Fatalidade - Final
A garota que abria a porta de casa estava apática e sua mente longe, presa no que acontecera algumas horas antes. Sam só pensava em cair na sua cama e tentar apagar as imagens da sua mente. Não estava preparada para lidar com o que tinha acontecido.
Entretanto, não parecia que conseguiria realizar seus planos já que, logo que seus pés avançaram para o primeiro degrau, ela sentiu alguém parar atrás dela, segurando-a delicadamente pelo pulso. Virando-se, ela acabou por se deparar com a figura de Lusmore, que a observava com um semblante preocupado.
- Sam? - Ele questionou em voz baixa, os olhos claros encarando-a com cuidado.
Ela abriu a boca para tentar falar algo, mas toda a sua força estava sendo usada para controlar suas lágrimas, controlar a dor que sentia na altura do peito. Sam soltou sua mão que começara a tremer e deu um passo para trás, sem saber exatamente o que fazer.
Como se adivinhando o que a moça estava sentindo, ele estendeu as mãos, puxando-a delicadamente pelos ombros até acomodá-la contra seu ombro, abraçando-a.
- O que aconteceu, Sam? Por que você está assim? - Ele perguntou, passando uma mão de leve pelo cabelo dela.
A resposta de Lusmore foi sentir o soluçar da jovem e também as lágrimas dela em sua roupa. Ele esperou sentir a respiração dela se acalmar. Depois ouviu, entrecortadamente, ela falar.
- Eu falhei...
Uma pequena idéia do que podia ter acontecido surgiu na mente do rapaz enquanto ele a trazia consigo, fazendo-a se sentar no sofá em que ele estivera até a chegada dela.
- Seja lá o que tenha acontecido, Samantha, não foi culpa sua. - Ele murmurou numa voz calma, quase melodiosa, sem deixar de abraçá-la.
Os olhos, agora azuis, da jovem olhavam o vazio. O que passava em sua mente era o que poderia ter feito ou que deveria ter se movido antes. Automaticamente ela limpava o rosto, tentando novamente controlar as lágrimas, chorar não iria trazer a vida de volta ao garoto.
Apesar de ter ouvido e sentido as mãos de Lusmore, Sam não prestava atenção nele diretamente. Sua mente parecia trabalhar rapidamente em muitas coisas diferentes, o que deveria aprender para melhorar, em que ordem, quem ensinar. Ao mesmo tempo pensava no rosto da jovem que perdera o namorado naquela tarde e que tivera a vida mudada para se esconder do Ministério.
Lusmore olhou para a garota sentada a sua frente preocupado com a falta de ação de Sam. Observou que apesar da diferença do cabelo e dos olhos, ele reconheceria o rosto dela facilmente. O tempo em que ficaram em Hogwarts, só eles conversando no antigo QG da máfia, fez com que os olhos dele identificassem os jeitos dela.
Querendo confortá-la, ele levou uma das suas mãos levemente até a maçã do rosto de Sam, secando uma lágrima que caía solitária. Como se a despertasse, ela virou o rosto e contou o que acontecera mais cedo após sair para um passeio.
- Eu... Preciso melhorar... - Ela falou e virou o rosto para ele.
- Todos nós precisamos, Sam. E vamos - Ele falou com uma seriedade desmedida refletida em olhos azuis usualmente marotos.
- Obrigada, por se importar. - Ela respondeu, dando um sorriso pálido.
- Sempre que precisar, Sam. Sempre que precisar.
Sam deu um leve beijo no rosto de Lusmore em retribuição e se levantou. Iria para seu quarto descansar e depois... Depois iria pensar melhor onde falhou e seguiria em frente.
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