Plano Anti-Cenouras – Parte 1
- Rav, ouça essa pérola: Ao entrar em contato direto e inesperado com um trouxa, não se preocupe; ele é suficientemente imbecil para não entender que se deparou com um bruxo. Basta desaparecer imediatamente de sua frente e o inepto trouxa acreditará que esteve sonhando.
Segurando o riso, Satanio lia, com doutoral entonação, um trecho de nosso atual livro de Estudos Trouxas. Irritada, externei minha opinião com uma careta, que depois escondi mergulhando o rosto no barrigão gordo de meu gato Jack, que se lambia filosoficamente.
- Achou pouco, querida? Tem mais. Uma advertência para jovens bruxos sobre as perigosas trouxas: Mulheres trouxas são insípidas e insignificantes. Não é aconselhável a nenhum jovem bruxo, principalmente os de estirpe, misturar seu sangue puro ao dessas frágeis criaturas. O mesmo se aconselha às jovens bruxas em relação aos trouxas do sexo masculino. Orgulhem-se de seu nascimento. Preservem a raça. Trouxas são diversão, não compromisso.
- Que bonito, isso! – exclamei, com um sorriso maldoso – A mestiça aqui agradece a gentileza!
- Desculpe, Rav, eu estava só... – começou Satanio, jogando o livro no gramado.
- ... lendo essa porcaria que a Cenoura Cozida chama de livro didático – cortei, ao perceber que o loiro achava que me magoara de verdade – Esquenta não, Sat, apenas comentei como é agradável nosso atual curso de Estudos Trouxas...
Satanio, então, juntou algumas folhas de pergaminho meio escritas que eu havia espalhado na grama à nossa frente e sentou-se um pouco mais perto de mim. Olhou, distraído, os poucos estudantes que também desfrutavam do fraco sol daquela tarde e só então me fez a pergunta que eu imaginava que já estivesse a queimá-lo já há algum tempo.
- Rav, eu quero ser um pufoso rosa choque se você realmente me trouxe pelo braço até o jardim de Hogwarts para estudar essa droga – ele comentou, cutucando o livro que ele jogara na grama e olhando-me nos olhos com uma expressão séria – Sou seu amigo, não me maltrate; conte logo a porcaria que vamos fazer antes que eu tenha um treco de curiosidade.
Sorri. Respirei fundo, olhei ao redor buscando algum traço cenoural, mas nada vi. Então, expliquei:
- Tenho pensado muito na questão das pichações, sabe? Que a Lore comentou sobre o pessoal da AD estar planejando. É uma excelente idéia, mas queria armar uma coisa que não só desafiasse os Cenouras, mas também os envergonhasse na frente dos alunos. E acho que tive uma idéia que pode dar certo, se você topar me ajudar.
- Mande a idéia. Sou todo ouvidos.
Abri o livro de Estudos Trouxas novamente e, apontando um parágrafo a esmo, murmurei o esboço de meu plano para um Satanio cada vez mais animado. Em seus lábios lentamente se desenhava aquele seu meio sorriso característico de quando era capturado por um mal feito irresistível... Quando me calei, ele passou a folha do livro e me apontou um outro parágrafo qualquer.
- A idéia é excelente, Rav. Na verdade, o mundo está perdendo uma extraordinária mentora de planos malignos... Ah, se você ficasse um pouco mais Sonserina! – ele comentou, matreiro.
- Se eu ficasse um pouco mais Sonserina, Sat, me tornaria... uma deles – respondi, com um arrepio.
O loiro e eu nos entreolhamos, e então ele bagunçou meu cabelo num gesto estabanado.
- Raven Sinclair, o dia em que você se tornar uma Comensal da Morte eu desfilo pelado no salão principal desse castelo!!! – ele exclamou, morrendo de rir.
Fiz menção de me levantar, mas Sat me segurou pela manga da veste.
- Ei, onde você pensa que vai? – ele exclamou, surpreso.
- Vou imediatamente ao gabinete do Professor Snape! – afirmei, segurando o riso – Depois dessa, ele acaba de ganhar mais uma serviçal para Tio Voldão e Hogwarts poderá presenciar um acontecimento que renderá um capítulo inteiro de Hogwarts – Uma História!!
- Putz, Raven, estou realmente surpreso! – Sat retrucou, o corpo sacudido pelas risadas – Nunca imaginei que você teria tanto empenho em me ver sem roupa!
- Meu amigo, conheço uma lista de gente aqui que adoraria ver essa cena, mas, para seu governo, eu não estou nela. Eu preferiria...
- Não! NÃO! Eu não quero ouvir isso!! Não quero sequer pensar numa coisa dessas!! Pelo amor de Merlin, vamos voltar ao plano imediatamente!!! – o loiro exclamou, frenético, agitando as mãos e esbugalhando os olhos, arrancando-me risadas e um profundo rubor que esquentou minha face.
- Melhor nos contermos, mesmo, porque estamos arruinando nosso disfarce – asseverei, mais calma – Ninguém ri às gargalhadas enquanto estuda, a não ser que seja um ataque de riso histérico por incompreensão – acrescentei, lembrando-me das malditas aulas de Aritmancia.
Sat anuiu. Pegou a pilha de pergaminhos e entregou-me um deles; apontou-me seu conteúdo – que nada tinha a ver com o que conversávamos – e enumerou, concentrado:
- Para o plano funcionar, temos a minha Capa de Invisibilidade, o texto que você escolheu e a cara de pau necessária. Só nos falta o ingrediente principal, o feitiço aditivado que nem eu nem você sabemos fazer.
- Pois é – suspirei, entristecida – Se a Meri estivesse conosco...
Sat, em silêncio, perdeu o olhar no jardim. Até que exclamou, satisfeito:
- Perdemos a Grifinória, mas temos um Corvinal de plantão. O Semog saber o feitiço e, se não souber, tem o Prof. Flitwick à mão. Está resolvido, Ravenzinha: sua missão agora é procurar nosso amigo Cabelo Azul e pedir-lhe ajuda. Aposto que ele vai adorar participar da festa.
- Sem dúvida, Sat, mas tenho medo de envolver muita gente nessa tramóia. Se formos pegos...
- Ah, quer dizer que eu posso ser pego e torturado junto com você, mas o coitadinho do Semog não? Ele faz parte da resistência também! Que proteção é essa? – o loiro exclamou, indignado.
- Mas, Sat, você não entendeu, não é nada disso! É que... Ei, por que você está rindo?? Sat, seu implicante, você está impossível hoje! – exclamei, batendo nele de leve com o livro de Estudos Trouxas enquanto ele rolava de rir na grama, troçando de minha cara culpada.
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