Wednesday, December 24, 2008

Have yourself a merry little Christmas


de Meri para Selune

Selune se lembrasse muito pouco dos seus primeiros anos de vida, antes dos cinco anos de idade, ela sentia ter guardado aquela sensação de plenitude e alegria que as ocasiões de Natal traziam.

Sua lembrança mais marcante era o pai sentado ao lado dela no piano, a mão sobre o ombro da filha, enquanto a loirinha dedilhava os esboços de alguns acordes entusiasmados de quem estava começando a aprender a tocar.

Antes disso, sempre havia a árvore e os presentes sendo desembrulhados aos pés dela, papéis coloridos voando para todos os lados e risos ecoando por toda a casa.

Eram lembranças preciosas que a francesinha tentava manter firmes e coesas nos entremeios de sua cabeça por vezes complicada e enrodilhada de pensamentos diversos e emaranhados.



Depois da morte de Sebastian Priout, um pouco daquela alegria se foi, e, mesmo Selune, Valentine e Victoria se esmerando para recuperar o brilho dos tempos antigos, sempre havia um vazio que não se conseguia ignorar.



Contudo, naquele ano, em que Alexis e Lucien haviam se unidos a eles e se tornando efetivamente família para aquelas três mulheres, a moça percebeu, esperançosa, que as coisas poderiam ser diferentes.



Ela notou tal sensação no dia em que acabara nos jardins da mansão, brincando na neve com seu novo irmão. Era como recuperar uma infância que nunca teve, algo que deveria ter sido, talvez com algum outro irmão que não possuiu, mas estava acontecendo agora.



Não era como se Alexis e Lucien estivessem substituindo Sebastian, era algo ligeiramente diferente, que Selune se sentia incapaz de expressar em palavras, talvez apenas as teclas do piano pudessem traduzir aquele sentimento.



A impressão que a moça tinha era a de estarem todos eles destinados a se encontrarem... a se tornarem uma única e unida família, capaz de se apoiar e proteger.



Ela levantou um pouco a cabeça do divã em que estivera deitada até aquele instante, dirigindo-se para o piano. Passou todos os dedos pelo teclado como se fizesse um suave carinho em um velho amigo... a ponta dos dedos tentando ler o que o instrumento queria lhe falar, qual música ele escolheria para soar através de si naquele dia.



Os acordes de Claire de Lune se misturaram ao som da abertura de Tristão e Isolda de Wagner...que acabaram se tornando o esboço de Cannon em Ré Menor, a música favorita da moça...



Ainda assim, não era aquela melodia que Selune procurava para exprimir o que ela sentia. Até que a canção brotou, tímida e insegura a príncipio, ganhando, literalmente voz no som das teclas e nas estrofes que a moça murmurava com uma voz maviosa e cheia de sentimentos.



Aprendera a canção com Raven e Meri , acabando por incorporá-la ao seu repertório de músicas indispensáveis para o Natal... Ela era perfeita! Perfeita para traduzir todas as emoções que a moça trazia no peito.









Have yourself a merry little Christmas
Let your heart be light
From now on, our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas
Make the Yuletide gay
From now on, our troubles will be miles away

Here we are, as in olden days
Happy golden days of yore
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us
Once more

Through the years, we all will be together
If the fates allow
Hang a shining star above the highest bough
And have yourself a merry little Christmas now





Tão entregue estava naquela cantar, que Selune mal se apercebeu que o irmão voltara até que ele estivesse em pé pouco atrás dela.



-Não precisa parar por minha causa – ele falou com uma voz cheia de alegria e satisfação.



Ela observou os traços dele, sorrindo para si mesma ao constatar que as coisas deveriam ter se acertado satisfatoriamente entre Meri e Lucien.



-Pelo visto, agora eu tenho uma cunhada, non? – ela disse, contente.



Lucien assentiu.



-Depois conto a você como realmente as coisas transcorreram.



A loirinha concordou.



-Temos que abrir os nossos presentes.



O moreno franziu a testa, confuso, quando saíra de casa para visitar Meridiana, estavam prestes a abrir os embrulhos sob a ávore, por que agora ela o esava chamando para fazê-lo? Como se estivesse lendo os pensamentos do rapaz, Selune se prontificou a responder.



-Preferimos esperar, sem você não seria a mesma coisa.



Lucien sorriu de lado, reconhecendo que tinha razão em sua decisão. Não tinha sentido sem todos juntos, ainda mais considerando que era o primeiro Natal deles. Eram uma família, afinal. Ele pensou consigo no presente que escolhera para a irmã. Um dos cadernos de partitura de sua falecida mãe...



-Você está certa, é melhor todos juntos. – Lucien concordou. – Mas antes, será que poderia tocar mais uma vez a música de agora há pouco.



A loirinha assentiu, preparando-se mais uma vez para voltar a tocar e cantar. Lucien sentou-se ao lado dela, pousando a mão com delicadeza sobre o ombro da irmã. A sensação de conforto e proteção era quase a mesma que o pai lhe dava quando menina. Por vezes, ela se perguntava se Alexis e Lucien não haviam sido algum presente abençoado que o pai lhes enviara, de algum modo, no outro mundo.



Com esse pensamento doce em sua mente, ela tomou fôlego e começou novamente a tocar e cantar.


Have yourself a merry little Christmas
Let your heart be light
From now on, our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas
Make the Yuletide gay
From now on, our troubles will be miles away

Here we are, as in olden days
Happy golden days of yore
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us
Once more

Through the years, we all will be together
If the fates allow
Hang a shining star above the highest bough
And have yourself a merry little Christmas now

Selune simplesmente sabia que estava feliz


Cartão Musical




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