Parte I - O Príncipe Desencantado
- "Descreva as situações em que RECONHECIDAMENTE a magia defensiva
possa ser LEGALMENTE utilizada, pormenorizando os feitiços, contrafeitiços e
contra-azarações recomendadas em cada caso específico". - Sobre sua cama,
Selune lia em voz alta pela sexta vez a tarefa passada por Umbridge, a
terrível, já completamente deitada, tamanha a motivação que a fazia ainda
insistir em completar a primeira linha do total de cinco pergaminhos
solicitados.
- Ah, Merlin, sir vouz plâit! Serrrá que "ser
perrrrseguida por Comensais que querrem te lançarrr um Crrrucius" é uma
boa situação? Claaaro que non, Comensais non mais existem hem-hem. - fez uma
careta - Coisa mais inútil...
Aos pés de sua dona, um felpudo gato preto ronronava enroscado, como
quem sonha algo felinamente divertido.
- Lucky, meu amor, bem que eu iria adorar um dia de gato, tão livrre de
qualquer amarra, miando feliz pra lua... Andando elegante, na boemia de suas
vontades pelo pátio, pela floresta e todo e qualquer canto de Hogwarts... Ei!
Isso ia ser très interessant, d'accord?
O gato se movimentou um pouco, esticando as pernas preguiçosamente.
- Vejamos o que mais... Histórria da Magia... ai, mais guerras dos
duendes... "... à maioria dos bruxos, esse conflito parecia uma missão
impossível de conciliação de interesses..." Ah... hihi... misson
impossível só se você não tiver uma equipe como a nossa. Bem feito pro Bolhão!
Eeeeca! - um arrepio de nojo percorreu toda a espinha da garota.
Após um longo suspiro, a menina fechou os livros, guardando-os junto aos
pergaminhos e penas outrora espalhados sobre a cama numa mochila. Esticou as
pernas e, num muxoxo de franco desânimo, os pés descalços a adquirir vida
novamente. Fechou os olhos. Talvez em algum lugar dos sonhos, sua cabeça se
abrisse em respostas para todas as questões existenciais, e, se sobrasse um
tempinho, para as tarefas escolares também.
Diante de seus olhos, cenas iam passando como em um flashback: Lucky
dormindo, o Bolhão derretendo, Herman e seu sorriso na festa, Lucien e seu
comportamento estranho também na festa. Tudo tão rápido, que mal se apercebera
destas primeiras imagens, já outra se formava, nítida como se fora real:
descalça, Selune caminhava em um campo florido, adornado de cores e cheiros de sua
infância. Ao fundo, mãos invisíveis executavam tristemente Claire de Lune ao
piano. Tudo ali lhe era estranhamente familiar, reconhecia cada flor e pedra
que via no caminho; a exceção, porém, se dava no repentino pulular dos cravos
amarelos, agora surgindo aos montes ao seu entorno. Ela caminhava mais
apressada.
Mais adiante, no fim da pequena estradinha, um bebê alvíssimo
engatinhava em direção a um livro que estava sobre um pequeno monte de terra,
seus cabelos quase brancos ofuscando parcialmente a visão. Na capa, algo
conhecido: um garoto, cercado de estrelas e pássaros, num minúsculo planetinha
parecia divisar a imensidão do universo, desejoso.
- "O Pequeno Príncipe". – para Selune a mais delicada forma de
dizer que é preciso cuidar de quem se ama. - "Tu te tornas eternamente
responsável por tudo aquilo que cativas". Dizê-la em voz alta fazia com
que a frase adquirisse ainda mais peso. Lembrou-se de seus amigos, de todos que
acreditava amar e ainda não pudera dizer o quanto.
Sem saber porque, obedeceu ao impulso de correr até o pequeno;
colocando-o no colo, começou a folhear a encadernação luxuosa. A cada página,
um rosto que reconhecera como sendo o seu se movia a contar uma história, asua
história. O casamento de seus pais, a viagem deles ao Japão, seu nascimento.
Todos sorriam, e acenavam com alegria.
Subitamente, aqueles olhos que julgava conhecer se tornaram sombrios,
enquanto a imagem de seu pai desaparecia, primeiro um borrão e, depois, um
lugar vazio, como se nada jamais houvera estado ali.
Cada vez mais depressa, as páginas começaram a virar barulhentas, seu
próprio rosto a observá-la tristemente. Aos poucos, via a si mesma assumir no
olhar um tom malicioso, seus lábios crispando num esgar estranho, cinzento.
Arremessou o livro para longe, mas ao invés de cair, ele ergueu-se a
altura de seu rosto, descrevendo um movimento complexo e começou a girar, e
girar, e girar, embalado pela gargalhada do bebê que assistia a tudo agarrado a
suas vestes. Num estalo ensurdecedor, o livro tornou-se uma fumaça esmeralda:
uma caveira como uma cobra na boca.
- Priout! Priout acorda!
Selune via-se apertando os pulsos de Lavender Brown, olhos banhados em
lágrimas, tremendo como se houvera sido congelada. - Foi um sonho... Foi...
- Tá tudo bem? - Lavender a olhava para a menina como quem observa algo
bastante exótico.
- Onde está o Lucky?
-Quem? Acho que ela está com febre. - Pavarti observa a menina com o
mesmo olhar.
- Meu gato... estava agora... ah, não... também ele... eternamente
responsável! Lucky!
De um pulo a garota saiu correndo, descalça, dormitório afora, sem
maiores explicações.
- Dias definitivamente estranhos esses de hoje... Que falta a professora
Sybill faz! - suspirando, as amigas se entreolhavam partilhando o mesmo olhar
dos dotados de terceira visão: o mundo estava sombriamente perdido.
Infelizmente, ao menos nisso elas tinham razão.
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Parte II - Desconstruindo a Megera
Mina mordeu a pena de leve, encostando a cabeça à poltrona e fechando os
olhos. Deitada quase junto a ela, estava Freyr. A gata levantou a cabeça,
observando a dona. A garota voltou a abrir os olhos quando ouviu o ronronar
suave da gata e, distraidamente, acariciou a cabeça dela, antes de se voltar
novamente para o pergaminho que tinha diante de si.
- Eu desisto. Não tô com paciência para fazer os deveres da megera
agora. - ela sussurrou para si mesma, percorrendo com os olhos a sala comunal
dos leões.
Não muito distante dela estava Meridiana. A ruiva estava lendo,
concentrada. Mina estreitou os olhos, tentando ver o título do livro que a
outra garota segurava.
- A megera domada? - ela murmurou novamente para si mesma - Bem... Isso
me deu uma idéia... O que acha Freyr?
A gata piscou os olhos, voltando a abaixar a cabeça. Mina sorriu,
estalando os dedos, e puxou outro pergaminho para si, escrevendo rapidamente o
que lhe viera à cabeça. Quinze minutos depois ela levantou-se, enrolando o
pergaminho e caminhando até a poltrona da quintanista.
- Meridiana?
A ruiva levantou a cabeça, observando a garota parada a sua frente.
- Olá, Mina. Como está?
- Bem. É... Eu queria que você lesse uma coisinha...
Mina estendeu o braço, entregando o pergaminho a Meri. Antes que a outra
pudesse perguntar o que era aquilo, uma garota apareceu vinda das escadas que
levavam aos dormitórios femininos. Mina observou com curiosidade a loirinha que
se aproximava delas, puxando pela memória até reconhecer Selune Priout.
- Meri, você viu o Lucky? Ele desapareceu de novo...
- Não, Sel, pelo menos por aqui eu não o vi.
Selune assentiu com a cabeça e deixou, apressada, a sala comunal,
parecendo bastante preocupada. Mina sorriu levemente.
- Quem é Lucky?
- O gatinho da Sel. - Meri respondeu, abrindo o pergaminho, deparando-se
com a letra pequena da quartanista - Não é à toa que você usa óculos... Vê o
tamanho dessa letra!
Mina, entretanto, não estava prestando atenção. Na verdade, os olhos
dela agora estavam fixos sobre a almofada onde, até alguns instantes atrás, sua
gata Freyr estivera descansando.
- Ai, não, Merlin, por favor, não faça isso comigo... - a garota
sussurrou para si mesma.
- O que foi? - Meri perguntou, levantando-se.
- Freyr também desapareceu... Aquela gata doida! Hagrid disse que ela
tinha que descansar ou poderia ter um parto prematuro... Droga, droga, droga!
E no segundo seguinte Mina saiu praticamente correndo da sala comunal.
Vendo o desespero de Mina com o sumiço de Freyr, Meri intencionou seguir
a menina, mas ao mesmo tempo seus olhos não conseguiam desgrudar do pergaminhos
que Mina lhe passara. Aquilo era bom demais para ser verdade! Mina que a
desculpasse, mas a ruiva precisava mostrar aquilo para o Herman o mais rápido
possível
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Parte III - Invasão de Provacidade
Meridiana subiu apressada as escadas que levam aos dormitórios
masculinos da Grifinória. Ela realmente precisava mostrar o texto de Mina para
Herman. O amigo ia delirar quando batesse os olhos naquilo.
A garota estava tão empolgada que nem se lembrou de bater na porta do
quarto do amigo como sempre se acostumou a fazer quando ia procura-lo ali.
Antes tivesse batido...
Meridiana parou estática na entrada do quarto. Enquanto um Herman, só de
cuecas, rosto completamente roxo de vergonha, pegava uma toalha que se
encontrava em cima da cama para se cobrir.
- Meri!!!!! Você não sabe bater não??? Eu não sei de quem foi a idéia
idiota de que as meninas podem entrar a qualquer hora no nossos dormitórios,
enquanto nós nem conseguimos pisar no primeiro degrau da escada de vocês. Nós
também merecemos privacidade, sabia? – o garoto estava visivelmente nervoso.
- Eu...eu... vou te esperar do lado de fora... – falou a menina, ainda
em estado de choque pelo embaraço da situação.
Do lado de fora do quarto do amigo, enquanto esperava Herman terminar de
se trocar, Meridiana já recomposta se atinou para um curioso detalhe: a cueca
do Herman era uma samba-canção amarela cheia de morcegos pretos estampados. Uma
cueca do Batman! A garota começou a rir sozinha, quando o amigo apareceu de
repente.
- O que foi? – ele olhava para ela espantado – O que foi?
- Herman, fala a verdade, o escândalo todo foi por que eu te vi de cueca
ou por que eu te vi com AQUELA cueca?
- Er... Meri... Você não vai contar para ninguém, vai? Quer dizer... Eu
ia ser a chacota da escola... O pessoal já me vê como um nerd trouxa esquisito,
se descobrirem que eu uso cuecas com estampas de super-heróis ia ser o fim da
picada... Os meninos já me prometeram segredo...
-Hum... Acho que vou pensar no seu caso. Não sei se compensa mais
guardar esse segredo ou ver a cara da Selune quando eu contar esse babado para
ela.
- Meri, por favor... – o rapaz começava a ficar desesperado – Não faz
isso comigo não! Com a Sel não! Ela vai me achar um idiota... e... e...
- Relaxa, Herman. Eu nunca faria isso com você. Você é um dos meus
melhores amigos. Meu irmãozinho nerd trouxa e esquisito, como você mesmo diz...
- Meri, magoa, mas não humilha...
A ruiva soltou outra gargalhada.
- Agora é sério, ninguém nunca vai saber. Prometo! Palavra de honra de
Meridiana Johnson! Embora aquela cena vai ser um dos momentos mais inesquecíveis
da minha vida.
- Tá bom, eu aceito sua palavra. E também peço desculpas, acho que fui
meio grosso com você.
- Sem problemas. Eu devia ter batido na porta. Mas é que eu estava tão
ansiosa para te mostrar esse pergaminho que nem lembrei de bater.
- É coisa séria?
- Sim e não. Mas é sensacional!
- Então vamos para a Sala Comunal e lá eu posso ler com calma.
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- O que achou? – perguntou a ruiva, ansiosa.
- Estou sem palavras! Isso é tudo e mais um pouco do que eu gostaria de
falar sobre a sapa velha. Você sabe o tipo de repercussão que isso teria na
escola se os demais alunos lessem?
- Como não? Ia ser mais uma arma de resistência, um bálsamo para a
tirania que aquela megera enrugada e falsa nos submete.
- Eu preciso publicar isso no meu fanzine! Quem foi que você disse que
escreveu esse texto?
- Mina McFusty. Aquela quartanista de óculos, cabelos castanho, tímida,
sempre com um livro debaixo do braço.
- Você acha que ela vai me deixar publicar o texto?
- Sinceramente eu não sei, Herman. Nem sei se eu poderia ter te mostrado
isso.
- Pois se ela não quiser, eu vou tratar de convence-la. O texto é bom
demais para ficar guardado em uma gaveta.
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Parte IV - Para tudo há uma estação
Selune já havia procurado em todos os cantos que sua mente em estado de
quase desespero lhe permitia imaginar. De cercas vivas e buracos na parede de
pedras, em arbustos suspeitos e na cozinha. Fora mesmo ao lago, ainda que algo
em sua cabeça levemente insinuasse que gatos e água não são uma equação das
mais corriqueiras. Seus pés estavam sujos, repletos de pequenos cortes e
arranhões que ela sequer notava, tão imersa em preocupado pensar.
Exausta, tendo esgotado todas as possibilidades, assentou-se à beira da
fonte, para organizar o pensamento. Olhou para o céu num movimento
semiconsciente. No alto da torre, o enorme relógio trabalhava, solitário e
persistente em seu movimento de ir sempre adiante, onde quer que isso fosse.
Lembrou-se do dia que sua infância se deu conta do quão inexorável é o passar
dos anos. A história de sua família deixara sinais na face e no coração de sua
avó Victória, na sua mãe, e também nela, agora ela percebia. O tempo e suas
marcas fizeram a pauta de uma das conversas mais interessantes e inconclusivas
sobre essas coisas que a humanidade não compreende. E, de extra, gerou também
uma estrofe de poema, uma das primeiras de tantas outras que Selune
"escreveu": Tempo, tempo, que incansável passa/ Que confere e toma
dos dias a cor/ Doa à vida saudosa graça/ e ao verde fruto o maduro sabor! /
Ouça meu pedido, tempo amigo: /que eu ande sempre a seu favor, / que jamais me
perca a sua caça!
- Perda de tempo seria ter eu te procurado em todos os lugares em que
você não estava?
De repente, tudo pareceu claro: havia procurado em todos os lugares,
menos o mais óbvio!
Saiu desabalada, imaginando que o tempo é senhor de si e se ajusta em
momento específico para que cada pequena coisa floresça. Na escadaria rumo à
torre dos leões, tropeçou em Longbotton, que, distraído, acabou por descer os
quatro degraus restantes sentado: quicando.
- Pardon moi, Neville! Non consigo divagarr e correr ao mesmo tempo com
eficácia! Pardon moi!
- Ah, tudo bem... eu acho – o garoto continuava sentado nos degraus, os
quartos ainda doloridos com as sucessivas pancadas.
Na sala comunal, mal notou os olhares dos poucos que ainda estavam por
ali, curiosos com a menina que chamava por algo que parecia ser um amuleto de
sorte**, verificando, ao mesmo tempo, almofadas, livros espalhados, pés sobre
poltronas, a lareira.
Selune parou de repente, olhando fixamente para algum lugar próximo à
janela do outro lado do salão. Apertou os olhos e então notou: Lucky dava um
passo em sua direção e retrocedia dois rumando para as costas da poltrona.
Repetiu esse movimento, miando sem trégua, por algumas vezes, até sua dona se
agachar a seu lado. Atrás da poltrona, um gato fêmea miava baixinho, o abdome
dilatado, arfante.
- Lucky, ela é sua amiguinha? Ela está em trabalho de parto... Mon Dieu,
temos que levá-la ao Hagrid e... – Selune olhou uma vez para gata, para barriga
da gata e o jeito atipicamente ansioso de seu felino - Lucky, você vai ser
Père*? Mon Dieu! - Selune assentou-se, a boca pronta a meio caminho de dizer
algo que teimava em não sair. Mal teve tempo de processar seu espanto: a gata
soltou um miado agudo de dor e, de um salto, pulou para o parapeito da janela.
- Mas o que está acontecendo? Eu ouvi...? Freyr! – Uma garota de óculos
e olhar preocupado acabara de cruzar pela entrada do salão comunal. Era Mina
McFusty, que se dirigia apressada para onde tudo acontecia. - O que houve?
- Acho que ela está com dorrr... Vai darrr à luz, eu acho, filhotes do
mon Lucky, eu... acho. Ela é sua? – Selune coçava a cabeça, entre sem ação,
preocupada e levemente constrangida.
- É sim. Será que ela vem comigo? – Mina se aproximava lentamente da
gatinha, que, arredia, arrastava-se para o lado oposto. – Freyr, venha cá, por
favor...
A gata, sem ter mais para onde escorregar, pareceu reunir o restinho de
suas forças para dar um salto e prender-se ao suporte da tapeçaria na parede
lateral.
Sem pensar duas vezes, Mina se encarrapitou na janela, tentando, em vão,
chamar para si a assustada gatinha.
- Freyr, por favor... - Mina pediu mais uma vez, tentando ficar na
pontinha dos pés para alcançar a gata, que cada vez mais se encolhia contra a
parede.
Selune observou a garota se esticar toda sobre o reduzido espaço do
parapeito da janela, enquanto apoiava todo o peso de seu corpo contra a parede
e tinha as duas mãos soltas, seguras no alto da tapeçaria onde a gatinha negra
se escondera. Mina levantou uma perna, balançando-se para a esquerda, enquanto
se apoiava agora apenas com a ponta do pé esquerdo.
Finalmente conseguiu trazer Freyr para seus braços, mas no momento em
que acomodou a assustada gatinha em seus braços, Mina perdeu completamente o
equilíbrio e seu corpo curvou-se para trás.
Ela fechou os olhos, tentando proteger Freyr, enquanto esperava pela dor
que certamente sentiria ao bater com as costas sobre o chão de pedra.
Mas a dor não veio e, ao reabrir os olhos, percebeu que ela estava
flutuando levemente no ar e Selune tinha a varinha apontada para ela. Mina
sentiu seus pés tocarem suavemente o chão e voltou-se para Selune a fim de
agradecê-la. Antes, porém, que o pudesse fazê-lo, percebeu que sua camisa
estava começando a se empapar com... sangue?!
- Pelo amor de Merlin, vamos ao Hagrid rápido... - ela pediu com a voz
trêmula, aninhando a gata contra o peito, que tingia-se cada vez mais de
vermelho.
* Père – pai em francês
** Lucky, em inglês, quer dizer “sortudo”. Daí o trocadilho.
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Parte V - Catz
Selune observava em silêncio Hagrid encaminhar Mina e a pequena Freyr,
que se agarrava fortemente às vestes de sua dona, para sua enorme e gasta
poltrona. Como a gata não queria se soltar da menina, a solução era que ela
parisse os filhotinhos no colo de Mina. A gatinha, miando baixinho e dolorido,
deitou-se de lado, apoiando as costas na barriga quente e aconchegante de sua
dona, procurando uma posição confortável para dar à luz aos filhotes.
- Hagrid, o que fazemos agora? -, perguntou Mina, bastante preocupada.
- Nada, minha querida. Vamos apenas observar. As gatas geralmente têm
seus filhotes sozinhas; se ela precisar de alguma ajuda, estarei a postos.
Selune voltou-se par Mina, simpática, mas ainda nervosa com a situação.
- Non tivemos tempo de nos apresentar com essa confuson. Agorra que
vamos se “parrentes”, acho que é o mais apropriado, non? Eu sou Selune Priout.
- Me chamo Mina McFusty – disse a quartanista, se mexendo levemente
incomodada na poltrona, depois de um pequeno espasmo vindo da gatinha em seu
colo.
- E com esse moço aqui, o que vamos fazerr?, -perguntou Selune,
voltando-se para o professor de Trato de Criaturas Mágicas, a mesmo tempo em
que tentava pegar Lucky no colo. Mas o gato escorregou de suas mãos e ficou
andando de um lado para o outro, miando sem parar para Freyr.
- Acho melhor tirá-lo daqui, - respondeu Hagrid, sério. - Ele está muito
nervoso, pode atrapalhar o parto...
- Coitadinho, são os filhos dele... - murmurou Mina.
- Mas acho que serrá melhor assim, Mina. Vamos, mon chére, esperre lá
forra; quando todas as crianças tiverrem nascido, deixo você entrar de novo -,
disse Sel, penalizada e preocupada, enquanto abria a porta da cabana de Hagrid
e soltava Lucky na escuridão.
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- Meu, gato, to te miando sério... Tem um babado sinistro aqui em Hoggy,
e deve ter a ver com aquela mulher horrível, tá ligado?
- Sem dúvida, Bichento, sem dúvida!, - exclamou Jack, irritado, de
orelhas murchas. - Caso contrário ela não conseguiria, veja só, retirar Alvo
Dumbledore da direção!
- E como será que aquele trubufu fez isso? Pôs alguma porcaria no rango
do Barbaça?
- Veja lá como fala de Dumbledore, Bichento. Mais respeito. Não sei,
deve ser algo pior do que isso. Minha Raven acha que aquela mulher é ligada aos
Comensais da Morte...
- FFFSSSSSSS, meu, mia sério!!! Cumé que tu me solta uma coisa dessas
sem avisar?? - exclamou Bichento, arrepiando os pêlos das costas e do rabo.
Ninguém merece!!
Jack ia se justificar, mas outro felino se aproximou de mansinho. Era
Venom, o gato meio doido de Katarina Star.
- Olá, gente, beleza? Ei, onde anda o Lucky? Não o tenho visto direito,
e faz muito tempo que não saímos juntos para paquerar as gatinhas... Estou
preocupado!
- Esquenta não, maluco, ele deve tá enrabichado por alguma felina
maneira... Porque o Lucky é assim: captou a felina, cai matando! Não é que nem
certos gatos que só olham pra ontem, eh, eh, eh, eh, eh! - comentou Bichento,
rolando na grama, morrendo de rir.
- Verdade, Bichento? E quem é esse gato idiota?- perguntou Venom,
balançando a cabeça.- É alguém que eu conheço? Pára de rir e fala! Ih... Jack
você sabe quem é?
- Deixe de ser curioso, Venom! Que coisa! - miou Jack, irritado,
cravando as garras na grama.
Bichento segurava a barriga e rolava, ainda rindo a valer.
- Hum, três rapazes juntos e risadas... Aposto que deve ser bobagem -
comentou alguém, num ronrom macio.
- Uau, princeeeesa!... - exclamou o gato de Hermione Granger, parando
subitamente de rir e rolar.
- Ah, boa noite, Felícia - disse Jack, satisfeito por a aparição da gata
cortar a palhaçada. - Desculpe a bobeira de Bichento; há gatos que crescem, mas
nunca deixam de ser filhotes...
- Deixe-o rir, Jack... Faz bem para a saúde. E você, meu amigo, feche a
boca ou vai perder a mandíbula...
- Ah, ops, foi mal - disse Venom, sacudindo a cabeça. - É que você
apareceu de repente e eu...
- Não tem problema. Estou procurando por minha amiga Freyr, vocês a
conhecem? Estive com ela pela manhã e não parecia muito bem; agora não a vejo
em parte alguma, estou preocupada!
- A gata que cê ta falando, princesa, é daquela guria de óculos da
Grifinória? A que escreve umas paradas escondidas? - perguntou Bichento.
- Isso mesmo! Você a viu hoje à tarde, ou por agora?
- Vi não, princesa, só lamento... Cê conhece a gata, Gordo?
- Já devo tê-la visto, mas não sei quem é. Não conheço bem os felinos da
Grifinória - respondeu Jack, preocupado, pois Felícia parecia agitada.
- Que engraçado, hoje todo mundo parece procurar por alguém - comentou
Venom, distraído. - Também estou à caça de meu amigo Lucky e não o acho...
- Ah, então é isso - ronronou Felícia, sorrindo. - Os dois devem estar
juntos, e assim fico mais sossegada...
- Juntos?!?
- Como um casal?!?
- Enrolando os bigodes?!?
- Ué, então vocês não sabiam? Lucky e Freyr estão juntos há um tempão...
Ela está até esperando filhotes!
- Caraca!!!
- Pelos bigodes do meu tataravô!!!
- Meu, que maneeeiro!!! E a criançada é para quando? - perguntou
Bichento, sorridente.
- Seriam mais para o final da semana, mas ela sente dores de vez em
quando... Ei, o que está acontecendo na casa do Hagrid? Abriram a porta e
depois fecharam logo em seguida...
- Esse miado... É do Lucky! E, por meus bigodes, aquele ali na porta não
é ele? - alarmou-se Jack.
Como que combinados, os quatro gatos disparam até a cabana de Hagrid,
onde, penalizados, viram o companheiro de pêlo negro arranhar desesperadamente
a pesada madeira da porta.
- Ma enfants! -, miava, nervoso. - Quero ajudar Freyr, quero ver ma
enfants, quero ver meus filhos!
- O que está acontecendo com ela, Lucky? - perguntou Felícia,
preocupada, aproximando-se.
- Ela entrou em trabalho de parto no meio do sala comunal da Grifinória,
quando estávamos conversando, Felícia. Minha dona e Mina tentaram ajudá-la e a
trouxeram até Hagrid. Eu estava lá dentro, queria participar do nascimento de
meus filhos, mas Selune me colocou para fora... Freyr! Freyr! Ma chèrie!!!!
O gato francês arranhava a porta da cabana, preocupado.
- Calma, meu amigo, calma, tudo vai dar certo - disse Jack, aparentando
calma para amparar Lucky. - Hagrid é especialista em animais mágicos, dará à
sua companheira toda a assistência necessária...
- Isso, meu, e as minas tão lá com ela, a gata não tá sozinha... Fica
frio, gato, daqui a pouco as crias tão berrando legal - concordou Bichento,
apoiando a pata no dorso trêmulo do amigo.
- Você vai ser papai, que maneiro! Eu também quero ter meus filhotes um
dia - sorriu Venom.
O apoio dos amigos fez Lucky ficar menos desesperado. Porém, a tensão
era grande entre os felinos, pois todos sabiam como era complicado para uma
gata um parto prematuro. Jack e Felícia ficaram ao lado de Lucky, enquanto
Bichento andava de um lado para o outro e Venom se lambia, nervoso. Depois de
minutos que pareceram uma eternidade, a porta da cabana voltou a se abrir,
revelando o sorriso de Selune.
- Pode entrar, mon chére, venha ver seus bebês... Oh, mas... Mon Dieu!
Em vez de apenas um gato preto, entraram de uma vez só mais um gato
laranja, outro rajado, um siamês balofo e uma gata parda que se postaram diante
da poltrona, mas um passo atrás, em sinal de respeito.
- Ma beau enfants! Ma chèrie! - ronronou Lucky, emocionado. Recostada na
poltrona, bastante cansada, Freyr repousava, enquanto quatro minúsculos gatinhos,
ainda sem pêlo e de olhinhos fechados, nela mamavam preguiçosamente.
- Por meus bigodes, que gracinha!... - murmurou Jack, às lágrimas.
Quatro belas crianças!
- É mesmo, são lindos!!! - exclamou Venom, saltitante. - Lindos!!
- Do caramba, meu, tô de cara - disse Bichento, sorridente. - Será que é
tudo princesinha ou tem sacudo também?
- BICHENTO!!!!
- Pô, aí desculpa, foi mal...
- Lucky, meu amigo, parabéns, suas crianças são lindas... Parabéns para
você também, minha amiga - ronronou Felícia. Freyr sorriu docemente. - Agora
vamos, não é mesmo? - prosseguiu Felícia, dirigindo-se aos demais gatos. - A
mãe e os bebês precisam descansar, e Lucky merece privacidade para conhecer
seus filhos.
Todos concordaram e, com ar solene, deixaram silenciosamente a cabana,
passando pela fresta da porta que Selune deixara entreaberta. Bichento e Venom
foram tagarelando na frente, animados; Felícia retardou o passo ao ver que o
siamês ficara para trás.
- O que houve, Jack? Algum problema? - ronronou, sorrindo.
- Hã, não é nada, Felícia - respondeu Jack, limpando com a pata uma
lágrima furtiva. - Foi só um cisco que entrou no meu olho, mas já passou...
Lindos bebês, não?
Felícia concordou, sorrindo, com um aceno de cabeça.
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Parte VI - Operação Fanzine
Herman e Meridiana ainda estavam sentados na Sala Comunal, quando Selune
adentrou o recinto seguida por uma Mina que parecia estar em estado de choque.
Meri acorreu até às amigas, bastante preocupada, pois as vestes da quartanista
estavam repletas de manchas de sangue escuro e quase seco.
- Mina, você está bem? O que foi? Que sangue é esse aí?
A menina não conseguia responder à avalanche de perguntas que a ruiva
lhe despejava. Foi então que Selune, com um enorme sorriso nos lábios, falou.
- Não se preocupe, Meri. A MacFusty está perfeitamente bem, apenas um
pouco... como se diz... atônita. E emocionada também.
- Como assim? E esse sangue todo?
- Não... não é meu... – falou a menina de óculos, esboçando as primeiras
palavras – São da Freyr, ela acabou de ganhar os filhotinhos... Eu ajudei...
Ela está no Hagrid.
- Oui. E sabe quem é o pai? Mon Lucky! Mon
Lucky est père!!!! Dá para acreditar? – Selune mal podia esconder a felicidade.
Meridiana suspirou aliviada, deu um sorriso e olhando de soslaio para
Herman, disse:
- Vem, Mina, vou te levar para tomar um banho e depois vamos voltar para
a sala comunal. Acho que tenho outra boa notícia para você esta noite.
A outra garota apenas assentiu, sem ter muita noção de onde realmente
estava. Tudo o que queria agora era descansar um pouco daquela tarde que fora,
no mínimo, estranha. Meri entrou com ela no dormitório do quarto ano e diante
da inexpressividade de Mina, ela mesma separou uma roupa limpa para a colega
antes de guiá-la até o banheiro.
Quinze minutos depois, quando saiu do banho, Mina já estava se sentindo
um pouco mais próxima da Terra. Tanto que foi capaz de voltar ao salão comunal
com Meri e se sentar com ela numa mesa próxima à janela. Selune, a essa altura,
já tinha subido para os dormitórios femininos para contar as novidades para as
demais meninas.
- Mina, - começou a ruiva, tirando da capa o pergaminho que recebera da
outra mais cedo – sei que eu deveria ter te perguntado primeiro, afinal você me
passou o texto na confiança, mas... Bem, a questão é que eu tinha que mostrar
para o Herman.
- Herman??? – Mina piscou os olhos, parando-os em um garoto que surgira
do nada e agora se sentava à mesa. Ou será que ele estivera ali o tempo todo e
ela não notara?
- Que falta de educação a nossa. Sou Herman Mercury. – falou o rapaz,
sorridente, estendendo a mão.
Mina arqueou as sobrancelhas e deu um sorriso fraco como cumprimento.
- Eu sei quem você é – ela respondeu finalmente – É o editor e escritor
do fanzine Palavras na Areia.
- Ex-editor e ex-escritor, a Umbrigde cancelou meu fanzine original logo
depois do lance com o Pasquim e a entrevista com o Potter. Ela não quer nenhuma
publicação interna em Hogwarts, feitas ou não pelos alunos, que possa ter
idéias diferentes das oficiais. Mas isso não quer dizer que eu desisti de
publicar. Fiz um novo fanzine. Um fanzine-manisfesto contra as crueldades que a
Sapa Velha nos submete!!!! É o Olho do Grifo. E é aí que você entra, MacFusty.
A quartanista estreitou os olhos.
- Desculpe, eu não estou entendendo...
-Eu quero publicar seu texto sobre a megera. É exatamente o que nós
precisamos para levantar os ânimos dos alunos. Para nos dar esperanças de que
Dumbledore irá voltar. Nós sabemos que ele vai voltar. Como você mesma diz em
seu texto, até a própria sapona sabe e pinga de suor, nervosa com essa
possibilidade. Nós só precisamos resistir até lá. E seu texto pode ser uma arma
nessa resistência!
A garota mordeu os lábios de leve.
- Bem... Eu não sei... Não gosto muito de me expor. E a idéia de deixar
toda a escola ler um texto meu não é muito agradável...
- Mina, - começou Meri, de modo calmo e doce – eu entendo o seu receio.
Apesar de nós nos conhecermos há tão pouco tempo, posso dizer que já te
considero uma amiga, e por isso mesmo eu nunca te colocaria em uma roubada,
nunca faria algo para te prejudicar. Você é uma escritora talentosa. È um
desperdício guardar seus textos no baú. Especialmente este.
- Mas, Meri, eu não quero que ninguém saiba que fui eu que escrevi
aquilo... Não só por causa da Umbridge, mas também porque eu realmente não me
sinto confortável de me expor tanto assim.
- Se esse é o problema, você não tem com que se preocupar. Ninguém vai
saber que foi você que escreveu. Além de usar vários feitiços de proteção e
camuflagem que impedem que a sapa velha ou qualquer um com mais de 17 anos
possa ler o fanzine, eu ainda tomei a precaução de usar codinomes para todos os
nossos colaboradores. Você precisa me deixar publicar aquele texto. Não foi
você mesma que escreveu VIVA QUALQUER INICIATIVA DE DOMAR E ACABAR COM A
AUTORIDADE DA SAPA? Esta é uma dessas iniciativas.
-Então está bem, - Mina suspirou, resignada, mesmo achando que iria se
arrepender daquilo depois. – pode publicar o meu texto.
Herman e Meri bateram as mãos um do outro em comemoração. Mina apenas
esboçou um leve sorriso. Estava cansada. Tudo o que desejava agora era cair na
cama e acordar bem cedinho no outro dia para visitar a sua gata na cabana de
Hagrid.
___________________________________
Epílogo - Procurando nomes
Os raios claros de uma manhã ensolarada adentravam tímidos pelas
pequenas janelas do casebre habitado pelo guarda-caças de Hogwarts próximo da
orla da Floresta Proibida. Hagrid não estava em casa. Saíra mais cedo com
Canino, seu fiel cão de caçar javalis. Mas antes permitiu a entrada das três
meninas em sua casa, partindo para o interior da floresta sem dar explicações
de onde ia ou o que estava prestes a fazer. Mas isso pouco importava para as
garotas. Provavelmente ele estava fazendo algo típico de seu trabalho como
guardião das chaves e das terras de Hogwarts. Algo como eliminar algum predador
que poderia estar importunado as criações de aves da escola ou qualquer coisa
do gênero.
O que realmente interessava a elas era uma bela gata negra e seus
filhotes, hóspedes da cabana de Hagrid desde a noite anterior. Freyr estava
deitava de lado em um pequeno cesto em um canto próximo da lareira. Seus quatro
pequenos bebês, duas gatinhas e dois gatinhos, mamavam nela com avidez. Lucky,
o orgulhoso pai da ninhada, esfregou suavemente o focinho na cabeça da
companheira.
Já as meninas estavam todas em silêncio, deitadas de bruços no chão da
cabana, observando, embevecidas, a cena. Eram Mina MacFusty, dona de Freyr,
Selune Priout, dona de Lucky, e Meridiana Johnson, amiga de ambas as garotas.
Depois do susto que passara no dia anterior, Mina parecia muito mais
tranqüila, até mesmo feliz ao ver todos aqueles lindos gatinhos, filhos de sua
amada Freyr. Selune também não se continha de satisfação.
- Sabe, eles são muito mais bonitos do que vocês duas comentaram. –
falou Meri – Vocês estavam sendo muito modestas quanto a eles, isso sim. São a
coisa mais linda que eu já vi.
- São mesmo, non são? – completou Selune, quase tão orgulhosa quanto seu
gato negro, o digníssimo pai daqueles filhotes.
- A gente tem que dar logo nomes para eles, não podemos ficar
chamando-os de bebês, filhotes ou coisinhas... - falou Mina, enquanto ajeitava
com a ponta do dedo os óculos que teimavam em lhe escorregar pelo nariz.
- D’accord. E digo mais, assim que escolhermos os nomes, acho que
deveríamos dar uma festa, uma espécie de chá de batizado... – sugeriu a
francesinha - Mas depois pensamos nisso. Primeiro as coisas primeiras: a
escolha dos nomes. Alguma sugestão?
- Sei que não sou dona de nenhum dos dois pais, mas, se me permitirem,
eu acho Selina uma nome legal para uma das meninas. É o nome da Mulher-Gato,
sabem, aquela personagem das histórias do Batman.
Mina e Selune olharam para Meri com uma cara do tipo não estou entendendo
nada, mesmo com a explicação da amiga. Ambas eram completamente bruxas em suas
origens e, apesar de Mina ter descoberto as delícias da literatura trouxa
graças ao sebo do Willie Caolho em Hogsmeade, quadrinhos definitivamente não
era a praia dela. O mesmo poderia ser dito de Selune.
A ruiva suspirou, resignada.
- Tudo bem, sei que vocês não conhecem a personagem e demoraria um
bocado para explicar a história dela toda, mas garanto que a Selina é muito
legal. Além disso, é só uma sugestão.
- Eu gosto de Loki – soltou a quartanista. – Adoro mitologia nórdica,
foi de lá que tirei o nome da Freyr. E Loki é um deus tão legal, mas tão mau
compreendido. O deus das trapaças, mas também das brincadeiras.
- Gostei...Bem, eu já pensei em talvez Chopin? Ou Chet? Por causa do
Chet Baker, outro músico que eu amo. Ou quem sabe Elise? Vocês sabem, de Pour
Elise, do Beethoven. Ou ainda Noir, Chloe e Salem ? – falou a loirinha, tecendo
uma lista enorme de possibilidades em pouquíssimos segundos.
- Calma, Sel – disse Meridiana rindo – Regula na enxurrada, nós só temos
quatro gatinhos aqui...
- Mas são todos nomes tão lindos...
- Eu concordo com a Selune. Acho que temos, então, um pequeno dilema
aqui. Que nomes vamos escolher? Acho que vamos mesmo precisar de ajuda para
batizar os gatinhos do Lucky e da Freyr.
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