-a, um pouco impaciente com o falatório
– desculpe, não quero ser mal-educada, mas será que poderia ir direto ao ponto?
Qual é o problema?
Meri deu um longo suspiro e mostrou a foto* que encontrara no diário de
Adhara. A sonserina olhou para a foto e depois para Meridiana sem entender o
que havia demais naquilo tudo.
- Por que uma foto dos meus pais seria um problema? – Adhara perguntou,
perplexa.
- Esses dois aqui são seus pais? Isso explica porque você tinha este
retrato, mas não explica por que minha mãe e meu tio Aldebaran também estão
nele.
- Sua mãe? Seu tio?
- Sim, esse casal de cabelos avermelhados que aparece aqui no canto
direito. São minha mãe, Elizabeth, e o irmão mais velho dela, meu tio Aldo.
Isso significa que seus pais devem conhecê-los.
- Meu pai. – corrigiu-a com uma pontada de irritação na voz – Minha mãe
morreu quando eu era criança.
- Desculpa, eu não sabia... Mas acho que sei como se sente... Quer
dizer, quando minha mãe morreu eu não tinha nem um ano de idade. É por isso que
você vai entender o que eu vou te pedir. Eu preciso que você peça a seu pai
para me escrever, assim eu poderei perguntar a ele sobre minha mãe.
Adhara cruzou os braços e encarou Meridiana, avaliando brevemente o
pedido da grifinória.
- Desculpe, Meridiana, mas eu não posso fazer isso. O que eu vou dizer
ao meu pai?
- Ora, que eu vi a foto e fiquei curiosa. – respondeu Meri, que não
conseguia ainda entender qual o problema em seu pedido aparentemente tão
simples.
- A questão é exatamente essa. Ele não sabe que eu estou com esse
retrato.
- Adhara, por favor... Eu preciso falar com ele. Você sabe o que é
crescer tentando entender quem foi sua mãe e por que ela morreu? É como se ela
fosse uma miragem intangível e inalcançável. Por mais que meu pai me conte
histórias sobre ela, sempre fico com a sensação de que algo me escapa. Como uma
peça de quebra-cabeças perdida. E falar com seu pai talvez me ajudasse a
esclarecer alguma coisa.
Adhara ficou em silêncio por alguns instantes, apenas observando a
grifinória, que estava comovida ao falar da mãe. Aquilo parecia ser realmente
importante para Meri, não seria justo priva-la de algo que significava tanto
para ela.
- Está bem, Meridiana. – Adhara por fim cedeu – Devo confessar que eu
mesma fiquei curiosa para saber o que sua mãe e seu tio fazem naquele retrato.
Meri sorriu e devolveu o diário e a foto que ainda segurava para a
colega.
- Obrigada, Adhara.
A sonserina acenou com a cabeça e caminhou até a porta, abrindo-a logo
em seguida. Mas, antes de deixar a sala, ainda virou-se para trocar uma última
palavra com Meridiana.
- Encontre-me amanhã de manhã no Corujal, antes das aulas começarem.
Leve a sua carta, a mandaremos pela minha coruja. A propósito, o nome do meu
pai é Kamus.
Meridiana assentiu, ainda sorrindo e a Adhara deixou a sala,
encaminhando-se para as masmorras da Sonserina.
Parte V
Meri corria depressa pelo caminho que levava ao corujal, a mochila
escorregando pelos ombros enquanto tinha uma carta segura na mão direita. Ela
ficara até altas horas da madrugada escrevendo a carta sobre sua mãe para o pai
de Adhara, tentando encontrar as palavras exatas para se dirigir a Kamus.
No misto de ansiedade e expectativa que sentia desde que descobriu a
foto da mãe nos pertences da colega sonserina, quase lhe foi impossível pregar
os olhos no resto da noite. Por isso, acabou perdendo a hora. Atravessou a
porta de madeira e entrou em uma torre alta, repleta de janelas e poleiros,
onde dormiam centenas de corujas de todas as espécies.
Meri andou pela torre, um ligeiro barulho de trituração enchia o local
conforme ela pisava em cima dos ossos dos pequenos animais que serviram de
banquete na noite anterior. Localizou Adhara sentada no parapeito de uma das
janelas mais baixas, uma grande coruja de plumagem branca malhada de cinza
repousava em seu ombro.
- Bom dia. – cumprimentou a colega quase num bocejo.
Adhara virou o rosto, só então notando a chegada de Meridiana.
- Bom dia. – ela cumprimentou Meri, descendo da janela.
- Sinto muito pelo atraso, acabei dormindo mais do que devia. Espero não
tê-la feito esperar por muito tempo. – disse Meri, dando um sorriso meio
amarelo de desculpas.
- Não tem problema, eu cheguei mais cedo do que o combinado.
Adhara levou a mão direita até o ombro e a coruja branca saltou sobre
ela, apoiando-se no braço de sua dona.
- Essa é a sua coruja? – perguntou Meri – Ela é muito bonita. Eu adoro
corujas brancas, não por um acaso a minha Athena também é branquinha como a
sua.
A garota estendeu a mão para acariciar a cabeça da ave, mas a coruja
sacudiu as asas e piou, irritada. Meridiana se sobressaltou momentaneamente com
o gesto da ave e se voltou, encabulada, para Adhara.
- Não ligue para ela. – disse Adhara – Valkíria é arisca com todo mundo,
principalmente quando é obrigada a acordar cedo.
Meridiana sorriu, achando a ave engraçada. Procurou com os olhos a sua
pequena Athena pelo corujal e logo a localizou num dos poleiros mais altos,
dormindo com a cabeça debaixo da asa entre duas corujas pardas.
- É melhor despacharmos logo a carta, senão vamos acabar perdendo o café
da manhã.
Meri assentiu e entregou o envelope que segurava para Adhara. O coração
da menina palpitava ante as infinitas possibilidades que o envio daquela
mensagem poderia lhe trazer.
A sonserina amarrou a carta na perna de Valkíria e levou a coruja até a
janela em que estivera sentada. A ave ainda lançou um último olhar irritado
para a dona antes de alçar vôo. As garotas ainda ficaram um tempo paradas na
janela, em silêncio, observando a coruja sumir por entre as nuvens.
Meridiana olhou de soslaio para Adhara, sorrindo. Provavelmente a colega
não tinha a mínima idéia do quanto Meri lhe era grata por tudo aquilo. Podia
parecer um pequeno e simples gesto, mas, no momento, para a garota grifinória,
aquilo significava um mundo.
- Vamos indo? – perguntou Meri. O rosto transbordando de felicidade.
Adhara concordou e juntas elas deixaram a torre e seguiram para o Salão
Principal, cada uma pensando em quais respostas aquela carta traria.
* * * * *
Kamus lia atentamente o pergaminho que tinha em mãos, jamais imaginara
que a filha de Elizabeth estava no mesmo ano que Adhara e muito menos que
conhecia sua filha. Guardou a carta de volta no envelope, pensativo, pelo jeito
estava na hora dele escrever para Nicholas Johnson.
Parte VI
Adhara tomava o seu café da mesa da Sonserina observando as corujas que
entravam pelas janelas do Salão Principal entregando as correspondências, mas
não havia nem sinal da plumagem branca de Valkíria entre o mar de aves
cinzentas e castanhas. Passara-se mais de uma semana desde que ela e Meridiana
haviam mandado aquela carta para o seu pai, perguntando sobre Elizabeth
Johnson, mas até agora Kamus não enviara nenhuma resposta.
O olhar da garota acabou recaindo sobre a mesa da Grifinória onde logo
localizou Juliet, que sorriu, cumprimentando-lhe, e mais para a direita estava
Meridiana, sentada ao lado de Selune Priout e Herman Mercury.
Meri também esquadrinhava o Salão a procura de Valkíria, mas logo se
voltou, desanimada, para o seu prato de torradas ao concluir que a coruja ainda
não havia regressado.
Adhara levantou-se da mesa e pegou o seu material, rumando para a sala
de Feitiços. Largou a mochila em cima de uma carteira no fundo da sala e
sentou-se, esperando até que desse o horário da aula começar.
- Senhorita Ivory, chegou cedo hoje. – disse o Prof. Flitwick, logo que
entrou na sala e encontrou a aluna já presente.
- Não estava com muita fome, professor.
- É uma pena, - ele disse, divertido – pois perdeu um peixe defumado
realmente bom!
Aos poucos a sala foi enchendo-se de estudantes e a aula começou, porém
logo foram interrompidos por breves batidas na porta, vários alunos assistiram,
surpresos, o Prof. Severus Snape entrar de forma imponente na sala.
- Lamento pela interrupção, Flitwick, mas preciso da senhorita Ivory. –
disse o mestre de Poções, esquadrinhando a sala à procura da garota.
- Ah, claro, claro. – consentiu o professor – Senhorita Ivory, está
dispensada por hoje.
Adhara franziu a testa, confusa, enquanto recolhia seus materiais, o que
o Prof. Snape poderia querer com ela? Jogou a mochila sobre o ombro e
acompanhou o mestre de Poções para fora da sala. Ela seguiu-o em silêncio pelos
corredores do castelo até pararem na frente de uma estátua em forma de gárgula.
- Delícia Gasosa. – disse o Prof. Snape. A gárgula de pedra ganhou vida
e saltou para o lado, revelando uma escadaria em forma de caracol. – Venha
comigo, Adhara.
O professor começou a subir as escadas e garota seguiu-o, perguntando-se
o que iriam fazer no gabinete do Prof. Dumbledore. Mas a maior surpresa de
Adhara foi encontrar Meridiana parada do lado de fora da sala. A sonserina
caminhou até Meri, que a encarava estupefata.
- O Prof. Snape também te trouxe até aqui? – perguntou Adhara.
- Não, foi a Profª. McGonagall, mas ela está lá dentro da sala com o
diretor e até agora não saiu. – Meri respondeu.
A porta da sala abriu-se e por ela saíram a Profª. Minerva McGonagall
acompanhada por Albus Dumbledore.
- Eu trouxe a Adhara como havia me pedido, Dumbledore. – disse o Prof.
Snape.
- Muito obrigada, Severus. – Dumbledore agradeceu-lhe calmamente e então
virou-se, observando as meninas com os seus penetrantes olhos azuis – Senhorita
Ivory, senhorita Johnson, lamento tê-las tirado de suas aulas, mas o assunto
que temos a tratar aqui é de grande importância para as duas.
- Entrem, meninas. – disse a Profª. McGonagall, abrindo passagem para
elas.
Adhara seguiu na frente, entrando na sala de Dumbledore, Meridiana
estava logo atrás dela. Nunca estivera no gabinete do diretor antes, era uma
sala grande, com vários móveis e estranhos objetos prateados que faziam
diversos ruídos e soltavam baforadas de fumaça, as paredes estavam forradas de
retratos dos ex-diretores de Hogwarts e havia uma grande ave de penas douradas,
que ela reconheceu como sendo uma fênix, em cima de um poleiro.
Porém, o que mais surpreendeu Adhara foi encontrar naquela sala o seu
pai, Kamus Ivory.
Parte VII
Adhara manteve-se calada e impassível, olhando fixamente para o pai.
Kamus sustentou o olhar da filha, encarando-a da mesma maneira séria que ela já
estava acostumada.
- Como vai, Adhara? – perguntou Kamus.
- Muito bem. – ela respondeu.
Kamus olhou por cima do ombro da filha, observando Meridiana que, ao
contrário de Adhara, não havia conseguido esconder sua surpresa. Logo no
primeiro momento achou-a incrivelmente parecida com Elizabeth, Meri tinha os
mesmos olhos da mãe.
- Suponho que você deve ser a menina que me escreveu? – ele perguntou,
encaminhando-se para mais perto da grifinória a fim de observá-la melhor.
Adhara acompanhou o pai com o olhar e viu quando Meridiana assentiu com
a cabeça, não pôde deixar de notar que a colega parecia um pouco envergonhada.
- Bem, acho melhor deixa-los sozinhos agora, nossa presença só iria
atrapalhá-los. – disse Albus Dumbledore, que estivera parado na porta de sua
sala junto com MacGonagall e Snape, apenas observando a conversa deles.
- Obrigada, Dumbledore. – Kamus agradeceu com um aceno de cabeça.
- Não foi nada, podem usar minha sala o tempo que for necessário.
Minerva, Severus, por favor me acompanhem. – Dumbledore desapareceu pela porta
da sala juntamente com os dois professores.
- O que está fazendo aqui? – perguntou Adhara, olhando de forma
inquiridora para o pai.
Kamus virou-se para a filha e observou-a silenciosamente, então puxou a
varinha de dentro das vestes e conjurou três poltronas no centro da sala. Uma
mais a frente e duas que ficaram lado a lado.
- Sentem-se. – disse Kamus.
Adhara, vendo que seria inútil tentar arrancar alguma resposta do pai,
encaminhou-se para uma das poltronas, sendo logo seguida por Meri, que
sentou-se pesadamente na poltrona que estava ao lado da sua, a grifinória não
dissera sequer uma palavra desde que elas haviam entrado na sala do diretor.
Kamus sentou-se na poltrona logo de frente para elas e ainda observou as
garotas por alguns instantes antes de começar a falar.
- Respondendo a sua pergunta, Adhara, eu vim por causa da carta que
recebi de Meridiana.
- Hum... senhor Ivory, - começou Meridiana, um tanto acanhada – o senhor
não precisava ter se incomodado, não era necessário que viesse até Hogwarts
apenas para satisfazer uma curiosidade minha, bastava apenas me mandar uma
carta.
- O assunto é muito mais complexo do que você imagina, Meridiana.
Adhara franziu a testa, para o seu pai ter deslocado-se até Hogwarts
isso significava que o assunto a ser tratado ali era algo realmente importante.
- Quando recebi a carta de Meridiana percebi que era hora de escrever
imediatamente para Nicholas, para definirmos qual seria a nossa posição diante
dessa situação. Afinal, aquilo era algo que eu não poderia decidir sozinho.
Precisava saber do posicionamento do pai de Meridiana antes de tomar qualquer
decisão.
- O senhor conhece o meu pai? – Meri perguntou surpresa.
- Sim, eu conheço Nicholas Johnson. – confirmou Kamus – Assim como
também conheço Frida.
- Então eu estava certa, o senhor deve ter sido amigo da minha mãe
quando estudavam aqui.
- Na verdade, eu conheci Elizabeth, e também Aldebaran, muito antes
disso, embora você esteja certa ao afirmar que freqüentei essa escola na mesma
época que a sua mãe. – ele fez uma ligeira pausa, lançando um rápido olhar para
filha, antes de continuar – O fato é que eu tenho um parentesco com a sua mãe e
o seu tio.
- Isso é impossível. – Adhara manifestou-se, atraindo a atenção de Kamus
e Meridiana – Eu sei que, exceto pelos Nott, os Ivory não tem parentes na
Inglaterra, toda a família mora na Rússia.
- Você está certa quanto aos Ivory, filha, mas se esqueceu de que a
minha mãe é inglesa. – então voltou a olhar para Meridiana – Suponho que você
já tenha ouvido falar que a sua avó, Marguerith, tinha uma irmã.
- Sim, eu sei, tenho uma foto delas, as duas eram gêmeas. – disse Meri,
um tanto confusa com a situação – Se não me engano a outra se chamava
Betelgeuse. Mas mesmo assim eu não entendo o que...
- Acho que a situação está bem clara. – Adhara interrompeu-a e então
virou-se para olhar Meri – Betelgeuse é minha avó, o que significa que o meu
pai é primo da sua mãe e do seu tio, e... suponho que isso nos torne primas
também.
Adhara observou o rosto surpreso de Meridiana.
- Você está brincando, não é? – Meri riu por causa do nervosismo, mas
respirou fundo, recompondo-se – Desculpem a minha reação... É que isso tudo é
muito para a minha cabeça. Não apenas o fato de nós todos sermos parentes. Mas
é que nos últimos meses tanta coisa mudou de forma tão radical na minha vida. A
chegada de tia Frida e também o Lu... – nesse ponto a grifinória calou-se e
Adhara percebeu quando a colega olhou de esguelha para o seu pai. – Bem,
realmente me desculpem. O que eu quero dizer é que, apesar de minha reação, eu
estou feliz com a notícia. Como eu te disse antes, Adhara, nós não podemos ser
amigas íntimas, mas eu realmente gosto de você.
Adhara permaneceu em silêncio depois das palavras de Meridiana, não
conseguia entender o que se passava na cabeça da grifinória, por que aquela
garota dizia simpatizar tanto com ela? Nunca trocaram mais do que três ou
quatro palavras durante as aulas.
- Mas, só tem uma coisa que eu não consigo compreender. – disse a
sonserina, voltando-se novamente para o pai. – Por que nós nunca tivemos
conhecimento desse parentesco?
- A verdade é que durante esse tempo todo houve apenas um erro de
comunicação entre eu e Nicholas. Mas agora tudo foi esclarecido.
- Isso é realmente muito bom, senhor Ivory. E sendo primo de minha mãe,
tenho certeza que poderá me contar muitas coisas sobre ela. – disse Meri, com
um sorriso no rosto.
Adhara virou-se novamente para Meridiana, ela parecia ter uma grande
necessidade de aprender sobre o passado da mãe. Olhou para Kamus, mas acabou
virando o rosto quando ele também a encarou.
Kamus percebeu que aquela conversa estava tornando-se desagradável para
a filha, então resolveu encerra-la por ali.
- Certamente, mas não agora, preciso voltar para Londres. Contudo,
Meridiana, sinta-se a vontade para me escrever quando quiser.
Adhara levantou-se da poltrona.
- Se já terminamos então eu vou voltar para a aula. – disse a sonserina,
já caminhando em direção à porta.
- Adhara! – Kamus chamou-a de forma autoritária, fazendo com que ela
parasse – Fique, ainda quero conversar com você. – então virou-se para
Meridiana – Será que você poderia nos deixar a sós?
- Claro. – disse Meri. A grifinória ainda olhou uma última vez para
Adhara e Kamus antes de sair da sala.
Adhara continuou de costas para o pai.
- Você se dá bem com a Meridiana? – perguntou Kamus.
- Mais ou menos, conversamos por poucas vezes.
- O que acha de tê-la como prima?
- Não acho nada. – a sonserina cerrou os punhos – Para mim tanto faz, já
disse que não a conheço direito.
Kamus observava a filha com atenção, percebeu que ela recusava-se a
olhar para ele. Será que a irritação de Adhara devia-se ao fato de que o
interesse de Meridiana pelo passado da mãe acabara por fazê-la se lembrar de
Anabelle? Ele caminhou até a filha, parando na frente dela.
- Deveria tentar ser mais receptiva com Meridiana, vocês tem mais em
comum do que imagina.
A sonserina franziu a testa.
- Do que está falando?
Kamus não respondeu, passou um braço pelas costas de Adhara e
abaixou-se, beijando levemente o topo da cabeça da filha.
- Cuide-se.
Ele então afastou-se, deixando o gabinete de Dumbledore.
Adhara finalmente levantou os olhos, encarando a porta por onde o pai
acabara de sair. Por mais que tentasse evitar, naquele momento seus pensamentos
direcionavam-se apenas para uma pessoa: a sua mãe, Anabelle Timms...
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