Adhara observava de forma apática os inúmeros estudantes que circulavam pela Plataforma 9 ¾, a locomotiva vermelha que a levaria de volta para Hogwarts estava parada a sua frente, expelindo nuvens de fumaça cinzenta pela chaminé. Foi tirada de seu torpor por uma mão que repousou em seu ombro, virando-se, percebeu que o pai a estivera observando.
- É melhor você entrar e pegar uma cabine. – disse Kamus.
Adhara assentiu e voltou-se para o trem, já empurrando seu carrinho na direção dele, mas foi distraída por passos ligeiros que vinham em sua direção, olhando para o lado direito ela viu que uma senhora imponente vinha ao seu encontro, ela parecia já ter passado dos cinqüenta anos, mas mesmo assim ainda conservava certa beleza e altivez.
- Katrine, minha querida, – disse a senhora, abraçando a garota – como é bom revê-la!
Adhara não correspondeu ao abraço da avó, na verdade não gostava quando Mira Barton Timms a abraçava daquela maneira, porém nada disse até que a senhora se afastasse dela.
- Senti muito a sua falta, minha querida, é uma pena que não tenha aceitado o convite para passar as férias comigo, poderíamos ter ido à Copa Européia de Quadribol, Heike conseguiu ingressos no camarote de honra.
- Eu já lhe disse que não poderia ir, vou prestar o exame para os N.O.M.s este ano e os professores passaram muitos deveres para as férias, estava muito atarefada. – respondeu Adhara.
Mira sorriu antes de responder.
- É claro, meu bem, é claro. – mas apesar do sorriso e das palavras ela não aprecia estar muito convencida. Ela empertigou-se e voltou o olhar para Kamus, encarando-o com altivez – Como tem passado, Kamus?
- Muito bem, Mira. – ele respondeu num tom um pouco mais frio do que o necessário. Adhara observou o pai e avó por alguns instantes, sabia que eles não tinham o melhor dos relacionamentos, nenhum dos dois nunca fizera questão de esconder isso dela. Mas, de qualquer jeito, isso era algo que não lhe importava.
- Vou guardar a minha bagagem no trem, com licença. – ela disse, já empurrando o carrinho onde levava seu malão e a gaiola de Valkíria.
- Ela está crescendo tão rápido, a semelhança com Anabelle é cada dia mais perceptível. – Mira comentou enquanto observava a neta entrar no Expresso – Mas ela ainda se parece por demais com você, Kamus. – completou com desagrado.
- Era de se esperar que Adhara se parecesse comigo, afinal ela tem o meu sangue.
- E o meu também. – Mira voltou-se para encarar Kamus – Por isso eu lhe comunico desde já que a minha neta irá passar as férias de natal com a minha família.
Kamus estreitou os olhos na direção de Mira e a encarou, impassível, por alguns segundos.
- Ela irá, se esse for o desejo dela.
- Isso se você não obrigá-la a ficar em sua casa! Ou você acha que eu acreditei nessa história fajuta de que Katrine preferiu passar as férias trancafiada naquele casarão, fazendo deveres e tendo apenas a companhia de um bando de elfos domésticos ao invés de ir assistir a Copa Européia de Quadribol com a minha família?
Kamus permaneceu em silêncio, era verdade que Adhara havia recebido um convite da avó logo no começo de julho para assistir à Copa Européia de Quadribol junto com a família Barton e passar o restante das férias na casa dos avós, mas quando foi consultar a filha para saber qual decisão ela havia tomado Adhara lhe disse que já enviara uma carta para a avó recusando o convite, preferia passar as férias naquele casarão, onde poderia descansar mais à vontade, ao invés de ficar hospedada com os Timms. Adhara gostava muito de quadribol, mas não estava disposta a passar as férias longe de casa.
- Logo se vê que você não sabe nada sobre a sua neta, Mira.
Mira foi impedida de responder por Adhara, que aproximava-se deles, já livre do carrinho e de suas bagagens.
- Já está tudo arrumado, vim me despedir.
Mira sorriu com carinho para neta e aproximou-se dela, abraçando-a novamente.
- Tenho um bom ano letivo, minha querida, escreva-me assim que puder. – afastou-se um pouco de garota – Se precisar de alguma coisa basta procurar o Trowa, tenho certeza que seu primo poderá ajuda-la. – Mira depositou um beijo na testa da neta e então retirou-se.
Adhara levantou o olhar para Kamus e ambos observaram-se por alguns segundos, até que a garota resolveu se aproximar do pai, abraçando-o pela cintura de uma maneira um tanto desajeitada.
Kamus, embora um pouco surpreso de início, logo envolveu as costas da filha com os seus braços e repousou o queixo sobre cabeça dela. Foi então que ele reparou que Adhara tinha um suave perfume de magnólias, o mesmo perfume presente na manta escura que estava envolvendo-o aquela manhã, quando ele acordou no escritório.
Separaram-se apenas quando o apito do trem soou, indicando que o Expresso estava prestes a partir. Sem dizerem mais nada um ao outro, Adhara embarcou na locomotiva que a levaria para mais um ano em Hogwarts, mas não sem antes dirigir um pequeno sorriso para o pai.
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