Saturday, July 20, 2013

Muito Barulho por Nada

Mina fechou a porta do dormitório com estrépito e largou os livros em cima de sua cama. Definitivamente, não começara o dia muito bem. Primeiro a carta de seus pais, avisando que, para variar, eles não estariam em casa no feriado. Segundo, perdera o almoço. Finalmente, a caminho da aula de Umbridge, um esbarrão numa sonserina.

- Realmente, se existe algum deus acima de nós, ele não deve gostar de mim...

A garota se sentou na cama e puxou um dos cadernos para si, sem se importar com o fato de estar faltando na aula de DCAT. Nunca ia aprender nada com a sapa velha mesmo, por que perder tempo na sala dela?
Foi quando ela percebeu que havia alguma coisa faltando ali.

- Ai, Merlin, os rascunhos de Relicário!

Quando tropeçara na sonserina, o material das duas, fora ao chão. Provavelmente a outra tinha ficado com os seus pergaminhos.
Mina se largou na cama, fechando os olhos. Tinha que reaver sua história antes que espalhassem-na pela escola. Precisava descobrir quem era a sonserina e torcer para que ela não tivesse percebido que ficara com os seus rascunhos.

- Os deuses realmente não devem gostar de mim...


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Depois de uma manhã de aulas exaustivas, Mina seguia pelos corredores, com cara de cachorro abandonado. Vira a morena sair da mesa das serpentes no café da manhã para ir à mesa da Corvinal. E, mais do que qualquer outra coisa, vira quando ela tirara seus pergaminhos da bolsa e entregara a outra garota.

A dor de cabeça que a acompanhava já há algumas semanas parecia se intensificar. Era realmente só o que faltava agora, “Relicário” ia andar por Hogwarts toda naquele ritmo e isso era tudo o que ela não queria.

Tão absorta vinha nesses pensamentos que não notou quando uma turma passou por ela conversando animadamente. Não até ouvir um fragmento de conversa que envolvia as palavras "uma história de vampiros".

Rapidamente se virou, percebendo que estava no meio de uma turma de corvinais. Mas não sabia de onde viera a voz. Ótimo... Agora tinha que perseguir uma voz sem rosto também para reaver seus pergaminhos... Oh, pesadelo!

Por alguns instantes, a garota imaginou se não seria uma boa idéia simplesmente jogar um Imperio na sonserina que roubara seus esboços. Depois, quem sabe, um "Obliviate", e ninguém mais se lembraria do que estava escrito naqueles pergaminhos.

De repente ela se viu jogada no chão por uma verdadeira muralha que aparecera na sua frente. Ah, deuses, aquilo era carma! Era a segunda vez que tropeçava em um sonserino naqueles corredores! Só que, dessa vez, para piorar, seus óculos caíram. Mina se abaixou, tateando o chão.

- Ora, ora, ora, o que temos aqui? - veio uma voz masculina acima de sua cabeça - A pobre garotinha está cega... Procurando isso aqui, MacFusty?

Ela quase se surpreendeu ao descobrir que aquela víbora sabia seu nome. Bem, os MacFusty eram famosos por lidar com dragões. E por ser uma família de puros sangues bem tradicional.

- Devolve isso aqui, Malfoy.

Apesar de tudo parecer um borrão, Mina podia ver o loiro balançar a fina armação negra de seus óculos e percebeu também que a turma de corvinais pela qual passara tinha parado para observar a confusão.

- E se eu não quiser?

Mina procurou a varinha nas vestes, disposta a acabar com a raça daquele maldito sonserino. Antes que pudesse fazer isso, porém, um dos vultos corvinais entrou em seu campo de visão.

- Já chega, Malfoy. – disse Isaac pegando a varinha e apontando-a para o sonserino – Devolva os óculos da garota.

Malfoy encarou Isaac com arrogância.

- E quem irá me obrigar? Você, Cyan, o nobre defensor das pobres menininhas cegas?

Mina fechou os punhos, irritada, quem aquele rato albino estava chamando de pobre menininha cega?

- Minha intenção não era arrumar briga, Malfoy, mas se você quiser resolver isso num duelo tanto melhor, já faz tempo que eu ando procurando um motivo para desfigurar essa sua cara desbotada. – Isaac estava anormalmente sério, a varinha apontada para o meio dos olhos de Draco.

Malfoy desviou o olhar de Isaac e encarou a turma de mais ou menos meia dúzia de corvinais que observavam a confusão um pouco afastados, sem Crabbe e Goyle por perto ele estava em clara desvantagem.

- Felizmente para você eu não tenho tempo para ficar perdendo com corvinais e grifinórios, - ele lançou um olhar de desprezo para Mina – mas você não perde por esperar, Cyan.

Malfoy jogou os óculos de Mina no chão e fez questão de pisar em cima deles antes de ir embora.

Isaac recolheu os óculos da garota e deu uma pancadinha neles com a varinha murmurando “Reparo”.

- Aqui estão. – disse, devolvendo os óculos para a sua dona.

Mina pegou-os relutante.

- Eu poderia ter acabado com aquela víbora sozinha, você não precisava ter interferido!

Isaac cruzou os braços e encarou a garota.

- Não precisa agradecer, foi um prazer te ajudar.

Mina ergueu a cabeça, pronta para dizer umas verdades na cara daquele corvinal metido a herói, foi então que o rosto dele, antes borrado, entrou em foco e ela o reconheceu.

- Hei, você é o garoto que estava junto com a ladra de pergaminhos da Sonserina hoje de manhã!

Isaac a observou um tanto confuso, do que aquela garota estava falando? Mas depois de alguns segundos ele compreendeu a quem ela estava se referindo.

- Vocês podem ir na frente, eu almoço depois. – ele falou para os colegas que ainda estavam por perto.

A turma de corvinais despediu-se deles, tomando o caminho do Salão Principal e deixando os dois sozinhos.

- Qual é o seu nome? – ele perguntou para a garota.

- Você ouviu a víbora falando. – ela respondeu, cruzando os braços.

Isaac revirou os olhos antes de estender a mão.

- Isaac Cyan.

Ela respirou fundo, observando a mão dele cuidadosamente antes de apertá-la.

- Mina MacFusty.

- Então, MacFusty, essa sonserina de que você está falando é a Adhara Ivory?

- Não sei o nome dela, é uma garota morena, de olhos azuis e com cara de ser mal humorada.

Isaac riu.

- Essa com certeza é a Dhara.

- Pois a sua amiguinha sonserina está com uma coisa que me pertence e eu quero de volta! – Mina apontava o dedo para a cara dele como se Isaac também tivesse culpa. Decididamente, aquela confusão toda estava deixando seus pobres nervos em frangalhos.

Isaac não se alterou com a “acusação” e continuou a encarar a grifinória como se ela fosse um quadro ligeiramente interessante.

- Diga-me uma coisa, MacFusty, você quer que eu te apresente à Adhara?

Ela mordeu os lábios. Aquele maluco queria realmente apresentá-la a uma sonserina?


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- Você é louco. Totalmente maluco. Essa é que é a verdade. Sempre disseram que os corvinais são inteligentes, mas você não se encaixa nessas características!

Isaac tentou se manter calado embora a cada instante sua paciência se esgotasse mais um pouco. Mas isso estava bem difícil. Ainda mais com Mina se debatendo sob sua mão.

- Será que você pode me soltar? Eu não vou sair correndo, sabia?

- Eu não duvidaria se você o fizesse. Desde que eu te ajudei com o Malfoy você está agindo como uma criança. A Adhara pode ser uma sonserina, mas não é nenhum monstro.

Mina mordeu os lábios. A força com que Isaac a conduzia estava começando a deixar marcas em seu pulso, mas ela não daria o braço a torcer. Nem morta diria que ele a estava machucando. Ninguém poderia dizer que ela era frágil, não mesmo.

- Eu prometo que não corro. Agora me solte.

Isaac parou de andar, observando os olhos de Mina. Finalmente ele soltou o pulso da grifinória e notou, com imediato peso na consciência, que a tinha machucado. Antes que ela pudesse recolher o braço, ele estava novamente entre as mãos de Isaac.

- Eu sinto muito, não queria ter te machucado. Por que não me avisou?

- Eu não sou feita de cristal. – ela respondeu, tentando quebrar aquele contato, que estava começando a irritá-la.

Isaac não fez objeções dessa vez e Mina finalmente se viu livre do corvinal. Os dois se entreolharam por alguns instantes e Isaac voltou a se virar, caminhando pelo corredor. Mina permaneceu parada no mesmo lugar por alguns instantes até que Isaac percebendo que ela não vinha, parou olhando-a por cima do ombro.

- Você disse que eu não ia precisar mais te arrastar. Quer que eu volte aí e te coloque no ombro?

A imagem do rapaz levando-a no ombro como um saco de batatas deu um calafrio em Mina e ela imediatamente o seguiu. Atravessaram corredores e mais corredores antes de chegar à sala onde Adhara estava. Mina hesitou um instante antes de entrar, logo atrás de Isaac.

Uma garota de cabelos cinzentos e orbes azul índigo, estava sentada em uma das primeiras carteiras, recolhendo os materiais, mas interrompeu a tarefa assim que os viu entrando.

- Isaac? O que está fazendo aqui?

- Eu vim trazer alguém que quer te conhecer.

Ele abriu passagem para Mina, que começava a ficar gradualmente vermelha. Adhara encarou-a com curiosidade e então largou os livros, caminhando até a frente da carteira e sentando-se sobre a mesa, sem desviar os olhos da grifinória.

- Eu conheço-a... Esbarrei nessa garota há uns dias atrás, quando me atrasei para a aula do professor Snape. No mesmo dia em que eu...

- Encontrou uns pergaminhos estranhos nos meios das suas coisas? – Isaac completou.

Adhara encarou profundamente o amigo e então a compreensão desabou como uma pedra sobre sua cabeça. Ela voltou-se para a grifinória que parecia estar tentando se esconder atrás de Isaac.

- Então “Relicário” é seu?

- Você... Você leu? – ela começou hesitante antes de retomar a posição agressiva que usara com Isaac – Quer dizer, você leu?

Adhara levantou uma sobrancelha e encarou a garota.

- É claro, e o que você esperava que eu fizesse com aqueles pergaminhos? Desse de comida para a minha coruja? – perguntou com uma pontada de sarcasmo.

Mina agora recuperou completamente sua própria postura irônica, mas antes que pudesse responder alguma coisa, Isaac a segurou pelo braço.

- Adhara, essa não é hora para esse tipo de coisa. Não vamos acirrar ainda mais os ânimos já sempre exaltados entre as suas casas.

Adhara cruzou os braços, soltando um suspiro resignado.

- Está bem, Siegfried. – então olhou de esguelha para a grifinória.

- Aqueles pergaminhos me pertencem. Será que você pode devolvê-los? – Mina perguntou, tentando ser o mais educada possível.

- Sinto muito, mas eles não estão comigo agora. – Adhara respondeu, recuperando o tom calmo que lhe era habitual.

- E com quem eles estão? – Mina perguntou, engolindo em seco – Como é que você sai emprestando coisas que não lhe pertencem?

A sonserina fechou a cara, aquela garota estava começando a irritá-la com todas essas acusações, mas Isaac a encarou, pedindo com o olhar para que ela tivesse calma. Adhara respirou fundo, controlando-se para não dizer nenhuma besteira e acabar ofendendo a grifinória, afinal mal a conhecia.

- Estão com uma amiga minha. Inicialmente eu pensei que os pergaminhos fossem dela, mas logo vi que me enganei. Mesmo assim a Ly pareceu interessada neles e eu não vi mal nenhum em deixar que ela ficasse com os pergaminhos por um tempo.

- Será então que você pode pedir à sua amiga para devolver os meus pergaminhos? Eu não gosto que minhas coisas andem por aí sem meu consentimento.

Isaac suspirou. Por que a tal Mina não podia ser um pouco mais compreensiva?

- Escute, MacFusty, - ele começou virando-se de frente para a grifinória e olhando diretamente para os olhos castanhos dela, cobertos pelas lentes dos óculos – eu conheço a Lyra já faz bastante tempo e posso te garantir que ela é de confiança. Não se preocupe, ela não vai sair por aí fazendo cópias e cópias dos seus pergaminhos e espalhando por toda a escola.

- Eu não quis dizer isso, Cyan. – ela respondeu malcriada – Mas eu não gosto que leiam o que eu escrevo.

- Então deveria ser mais cuidadosa com as suas coisas. – antes que Adhara pudesse refrear a própria língua as palavras lhe escaparam.

A morena olhou rapidamente para Isaac, que havia coberto o rosto com as mãos, desolado, agora a discussão entre a grifinória e a sonserina parecia ser inevitável.

- Hei, eu não tenho culpa se certas pessoas saem tropeçando em outras como loucas nos corredores. E também não é minha culpa se essas mesmas pessoas pegam as coisas que não pertencem a elas e metem nas mochilas... – a essa altura, Mina já começara a altear a voz – E também não é minha culpa se a mesmíssima pessoa emprestou uma coisa a outro, que NÃO PERTENCIA A ELA!

Agora Adhara definitivamente se irritara, descruzou os braços e levantou-se da mesa onde se sentara. Caminhou até a grifinória, os olhos azuis escuros brilhando de fúria contida.

- Escute bem, menina, - começou a dizer, cara a cara com Mina – em primeiro lugar, não levante a voz para mim. E em segundo, se bem me lembro quem corria feito uma maluca pelos corredores era você e não eu, e em terceiro, você está sendo completamente infantil e fazendo uma tempestade em copo d’água!

Mina respirou fundo diversas vezes. Se não fossem todas as aulas de etiqueta que sua mãe a fizera ter no passado ela certamente começaria a dar um escândalo naquele exato momento. Se é que já não dera... Ela meneou a cabeça e encarou a sonserina.

- Muito bem então. Apenas pegue meus pergaminhos de volta e me devolva até a hora do jantar. – ela se virou para Isaac – Você tinha razão, ela não é um monstro. Apenas uma víbora peçonhenta. Com licença.

E saiu antes que qualquer um dos dois pudesse responder alguma coisa. Adhara respirou fundo, tentando recuperar a compostura, detestava dar escândalos e normalmente era uma pessoa controlada, mas aquela grifinória metida, a tinha tirado do sério.

- Afinal de contas, Isaac, onde você encontrou essa menina? – ela perguntou, curiosa.

Isaac, que até agora apenas observava impassível a porta por onde Mina havia saído, voltou-se para falar com Adhara.

- Topei com ela pelos corredores, Malfoy a estava irritando e eu a ajudei.

Adhara sorriu carinhosamente para o amigo.

- Gentil como sempre... O meu herói de armadura brilhante! – ela riu das próprias palavras – E eu, sou uma víbora peçonhenta.

- Não é bem assim, Dhara... – ele se aproximou da garota, erguendo uma mão até os cabelos lisos e escuros e colocando uma mecha atrás da orelha dela – Mas você também não facilita, poderia tentar ser mais simpática de vez em quando, isso não machuca, sabia?

Adhara franziu a testa, ser simpática não era o seu forte, principalmente com pessoas que mal conhecia e que haviam sido antipáticas com ela primeiro. Mas Isaac estava certo, a grifinória deveria estar nervosa com a perda de seus pergaminhos. O que garantia que ela, no lugar de Mina, não agiria da mesma forma?

Desvencilhou-se do amigo, apanhando os livros que jaziam esquecidos em cima de sua carteira e recolheu-os em silêncio, sendo observada pelo olhar atento do corvinal. Colocou a mochila nos ombros e virou-se para ele.

- Vamos? Não quero perder o almoço.

Isaac assentiu e a acompanhou para fora da sala.

- O que você pretende fazer agora, Dhara? – ele perguntou quando os dois já se encaminhavam para o Salão Principal.

- Vou devolver os pergaminhos para a... Como ela se chama? MacFusty? – recebendo a confirmação do amigo ela prosseguiu – Afinal, aquilo pertence a ela.


* * * * *

O almoço estava, como sempre, delicioso. Entretanto, Mina não estava muito interessada na comida, visto que brincava com ela em seu prato sem muita vontade de fazer outra coisa. Quem aquela sonserina pensava que era para lhe dizer o que devia ou não fazer? Ora, sinceramente! E ela ainda achava que estava certa? Ela roubava seus pergaminhos e ainda dizia que a culpa não era dela!

Isaac e Adhara entraram juntos no salão e Mina abaixou a cabeça para não ter que vê-los encarando a "criancinha infantil". Se a sonserina era uma cobra, o corvinal não ficava muito atrás. Mina olhou para o próprio pulso e percebeu que ele ainda estava vermelho. Ótimo. Era tudo o que queria. Se alguém visse aquela marca certamente teria que dar alguma explicação. Como pudera esquecer disso?

Mina tentou esconder o braço dentro da manga da capa discretamente. À frente dela, Gina Weasley conversava alegremente com a Granger. Mina percebeu que Rony, o irmão de Gina, e Harry Potter também estavam por perto. Ela mordeu os lábios, levantando-se e tentando não chamar a atenção. Para sua felicidade, ela conseguiu chegar à torre da Grifinória sem que ninguém a interrompesse. Apenas quando foi entrar pelo retrato da Mulher Gorda encontrou alguém, que, se não se enganava, era uma menina do quinto ano... Thompson? É, talvez fosse ela.

Mina subiu as escadas para seu dormitório retirando rapidamente da cabeça esse encontro e jogou-se em sua cama, puxando um livro em que pudesse encontrar alguma coisa para sumir com aquela mancha vermelha. Um pergaminho enrolado caiu do volume antes mesmo que ela pudesse abrir e Mina sorriu ao ver os primeiros esboços de suas histórias.

Bem, fosse de quem fosse a culpa, só o que importava à grifinória era ter seus pergaminhos de volta. Talvez estivesse fazendo tempestade em copo d'água, mas isso não importava. Aqueles personagens eram companheiros em sua solidão, eram os amigos silenciosos de todas as horas.

Mina puxou um pergaminho e, rápida, começou a escrever uma carta, marcando com Adhara na biblioteca, naquela mesma noite. Mal podia esperar para continuar a viver na imaginação as aventuras que sempre escrevia em seus pergaminhos.


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Adhara lançou um olhar entediado para o livro de aritmância que tinha aberto na sua frente, lidar com todos aqueles números e tabelas era mesmo uma coisa extremamente complicada... Onde estava com a cabeça quando optou por estudar essa disciplina? Foi tirada de seus pensamentos por um barulho que vinha da janela logo atrás de si.
Aproveitando que a professora Vector explicava a matéria para um aluno da Lufa-Lufa, enquanto os demais estudantes estavam absortos na construção de suas tabelas, Adhara virou-se, percebendo que o barulho fora causado por uma coruja-das-torres que estava empoleirada do batente da janela e a encarava de maneira insistente.

Olhando para os lados mais uma vez, a fim de checar se não estava sendo observada, a garota estendeu o braço para a coruja, desamarrando o pequeno rolo de pergaminho que ela trazia amarrado na pata.

Depois de livre da sua carga, a ave levantou vôo, voltando para o corujal, e Adhara abriu o pergaminho, encontrando um pequeno bilhete escrito numa caligrafia que já havia tornado-se sua conhecida.


“Encontre-me hoje à noite, logo depois do jantar, na biblioteca. Não se esqueça de trazer os meus pergaminhos.
M. MacFusty.”

Adhara guardou o bilhete no meio de um dos livros e voltou a trabalhar na sua tabela, lembrando-se de que ainda tinha que pegar os pergaminhos com Lyra.


* * * * *

Isaac esperava pacientemente a chegada de Adhara ao corredor que levava para a biblioteca de Hogwarts. Lyra o avisara por alto durante o jantar que a amiga marcara de se encontrar com MacFusty naquele local para devolver os pergaminhos. A fim de evitar que alguma confusão maior se instalasse entre a sonserina e a grifinória ele resolveu acompanhar Adhara.

Não levou nem dois minutos e a garota apareceu na entrada do corredor. Adhara sorriu, parecendo surpresa ao vê-lo.

- Não esperava encontra-lo aqui. – ela disse tão logo aproximou-se dele.

- Lyra me contou que você ia se encontrar com a autora de Relicário esta noite. – ele então sorriu, galanteador como de costume – Não me diga que pretendia enfrenta-la sem ter ao lado o seu fiel matador de dragões?

- Isso nem passou pela minha cabeça. – respondeu a sonserina.

Isaac, satisfeito com as palavras de Adhara, ofereceu o braço para a amiga, que ela prontamente aceitou. Cruzaram o corredor chegando até a biblioteca, ainda lotada de estudantes apesar do horário, a maioria eram quinto-anistas como eles e também sétimo-anistas, mas localizaram Mina sentada sozinha a uma das mesas mais ao fundo.

Pararam no meio do caminho para trocar algumas palavras com Hector MacGraw, da Lufa-Lufa, que terminava uma redação do Prof. Binns, e então seguiram para falar com a grifinória.

Dois pares de pernas pararam diante dela e Mina levantou a cabeça, encontrando Adhara logo a sua frente e Isaac um pouco mais atrás.

- Boa noite, MacFusty. – Adhara cumprimentou a garota num tom calmo e causal.

- Boa noite, Ivory. E boa noite para você também, cão de guarda. – Mina respondeu com um sorriso cansado.

- Boa noite, "milady". – Isaac cruzou os braços, sarcástico.

Adhara segurou-se para não rir. E pensar que mais cedo ele pedira para que ela fosse mais simpática... Para não começarem mais uma discussão, ela colocou os pergaminhos de Mina na mesa. Os olhos da grifinória brilharam.

- Aí estão os seus pergaminhos. – Mina se levantou para pegá-los, mas antes que pudesse alcançá-los, Adhara se interpôs no caminho com a mão – Mas existe uma condição.

- Condição? – Mina perguntou, estreitando os olhos – Que diabos...

- Eu quero ler o final quando você escrever. – Adhara interrompeu a garota antes que ela pudesse começar a reclamar.

- Você quer... Você quer ler o final? – Mina perguntou, parecendo assustada.

- Será que você pode parar de repetir tudo o que eu digo? – Adhara cruzou os braços, começando a se irritar.

- Desculpa. – Mina disse, ainda incerta – Por que isso?

- Por que o quê?

- Por que quer ler o final da história? – Mina perguntou curiosa.

A sonserina deu de ombros.

- Eu fiquei curiosa. E gostei da história também.

Mina encarou a morena por alguns instantes e assentiu com a cabeça, recolhendo os pergaminhos para dentro da mochila e colocando-a nas costas.

- Eu mando uma coruja quando acabar. – ela se virou uma última vez antes de sair – A propósito, podem me chamar de Mina. – e com um sorriso, desapareceu no meio dos outros alunos que enchiam a biblioteca.

Isaac virou-se para olhar Adhara com uma expressão completamente incrédula.

- Você acredita nisso? – perguntou apontando para o caminho por onde a grifinória havia saído – Primeiro essa garota arma o maior escândalo, diz que eu sou um maluco, chama você de víbora peçonhenta e agora sai daqui sorrindo e dizendo que podemos chamá-la pelo primeiro nome.

Adhara fitou o amigo com um trejeito de sorriso nos lábios.

- Você está bravo porque ela te chamou de “cão de guarda”.

Isaac estreitou os olhos na direção da sonserina por alguns segundos, mas logo sorriu de lado e meneou a cabeça, como se achasse tudo aquilo um absurdo.

- Aquela menina é louca. – ele concluiu.

Adhara permaneceu calada, pesando os prós e contras. A tal de Mina MacFusty realmente parecia chata e infantil à primeira vista, mas naquele momento até que se revelara uma pessoa equilibrada. Percebeu que Isaac a observava, como se esperasse pela sua avaliação. A sonserina ficou na ponta dos pés e beijou o rosto do corvinal, deixando-o surpreso.

- Estou feliz por essa história ter finalmente se resolvido, agora vou dormir porque estou muito cansada. – e sem dizer mais nada ela afastou-se, deixando a biblioteca.


- Mulheres... – Isaac resmungou para si mesmo antes de ir sentar-se junto com Hector. 

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