Sunday, January 18, 2009

Voltando do Hiatus


Bem vindos de volta!

Enfim, chega o mês de setembro na cronologia expressiana. Alguns de nós voltam para Hogwarts... outros se adentram nas lutas da resistência bruxa contra o ditatorial governo comensal... e ainda há aqueles cujo destino ainda estão envoltos nas brumas das incertezas...

Com isso, muitas coisas diferentes acontecerão a partir de agora. Nossas aventuras não se restringirão apenas à Hogwarts!

E, para não ficarem perdidos, dêem uma olhadinha na parte do Guia do Expresso Hogwarts. Aquela plaquinha no canto esquerdo tem tudo o que vocês precisam saber mas ainda não sabiam que precisariam perguntar.

Outras novidades também nas fichas dos personagens...

Esperamos que gostem das novidades e das histórias que estão por vir.

beijos mil, Meri

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O Último Embarque - Parte 1


Mais uma vez, era 1° de Setembro e famílias bruxas por todo o país repetiam o mesmo ritual. Às onze em ponto da manhã a locomotiva mágica escarlate deixaria King's Cross, em Londres, para uma viagem sem escalas até Hogsmeade.

Alunos mais novos encaram com êxtase os preparativos de seu retorno – ou sua primeira ida – à Hogwarts. Já os alunos mais velhos lidavam com a viagem com um pragmatismo quase robótico – afinal, depois de sete anos era um tanto difícil se empolgar com algo que já conheciam.

A plataforma 9 ¾ estava mais vazia naquele ano. Na verdade, estava mais vazia do que jamais estivera. E os Aurores que no ano passado circulavam por todo lugar, procurando por indícios de ataques Comensais, foram substituídos por diversos agentes administrativos, com vestes roxas e a insígnia dourada do Ministério da Magia bordada no peito da capa, que traziam rolos de pergaminhos às mãos e checavam e re-checavam documentos apresentados pelos alunos e seus pais.

Não seria permitido o ingresso de nascidos-trouxas em Hogwarts naquele ano. A tolerância se estendia, no máximo, a mestiços. E o Ministério parecia disposto a fazer sua nova lei valer.

Para Adhara era um paralelo estranho pensar que logo naquele ano, em que a estação estava tão vazia, ela estava acompanhada da maior comitiva que já tivera em seu retorno à escola. Sempre costumavam ser apenas ela e o pai – com exceção das poucas vezes em que a avó da garota, Mira Barton Timms, também aparecera.

Desta vez, entretanto, lá estavam Adhara e Kamus Ivory, circulando pela plataforma e empurrando carrinhos junto de Frida Ivory (ou assim ela seria chamada tão logo o Ministério liberasse os novos documentos de casada da polonesa), Meridiana Johnson, os "irmãos" Lucien von Weizzelberg e Selune Priout – acompanhados dos pais, Alexis e Valentine –, Tristan McCloud, namorado da francesinha, e Kyle O'Neil junto de sua mãe, Lucy, esta última sob o disfarce de sua costumeira identidade falsa, Cassandra O'Neil.

Eram onze pessoas ao todo – doze, na verdade, se contassem o bebê que Frida carregava no ventre. E, ao contrário do que se poderia supor ao juntar tantas pessoas diferentes em um mesmo lugar, o enorme grupo apresentava uma harmonia e camaradagem que chegava a ser desconcertante na atmosfera de desconfiança que permeava o embarque dos alunos naquele ano.

O grupo se aproximou dos vagões de bagagens, ajudando uns aos outros a guardarem os malões nos compartimentos. Embora ajudasse naquelas arrumações, Kyle O'Neil observava com atenção tudo o que acontecia ao redor, tanto o movimento dos alunos quanto dos agentes do Ministério que circulavam pela plataforma. Ele podia sentir a tensão, quase tão densa como névoa, rodear o ambiente.

- É sempre assim? – ele perguntou, sem se dirigir especificamente a ninguém.

- Costumava ser bem mais alegre – foi Meridiana quem respondeu – Mesmo sendo um momento de despedida, era um dia para se comemorar.

- Hum... – o rapaz apenas murmurou, compreendendo, parcialmente, as entrelinhas contidas nas poucas palavras da prima.

Após ajeitarem os pertences dos mais jovens, o grupo foi naturalmente se dividindo, de forma que cada família pudesse ter um momento de privacidade maior com seus rebentos. Os Von Weizzelberg, juntamente com Tristan McCloud, se afastaram um pouco para conversar com Lucien e Selune. Lucy fez o mesmo, enlaçando a mão de Kyle e puxando o filho para um canto mais sossegado.

Desse modo, Adhara e Meridiana acabaram por se ver sozinhas com Kamus e Frida.

O casal, de braços dados, trocou um olhar entre si e às meninas pareceu quase como se os dois estivessem se comunicando por legilimência, ou então confirmando algo que já havia sido anteriormente discutido. A cumplicidade que emanava que Kamus e Frida pareceu tornar-se ainda mais palpável após o casamento. Era algo quase estranho de assistir... Como se os dois não fossem entidades separadas, mas sim partes diferentes de uma coisa só.

Meri compreendia aquilo mais facilmente, afinal também se sentia daquela forma com Lucien. Adhara, no entanto, apesar de ter decidido acolher a madrasta e o bebê da melhor forma possível, ainda se encontrava um tanto incerta de como lidar com os novos meandros e conexões que se estabeleciam entre sua família.

E logo Kamus Ivory estava encarando a ambas as meninas com aquele mesmo olhar firme a que Adhara já estava tão acostumada, o mesmo olhar que o russo sempre empregava quando estava prestes a dizer algo importante ou a dar uma ordem. Porém era a primeira vez que Meri se via alvo daquele olhar, e a sonserina encarou a prima de esguelha para ver como a ruivinha estava se saindo sob o peso da presença autoritária do Auror.

Meridiana fitou o padrinho com desmedida atenção. Fosse alguns meses atrás, antes de ficar à mercê de Ludovic, e, antes de conviver com o Auror de modo mais cotidiano, ela teria se sentido inibida por aquele olhar. Antes, mesmo sem compreender plenamente a razão, era como se precisasse se provar para o padrinho. Agora, no entanto, depois de tudo o que passara, não sentia necessidade de se provar a mais ninguém. Não era mais isso que realmente importava.

- As duas já notaram que as coisas serão um pouco diferentes neste ano. – ele então fez uma pausa, escaneando rapidamente seus arredores para ter certeza de que não estava sendo ouvido. Por sorte, todos os agentes ministeriais decidiram que a família deles não era mais algo interessante após terem visto que todos os documentos estavam em ordem – Mas não preciso adverti-las de nada disso, é claro, já que ambas estão mais familiarizadas com a situação atual do que deveriam.

Adhara surpreendeu-se ao ver algo diferente impresso no fundo dos olhos de seu pai. Para alguém que não conhecesse bem o Auror, pareceria simplesmente que Kamus estava lhes passando uma reprimenda com aquela última frase – como se pensasse que as jovens estavam se metendo em assuntos que não deveriam. Mas Adhara sabia, é claro, que aquele não era o caso. Não raramente era preciso sair de uma linha tradicional de pensamento para analisar os discursos de Kamus Ivory, pois o russo tinha uma forma de dizer coisas nas entrelinhas e um mero olhar ou gesto era o suficiente para mudar completamente o sentido de alguma coisa, por mais óbvias que pudessem parecer suas palavras.

A sonserina sabia que o pai não estava tentando censurá-las. Não, longe disso...

Kamus sentia pesar pelas duas. Pelo que ele sabia que elas já sofreram. E o mero fato de ele se importar com aquilo e, mais do que isso, não encarar aquele sofrimento como uma provação benéfica e necessária para construir o caráter das moças fez Adhara sentir um impulso quase incontrolável de abraçar o pai naquele momento. Kamus finalmente a compreendia.

- Só espero que, seja lá qual posição decidam adotar nos próximos meses... – e naquele instante os olhos azuis meia-noite se focalizaram especialmente em Meri – Não permitam que essa determinação as ceguem para coisas que são mais importantes.

A ruivinha compreendeu que aquela última frase se dirigia principalmente para ela. O padrinho não chegara a conversar abertamente com Meridiana sobre a resolução da garota em se passar por "adepta da nova ordem", pois, Kamus parecia preferir não se impor nas resoluções da afilhada. Contudo, pelas conversas que tivera com a tia, sabia que ele concordava com Frida de que a idéia de Meridiana poderia ser perigosa demais, arriscada demais, de muitas maneiras possíveis.

- Eu prometo manter isso em mente – ela respondeu, deixando que os olhos esmeraldinos se encontrassem com as orbes azuis meia-noite de Kamus. Sentiu um ligeiro frio de ansiedade diante do olhar sério do Auror, mas manteve o contato entre os olhos, pois desejava mostrar que falava a sério.

Ivory assentiu, dando-se por satisfeito com a promessa da garota. Ele sabia que não poderia exigir mais daquilo sem estar se intrometendo em uma posição que não lhe pertencia. Ele não era o pai de Meridiana.

Mas ele era o pai de Adhara, e na vida dela ele poderia interferir.

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