A Chegada do Bardo - Final
Era uma casa grande, localizada num centro movimentado da cidade. Ele deu um meio sorriso, os olhos brilhando por debaixo das lentes dos óculos escuros que usava. De alguma forma que ele não saberia explicar, sentia que aquele lugar era simplesmente certo. Seu instinto lhe afirmava que aquilo era, simplesmente perfeito. O que quer que isso significasse.
Mas ele nunca fora de desconfiar de seus instintos antes, ainda que eles não fizessem sentido. Afinal, eles nunca tinham estado errados antes.
Ao lado dele, a loira cruzou os braços, esperando que ele saísse daquele estado de muda contemplação.
- Eles já sabem da minha chegada? – o rapaz perguntou finalmente, voltando-se para ela.
- Sabem apenas que terão um novo companheiro a partir de hoje. – Euterpe respondeu – Clio veio mais cedo para organizar tudo e arranjar seu quarto.
- Muito amável da parte dela. – ele riu – Acho que é uma boa idéia que eu dê uma boa olhada debaixo do colchão antes de me deitar nele... Provavelmente haverá cobras e escorpiões esperando para me darem boas-vindas também.
Foi a vez de Euterpe sorrir.
- Você sabe que nós amamos você, priminho. – ela observou com uma voz quase doce, enquanto atravessavam a rua.
- Claro que sei, eu tive demonstrações suficientes desse amor no passado. – ele respondeu.
- Mas não se preocupe. – ela piscou o olho – Clio tem um novo alvo em mente. Ela não terá muito tempo para você.
- E imagino que você também não. – Lusmore meneou a cabeça – É uma pena, realmente...
Ela riu.
- Você não mudou nada esses anos todos, Lusmore.
- Eu tenho certeza de que você teria ficado muito desapontada se não fosse assim. – ele respondeu simplesmente, enquanto paravam à porta do casarão.
Euterpe riu com o canto da boca, tirando um chaveiro com uma boneca um tanto descabelada da bolsa, entregando-o a ele.
- Cortesia do meu avô. São suas chaves de agora em diante.
- Tio August sempre teve uma maneira interessante de mostrar que se importa... – ele também sorriu, antes de girar a fechadura, destrancando a porta.
Pouco depois ele estava numa sala decorada com bom gosto, colocando sua sacola de viagem junto ao sofá, observando o ambiente, enquanto Euterpe sumia para o interior da casa, certamente indo procurar os outros habitantes do casarão.
O sorriso que ele não deixara de ostentar por nenhum instante desde a entrada alargou-se, tornando-se um tanto malicioso quando Euterpe voltou, acompanhada da irmã gêmea e de três outras pessoas que ele conhecia muito bem.
Herman e Samantha, embora surpresos ao ver a figura do bardo recostado contra o sofá, com os braços cruzados, pareciam genuinamente contentes. O terceiro membro do time deles, contudo, que, por acaso, vinha mais à frente, não parecia tão feliz.
- Hei, Cyan. Como vai a vida? Um osso muito duro de roer? – ele cumprimentou, sentindo um prazer secreto em provocar o rapaz.
Isaac apenas balançou a cabeça.
- Mahala. – ele cruzou os braços.
- Você não deveria estar no Japão? – Herman perguntou.
- Ou nas Hébridas? – Sam completou, aproximando-se também – Mina...
- Ela me disse que tinha escrito para você e Lorelai. – ele respondeu, voltando a atenção para a moça – Mina ficou nas Hébridas sob a proteção do avô. O porto foi fechado e as ilhas estão protegidas por magia. As comunicações também foram cortadas, mas ao menos ela está segura.
Samantha assentiu, abaixando ligeiramente os olhos, pensando na carta que recebera da amiga na véspera do aniversário dela, poucos dias atrás.
- É bom ter você por perto de novo, Lusmore. – Herman adiantou-se, dando um meio sorriso.
- Eu ouvi dizer que você é um homem casado agora, Herman. – ele respondeu, de bom humor – De todas as novidades que recebi desde que cheguei, essa foi, sem dúvida, a mais surpreendente.
Ao ver seu cunhado ficando vermelho, Sam deu um leve sorriso. Teve a esperança que o jeito de ser de Lusmore ajudasse a amenizar o clima que estava entre eles. Os três ex-alunos de Hogwarts ainda estavam se acostumando com sua nova vida.
- Não somos desalmados e dessa vez seu quarto já está pronto, não irá precisar desperdiçar magia para ter seu canto. - a morena sorriu para o bardo. - Seja bem vindo Lusmore.
Ele sorriu em resposta.
- Cuidem bem de mim. – ele exclamou, rindo, enquanto a seguia para conhecer seu novo quarto.
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