Planos e Preocupações - Parte 1
Lucien observava a orla sombra da Floresta Proibida através do janelão da sala onde se encontrava. Estava sozinho, à espera de Meri e Adhara, com as quais marcara um encontro. O lufano havia se adiantado na hora, preferindo esperar ali pelas garotas. Havia muito em sua cabeça e ele poderia fazer bom uso de um tempo sozinho, onde ninguém pudesse interrompê-lo.
A sala, oculta na parede por uma tapeçaria de centauros e uma senha, havia sido cortesia de Adhara para reuniões secretas. Não era nem de longe tão espaçosa e aconchegante quanto o QG da Máfia, mas servia ao seu propósito. De toda forma, não poderiam arriscar uma ida ao QG – não sem antes terem certeza que o local ainda era seguro.
Ele suspirou, seu olhar vagava sem foco pela paisagem conhecida, até que ouviu o ruído da fechadura sendo aberta. Quando se virou o rapaz encontrou primeiramente os olhos esmeraldinos de Meridiana. Lucien sentiu uma pontada no peito e um desejo súbito e incontrolável de apertar sua fraulëin em seus braços e beijá-la. E teria feito exatamente aquilo se não tivesse reparado que Meri não estava sozinha: Adhara adentrava a sala logo atrás da prima.
- Boa noite – disse a sonserina, cumprimentando Lucien com o tom polido que sempre empregava quando conversava com o austríaco.
- Gute Nacht – ele respondeu no mesmo tom, sem perceber que dissera aquilo em alemão. O deslize, entretanto, não escapou de Adhara, que notou que o rapaz deveria estar mais ansioso do que deixava transparecer.
O lufano desviou o olhar para Meridiana, que o recebeu com um terno sorriso. Ela se aproximou, dando um beijo delicado nos lábios dele, e, depois enlaçando a mão do rapaz, voltou sua atenção para a prima.
Adhara sorriu levemente ao observar a interação carinhosa do casal. Ao menos ainda restava aquele pequeno consolo a eles. Reconhecendo que os dois esperavam que ela esclarecesse o motivo pelo qual marcara aquela pequena reunião, a morena encostou-se ao tampo da mesa de madeira – a única mobília que havia na sala – e cruzou seus braços. Ela olhou primeiro para Meri, e depois para Lucien, antes de falar:
- Bem, o que eu tinha para dizer a vocês na verdade é bastante simples, mas como não podemos mais ser vistos juntos pelo castelo, achei melhor chamá-los aqui. – Adhara fez uma pausa – A encenação de vocês deu certo. A escola inteira está achando que o seu namoro terminou.
A ruiva baixou os olhos. Embora aquela fosse uma boa notícia ainda lhe era dolorido lembrar o quão difícil foi fingir tudo aquilo, mesmo sabendo que fora necessário. Sentiu a mão de Lucien comprimir a sua um pouco mais fortemente, como se ele tentasse lhe transmitir força. Ela levantou o rosto, dando um sorriso triste para ele, antes de voltar-se também para a prima.
- Não sei se a parte mais difícil já passou ou está prestes a começar – Meridiana falou.
- Talvez as duas coisas. – respondeu Adhara, com uma melancolia idêntica à da prima – Eu também falei a Theodore Nott sobre você. Sobre a sua vontade de se tornar uma comensal. Não sei se ele está convencido de que o que eu disse é verdade, mas ao menos a semente está plantada.
- Pode ser um caminho – Meridiana assentiu.
Lucien apenas franziu o cenho, o que não passou despercebido à Adhara. Pelo visto não agradava ao austríaco a idéia de ver Meri tão próxima de alguém tão pegajoso e desprezível como Nott. Também não agradava à sonserina, contudo, apesar de insuportável, o primo tinha influência suficiente para tornar crível a “conversão” da grifinória aos demais.
- Você acha que ele vai aceitar uma aproximação de minha parte? – Meridiana perguntou. – Ele mesmo dissera que não tinha interesse em nenhuma outra prima a não ser você.
Adhara girou discretamente os olhos à última menção de Meri. Não sabia o que havia feito de errado para merecer tamanha atenção de Nott.
- Bem, você disse que estava disposta a sujar as mãos. Enganar Theodore e conseguir a confiança dele pode ser apenas a primeira de várias manipulações que você terá que executar.
A ruiva assentiu, com uma expressão pensativa.
- O que exatamente você sugere que eu faça? – questionou Meridiana.
A sonserina deu de ombros.
- Olha, Meri, Theodore não é particularmente brilhante, mas também não é particularmente ingênuo. Ele cresceu entre cobras e está acostumado com elas. Eu digo que você deve tentar a abordagem mais óbvia. – ela então encarou a ruiva – Bajule-o. O ego de Theodore é grande... Diga que quer conhecê-lo melhor, que está interessada no outro lado da nossa família. Flertar um pouco com ele talvez não fizesse mal também... – Adhara tomou cuidado de não encarar Lucien quando fez esta última sugestão. Tinha o namorado de Meri em grande consideração, mas sua prima estava lhe pedindo um conselho, e ela estava sendo o mais sincera e prestativa que podia.
Meridiana mordeu os lábios ante a sinceridade de Dhara, apesar de sentir o corpo de Lucien se tencionar minimamente ante à menção de um flerte com Nott.
- Vou levar o que disse em consideração quando me aproximar dele. – foi apenas o que ela respondeu.
A ruiva se aproximou da prima, dando-lhe um abraço que apenas aqueles curtos momentos de clandestinidade permitiam.
- Obrigada, por tudo.
Dhara correspondeu silenciosamente ao abraço da grifinória e deu um breve sorriso para Meri quando se afastaram.
A ruivinha então se aproximou do namorado, dando-lhe um beijo longo e apaixonado, prontamente correspondido pelo rapaz. Meridiana pousou as mãos no rosto de Lucien, encarando-lhe nos olhos.
- Eu te amo, não se esqueça. Isso sempre vai ser o mais importante.
- Eu sei, fraulëin. – ele respondeu, depositando um beijo na fronte dela – Eu sinto o mesmo, você sabe disso.
Ela assentiu, soltando-se do namorado, caminhando em direção à saída, uma vez que era melhor que não a vissem com nenhum dos outros dois.
Presente
Este desenho maravilhoso foi feito pela Dani Salomão, que, na minha opinião, tem um belo futuro como desenhista. Nas palavras dela, é o modo como ela vê a Raven nesses conturbados tempos de ditadura comensal. Eu fiquei particularmente apaixonada pela forma como ela conseguiu deixar transparecer toda a introspecção e dúvidas da sonserina diante daquele mundo sem sentido em que se vê imersa.
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