Saturday, July 20, 2013

Prólogo

“Ele corria cada vez mais rápido, a dor em seu peito intensificando-se. Viu refletir-se no céu escuro a marca da caveira com uma cobra escapando pela boca, as estrelas tingiram-se de verde.
O desespero dominou-o. Fechou os olhos e aparatou, lutando contra a certeza que tentava a todo custo penetrar em sua mente. Quando reabriu os olhos, desejou jamais tê-lo feito.
Lá estava ela, os cabelos claros e espessos foram cortados em desalinho, os braços amarrados num ângulo estranho, às roupas rasgadas cobriam um corpo machucado, o rosto, sempre imaculado, tão parecido com o de uma boneca de porcelana, estava repleto de cortes e os olhos castanhos, que no passado o desafiaram, estavam vazios agora.
Sua boca abriu-se deixando escapar um grito de agonia, estava tudo acabado...”

- Pai... – ouviu uma voz difusa chamando-lhe ao longe – Pai... – estava cada vez mais próxima.

Kamus abriu os olhos e observou o rosto da filha curvado sobre o seu, os cabelos compridos e acinzentados caiam ao redor de seus rostos, formando uma espécie de cortina que os ocultava do resto do mundo.

- O que quer, Adhara? – ela endireitou-se, sentando-se ao lado dele na beirada da cama.

- Pensei que iríamos ao Beco Diagonal hoje, já que voltarei para Hogwarts nas próximas semanas e ainda não comprei meu material.

Kamus sentou-se também, observando a filha com interesse por alguns instantes.
Ela era pequena e frágil, assim como Anabelle, e também tinha as mesmas feições da mãe, mas os cabelos, lisos e cinzentos, e os olhos azuis escuros eram como os dele.

Adhara sabia que o pai estava vendo a falecida mãe através dela novamente. Levantou-se, irritada, e deu as costas para ele, não vivia para ser uma sombra de Anabelle Timms.
Ela cruzou o quarto e sua mão precipitou-se para a maçaneta da porta, foi quando sentiu dois braços envolverem-na por trás.

- Me desculpe, filha. – Adhara fechou os olhos, deixando-se ficar no abraço protetor do pai.

O silêncio reinou no aposento por alguns segundos até que Kamus interrompeu o contato e afastou-se.

- Vá se trocar, sairemos em meia-hora. – ele disse, sua voz recuperando o tom sério que lhe era habitual.

Adhara assentiu e saiu do quarto sem encará-lo. Caminhou rápido pelos longos corredores da casa, o coração apertado ao ver a tristeza do pai.


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