Sunday, May 24, 2009

Plano Anti-Cenouras – Parte 2



No dia seguinte à minha conversa suspeita com Satanio no jardim, saí em busca de Darien para falar-lhe sobre nosso plano e perguntar se ele poderia nos ajudar com o feitiço de que precisávamos. Era comum acharmos que os Corvinais eram os melhores em termos de feitiços, devido à assessoria direta do Prof. Flitwick, e a lembrança do Cabelo Azul também foi pontual, levando-se em conta a destreza com a varinha que ele demonstrou quando daquele antigo episódio do Plano Contra os Sonserinos...

Rodei o castelo e nada de achá-lo; desanimada, rumei para a biblioteca. Talvez se eu mesma procurasse nas estantes dos livros mais antigos e esquecidos poderia achar o que precisava.

Pois foi justamente quando desisti da busca e esperei que a Mão do Invisível colocasse o Cabelo Azul em meu caminho que então o achei. Sentado a uma mesa ao fundo da biblioteca, Darien lia um grande livro em comum com Jamal; formavam uma dupla concentrada, as cabeças muito juntas, atentos ao que estava escrito. Um mar de pergaminhos os circundava.

Fiquei sem saber o que fazer. Atrapalhá-los me pareceu de uma extrema indelicadeza, já que estavam tão absortos em coisa a princípio mais relevante do que procurar meios para disseminar o caos entre as Cenouras. Entretanto, no que poderia ser uma transmissão de pensamento bem a propósito, Jamal ergueu a cabeça, chegou sua cadeira um pouco para trás e estirou-se num delicioso espreguiçar. Quando retomou a posição de leitura, nossos olhos se cruzaram; sorri para ele, que me sorriu de volta e cutucou Darien, dizendo:

- Veja, D, é a sua amiga sonserina, a Sinclair.

Darien ergueu o olhar na minha direção e também sorriu, acenando para que me aproximasse.

- Olá, Raven! – ele me cumprimentou, gentil – Veio procurar alguma receita complicada para alguma poção especial?

- Não, meu caro... Eu estava, na verdade, procurando por você – respondi, baixando um pouco a voz – Será que eu poderia atrapalhar um pouco seu estudo? É coisa rápida. Preciso fazer uma pergunta para você, Cabelo Azul... – E completei, dirigindo-me a Jamal: - Me empresta o Darien uns minutinhos? Prometo que o devolvo direitinho.

- Se você jurar que cumprirá a promessa, empresto sim – respondeu o rapaz, ainda sorrindo – Enquanto isso, vou adiantando a leitura aqui, D.

Levei Darien para perto de uma estante e escolhi um livro. Abri-o e, enquanto o folheava à procura de coisa alguma, expliquei ao corvinal:

- Darien, eu e o Sat estamos com um plano para fazer os Cenouras de bobos. É coisa simples, tem a ver com as pichações que o pessoal da AD, segundo a Lore, quer fazer em Hoggy, lembra?

O Corvinal anuiu. Parei em uma página qualquer do livro, deslizei o dedo por ela e apontei um parágrafo. Continuei com a explicação:

- Entretanto, precisamos de um Feitiço Adesivo que seja mais forte que o usual, mas nem eu nem o Diabo Loiro temos idéia de como se faz uma coisa dessas. Ficamos algum tempo pensando até que o Sat lembrou de você, e eu concordei com ele.

- Obrigado, Raven, pela confiança, e adorei a idéia! – disse Darien, com os olhos brilhantes – Eu não sei exatamente, de cabeça, como incrementar o Feitiço Adesivo, mas vou procurar saber o mais rápido possível e o ensino a você. Ou, se achar melhor, me junto a vocês na hora da ação e faço o feitiço. Quando será o ataque?

- Ainda não sabemos, Azul... Eu e Sat estamos esperando o feitiço para poder bolar a estratégia de ação – expliquei, folheando novamente o livro – Hm, talvez seja melhor você me ensinar o feitiço... Veja bem, Darien, não quero excluir você, mas é que, para executarmos o plano, teremos que usar a capa de invisibilidade do Sat, e acho que não caberemos nós três debaixo dela... Porém, tudo ainda está na fase de esquematização, podemos ver o que combinamos.

- Entendi... Mas, o feitiço vai aparecer, palavra de Corvinal! – exclamou Darien, esfregando as mãos.

- Obrigada, Cabelo Azul! – falei, com um sorriso – Ah, mais uma coisa: comentei o plano só com o Sat não porque não confie em nosso grupo, ou nos ache melhores nisso que os demais. É apenas um costume antigo nosso, de dividir mal feitos... e confesso que fiquei com medo de envolver mais pessoas. E se formos pegos? Contudo, Darien, se você quiser, pode comentar com nosso pessoal sobre a idéia. Só não sei se será possível incluir todos na ação.

- Tudo bem, mas acho que só falarei se tiver oportunidade. Talvez seja arriscado convocar uma reunião... Vamos ver como as coisas vão ficar. Assim que conseguir o feitiço, passo para você, ok?

- Valeu, Darien! – exclamei, sorrindo. Depois, guardando o livro de volta à estante, brinquei: - Acho melhor voltar para a sua mesa, antes que Jamal pense que eu seqüestrei você...

Despedimo-nos, sorridentes, e deixei a biblioteca com a sensação de que aquele plano tinha tudo para dar certo. Em breve Hogwarts sentiria cheiro de cenoura queimada no ar...

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