Adhara estava sentada, sozinha, na grama que beirava o lago da escola.
Os raios de sol refletiam em seus cabelos, fazendo com que os fios cinzentos
parecessem levemente acobreados.
Repousado sobre o seu colo estava um caderno com folhas nuas. Ela
apanhou um lápis de dentro da sua mochila e, aos poucos, a folha branca ia
ganhando traços. Uma cópia da paisagem que Adhara vislumbrava estava tomando
forma naquele papel.
Passados vários minutos ela descansou o lápis e observou o desenho, a superfície
do lago fundia-se com as árvores que cresciam ao seu redor e as montanhas que
cercavam Hogwarts ao longe. Deu-se por satisfeita com o desenho e guardou a
folha no meio do caderno, então levantou-se, jogando a mochila sobre o ombro.
Adhara começou a traçar seu caminho de volta para o castelo, mas uma folha
desprendeu-se de seu caderno e caiu sobre a grama. A garota virou-se para
apanhá-la, mas viu que alguém já o havia feito.
Um jovem rapaz segurava a folha de seu desenho recém terminado. Ele era
pelo menos uns vinte centímetros mais alto que Adhara, tinha um rosto sério,
com traços fortes e bonitos. Os cabelos negros e lisos deixavam alguns fios
caindo sobre os olhos de um tom verde muito claro. Foi somente pelos olhos que
a sonserina conseguiu reconhecer Trowa Barton, seu primo estava muito diferente
do que ela se lembrava.
Trowa não a encarava, estava ocupado examinando o desenho.
- Foi você quem fez?
- Não. É de uma amiga minha, ganhei de presente. – ela mentiu, não
gostava de dividir seus desenhos com outras pessoas.
Trowa desviou os olhos para ela.
- Está mentindo. – ele estendeu a folha para a garota – O traço é leve e
delicado, parecido com a sua letra, sem dúvidas foi você quem desenhou isso.
Adhara pegou a folha e guardou-a novamente no caderno, aborrecida,
deveria saber que Trowa perceberia sua mentira, era muito difícil enganá-lo.
- Está com o horário vago?
- Sim, a Profa. Vector cancelou a aula da Aritmância, parece que não
estava se sentindo muito bem. – ela fechou a mochila onde havia acabado de
guardar o caderno – E você?
- Acabei de ter aula de Herbologia.
Adhara levantou a cabeça e percebeu que vários sextanistas da Grifinória
estavam vindo, aos trios e pares, da direção das estufas. Um grupo de garotas
cumprimentou Trowa com sorrisos, mas ele não lhes deu atenção. O rapaz esperou
até que todos os seus colegas tivessem passado para voltar a caminhar, fazendo
um convite mudo para que a prima o acompanhasse.
Andaram lado a lado sem dizerem nada até que Adhara, cansada daquele silêncio,
resolveu iniciar uma conversa qualquer.
- Faz tempo que eu não te vejo. – ela disse tentando parecer casual.
- Vi você de relance em King’s Cross, no dia o embarque. A tia Mira
também estava lá.
- É, ela foi falar comigo... E os seus pais, como estão?
- Estão bem. Quatre está estudando no oriente.
- Eu soube. Ele se formou como auror no ano passado não foi?
- Retrasado. – Trowa a corrigiu.
- Isso, sabia que era por essa época. E você já pensou no que vai fazer
depois de Hogwarts?
- Não, mas também consegui N.O.M.s para ser auror. – ele olhou Adhara de
relance – Imagino que você queira seguir essa carreira.
Ela assentiu. Os dois passaram pelas portas de carvalho, andaram em
silêncio pelo hall de entrada e subiram alguns degraus da escadaria de mármore.
Ao chegarem na bifurcação da escadaria, Adhara virou-se para ele.
- Tenho História da Magia agora.
- Eu vou para a ala de Transfiguração.
- Então nos separamos aqui... Até outro dia, Trowa.
Ele despediu-se com um aceno de cabeça e seguiu pela escadaria da
esquerda, Adhara ainda observou o primo distanciar-se até desaparecer pelo
corredor. Ela subiu a escadaria da direita e cruzou o longo corredor repleto de
armaduras que rangiam até chegar na sala de História da Magia, onde sentou-se
numa das últimas carteiras. Quando todos os alunos estavam presentes o Prof.
Binns recomeçou seu extenso falatório sobre a guerra dos bruxos contra os
gigantes.
Adhara preocupou-se em ouvir o discurso do fantasma apenas por alguns
instantes, então abriu a mochila, apanhando o lápis e uma folha em branco de
pergaminho. Logo o rosto de um rapaz começou a tomar forma em seus desenhos.
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