Surpreendeu-se ao receber durante o café da manhã uma carta de sua mãe, dizendo apenas que estava com notícias boas, alegres e perguntava-o, ao menos, como ele estava diante toda aquela “maluquice”- como Becky bem explicitou – em que se encontrava Hogwarts.
Darien pôs-se a martelar a cabeça de curiosidades, e terminando a carta ficou ao mesmo tempo contente e perplexo: teria um irmão! O pão de centeio recheado com geléia de framboesa que ele comia, ficou pela mesa... assim como todas as gostosuras que aquele banquete matinal o proporcionava.
Enquanto relia a carta, uma alegria o invadiu por inteiro, e aproveitou o pergaminho em que a mão e escrevera, rasgou um pequeno pedaço e escreveu, apenas, “PARABÉNS”, prendeu o pequeno papel ao pé da Coruja de sua mãe... Darien sentia-se muito importante, olhou, e pôde observar Bruce com seu irmão mais novo, e viu-se no lugar do amigo... Sorriu novamente. E no sorriso esqueceu que teria aula em menos de cinco minutos, Transfiguração.
Subiu em direção à aula da Professora Minerva, e Darien estava bem empolgado com a idéia de transfigurar pessoas naquilo que aprendera durante todo esse tempo no colégio. Deu risos internos. Estava rodeado de alunos no corredor, gente atrapalhada com livros enormes e alguns outros vigiando a vida alheia, por puro e mero prazer de provocar uma ou outra detenção depois. Viu ao longe um grupo de meninas se autonomearem as mais belas de Hogwarts, eram secundaristas e das diversas casas que Hogwarts tinha.
A sala de aula não apresentava mudanças gritantes, um quadro diferente ou uma estátua a menos aqui e ali no canto, mais ao fundo, próximo ao quadro negro. McGonnagal estava de pé, o rosto sempre firme e sério como antes, mas o olhar mostrava uma silenciosa tristeza e decepção. Ao menos, o menino pôde sentir a satisfação de a professora estar ali ainda, próxima aos alunos, podendo-os proteger, mesmo que qualquer movimento a custasse a vida.
Quando deu por si, pois a sua cabeça corria para o futuro, Jamal o puxava pelas vestes.
- Ei!!! Está acordado? Ou ainda não retirou a cama das costas?
- Como? – Balançou a cabeça o garoto.
Ele sonhou acordado e nem percebeu que a professora o olhava com certa espantosa reprovação. Darien nem havia chegado perto do que teria de fazer: transformar uma mesa em um bode empalhado! Ao menos a mesa estava peluda. O garoto chegou a pifar a cabeça, pensando na real utilidade daquilo.
- Desculpa, Professora... – Disse um Darien tentando disfarçar o desinteresse pela aula.
- Darien, você está com atenção em alguma coisa hoje? Algo que não seja a escola? – Perguntou-o o próximo amigo.
Darien apenas se limitou a morder o canto esquerdo do lábio inferior, fazendo, depois, um bico de quem reflete sobre o que vai pensar, embora não fosse nada de mais ele contar a Jamal da felicidade que o contemplava. E assim fez.
- Nossa! Que máximo, D! Sua mãe deve estar bastante feliz.
- Será mesmo, Jamal? – Darien recordou-se da frieza que a mãe tinha com ele.
Embora a aula estivesse por terminar, os dois ainda estavam nela e Minerva não tolerava excesso de conversas paralelas. Muito eles tinham de aprender ainda, pois embora o bode fosse empalhado, eles aprenderiam a dar “vida” a ele. Alguns conseguiram até berros do bode, outros conseguiram somente dois passos do animal...
- Azulado, veja isso! – Chamou a atenção, Jamal, fazendo com que o seu animal, que tinha ainda o corpo um pouco amadeirado, mirar os pequenos chifres na direção de alguns Sonserinos.
- Não exagere, Jamal! Nem todos são totalmente ruins assim. Lembra da Raven? E há outros também que não merecem esse julgamento por conta dos antigos alunos que a casa deles teve.
- Eu sei disso, mas que seria engraçado se o bode de alguém saísse correndo atrás de alguns. Ah! Como seria.
Alguns outros alunos que estava por perto, apenas concordaram dando risadas. Darien fez o mesmo. E pensou na vontade de fazer o bode correr atrás do Diretor. Pensamentos infantis, mas que na cabeça do menino faziam sentido, ao menos o deixava sentir-se melhor.
Findada a aula, os rapazes seguiriam para Poções, ao menos Slughorne era um puxa-saco sem fim de alunos como Darien, que faziam as poções totalmente detalhadas e perfeitas, mas a copiar da primeira aula, o rapaz de cabelo azulado não levava muita fé em êxito no dia de hoje em aula alguma. E foi realmente o que havia acontecido até a hora do almoço...
Mesas cheias, falatório habitual, alunos conversando sobre as aulas, uma parte se remoendo de queixas dos novos métodos utilizados, alguns alunos modelavam com os talheres a cremosa sopa de repolho roxo, e poucos sorriam, contentes e tagarelantes: eram os beneficiados pela nova metodologia de ensino de Hogwarts.
Corujas inesperadas apareciam no céu do colégio. Revoadas e loucas, soltando penas das mais diversas cores. Algo parecia estranho, e realmente estava! Algumas famílias comunicavam aos filhos das últimas do ministério, eles estavam sob investigação total e tudo que fizessem, lessem, ou até mesmo pensassem estava sendo vigiado. Inclusive em Hogwarsts.
Darien olhou para os lados, ao menos ele não recebia carta alguma, pois Becky além de morar na Noruega, era conceituadíssima no mundo bruxo por seus trabalhos. Jamal chateava-se pela sua mensagem. Diariamente deveria enviar aos pais os seus passos em Hogwarts, além de uma prévia biografia de Darien e sua família, e o que ele fazia num bairro trouxa da França. Os meninos não acreditavam naquilo, até relerem todo o texto escrito por Siendra, mãe de Jamal.
Darien pressentia que dias de terror estavam por vir, dentro de Hogwarts inclusive, esperava pelo pior, nesse momento refletiu sobre como o irmão veria o mundo bruxo. Será que o bebê de Becky teria a sorte de encontrar algo de melhor na escola, no mundo... Pensou e no seu pensamento cansou de ficar parado esperando o mundo mudar por si só; desejou fazer parte desse giro, revolucionário seria e sabia que o amigo estaria, mais uma vez, junto dele.
Com o almoço terminado, a ordem era seguir para as salas comunais de suas casas. Por aquela quinta-feira o segundo horário de atividades estava suspenso. Provisoriamente, mas à noite, um jantar com o pronunciamento da diretoria de Hogwarts se faria presente. A lavagem cerebral iniciava e o azulado tinha consciência de que muitos dos alunos estavam na mesma situação que a dele e arquitetavam mil e uma idéias a fim de que algo fosse feito, se não poderiam modificar todo o mundo bruxo naquele momento, começariam a tentar pelo colégio.
Era intrigante pensar dessa maneira, e ver parte dos alunos, professores e funcionários gerais satisfeitos com as novas normas. Uma pequena parcela se beneficiava, coisa que não era diferente em lugar algum, mas extrapolavam nos direitos que tinham e diminuíam os direitos dos demais, a quem só restavam deveres. Darien sentiu-se um guerreiro, num tabuleiro de xadrez, preparado para o primeiro movimento, onde as peças eram reais e não havia movimentos programados, qualquer ação era possível de ser feita, tanto de um lado quanto de outro; era a hora de escolher o lado do tabuleiro.
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