Sunday, August 24, 2008

A Tiny Sunshine


Ela não se lembrava ao certo quando fora a última vez que estivera naquele bairro, talvez bem antes dos pais morrerem, acompanhada da babá. Quando residia em Londres, seu apartamento se localizava em Belgravia, distrito de luxo da capital inglesa. Por isso, era com certo receio e estranhamento que ela caminhava pelas ruas frenéticas e pulsantes de Notting Hill, com suas lojas variadas, tendas, e casas pequenas, porém convidativas.

A mulher entrou a passos tímidos na loja de antiguidades, olhando com atenção para o moreno de olhos cinzentos, quase azulados, que levantou a cabeça para recebe-la.

-Posso ajuda-la? – ele perguntou, solícito.

Lucy ficou momentaneamente paralisada, sem saber exatamente como agir. Frida não lhe dera instruções mais específicas a não ser que procurasse por Jack Mercury.Portanto, depois de, a princípio hesitar, ela se aproximou do balcão onde o homem estava, entregando-lhe o papel onde a polonesa escrevera o endereço da loja de colecionáveis e um curto recado para Jack.

Ele apenas estreitou momentaneamente os olhos ao reconhecer a letra delicada e curvilínea de Frida que dizia com todas as letras “Cuide dela, por favor”.

Jack ergueu o rosto novamente encarando a morena que pousava ansiosamente seus olhos anis sobre ele.

-Herman! – ele chamou, sem desviar o rosto da mulher.

-Oi, tio! – uma voz jovem se fez ouvir mais ao fundo da loja.

-Cuide da loja por uns minutos, por favor. Preciso resolver um assunto sério lá em casa.

-Já estou indo – a voz respondeu mais uma vez.

-Venha comigo – o homem disse, seguindo em direção a uma pequena porta que havia no fundo do estabelecimento.

Lucy se resignou a segui-lo, calada, percebendo, com o canto dos olhos, que, simultaneamente o vulto de um rapaz se movia em direção oposta, por entre algumas prateleiras, para a entrada da loja.

Ela galgou os degraus que davam acesso a uma sala de estar, com poltronas de couro, e paredes e móveis abarrotados de objetos peculiares, como pôsteres de filmes antigos, estátuas, abajures de lava.

Jack indicou uma das poltronas para ela, e, ainda em pé, perguntou:

-Quer alguma coisa para comer ou beber? Água? Suco? Chá?

Lucy meneou a cabeça em negativa. O homem assentiu, sentando-se defronte a ela.

-Você deve ser alguém importante- ele disse, dando um sorriso para tentar amenizar a situação naturalmente tensa – Frida nunca me mandou alguém diretamente. Todos vieram sem saber exatamente que era ela a responsável, você sabe, aquela coisa básica de senhas e contra-senhas, encontros na penumbra e por aí vai, como em qualquer bom filme de espionagem. Bem, se pararmos para pensar nos ruins também.

Ele fez uma pequena pausa, voltando a ficar sério, uma vez que a mulher continuava visivelmente tensa.

-O que eu posso fazer por você? – ele perguntou – Precisa sair do país ou algo assim?

-Não... – Lucy balbuciou- Eu preciso exatamente do contrário. Preciso de um lugar para ficar na Inglaterra. Meu nome é Lucy Reinfield, embora, nos meus documentos conste Cassandra O’Neil – ela disse, sendo completamente sincera. Se Frida confiava em Mercury, ela também confiaria.

O homem franziu a testa, pensativo, já escutara aquele nome em algum lugar, embora, vasculhando por entre as névoas de suas lembranças ele não conseguisse precisar exatamente quando, apesar de Jack sempre se gabar de ser “amaldiçoado” por uma excelente memória.

-Nós já nos conhecemos, Mercury – ela continuou – Eu era amiga de Elizabeth Jonhson. Eu acompanhei Betsy quando ela foi se encontrar com você e Nicholas em uma lanchonete próxima do nosso trabalho. Apesar de, na época, eu já estar sob o Imperius, eu me lembro de você, do modo apaixonado como você falava dos lugares pelos quais viajara. Eu...eu senti muita inveja da sua liberdade na ocasião. Me desculpe.

Jack apoiou a cabeça em uma das mãos, tentando rememorar a ocasião que a mulher mencionara, e associa-los aos dados que ela lhe passara. Imperius. Ele sabia o que era aquilo. Um feitiço hediondo que alguns bruxos usavam para escravizar quem lhe proviesse. Quanto ao tal encontro...ele se lembrava, embora existisse uma discrepância gritante entre a figura que estava diante dele e a moça que conhecera.

-Você tinha cabelos castanhos e olhos cor de mel, não?

Lucy anuiu.

-Eu mudei de nome e aparência quando saí do país. Só voltei porque...

Jack fez um sinal com a mão, impedindo a mulher de prosseguir.

-Você não precisa contar nada. Você precisa de ajuda, precisa de um lugar para ficar. É só isso que eu tenho que saber.

A mulher abaixou o rosto, apertando, na altura da coxa, parte da saia do vestido que usava. Pela primeira vez em anos, ela queria falar, queria contar para alguém, além da falecida Lachesis, por livre e espontânea vontade, aquela parte amarga de sua história. Não poderia envolver Mercury naquilo tudo sem que o homem soubesse os detalhes da situação complicada que trouxera Lucy de volta à Inglaterra.

-Eu quero contar... – ela disse, ainda sem fitar o homem – Eu preciso...já que vai me ajudar... Eu...eu...estive sob o Imperius durante a primeira guerra e, uma das conseqüências disso, foi um filho. Eu menti para ele durante quinze anos...e ele descobriu quem era o pai dele faz pouco tempo e fugiu para cá....Eu vim buscar Kyle. Eu não posso deixar que ele encontre o pai, não posso deixar que Ludovic sabia sobre ele.

O rosto de Jack endureceu em um misto de espanto, terror e raiva. Então Ludovic Black-Thorne era o responsável pelo sofrimento que ele via expresso no rosto daquela mulher. O mesmo cretino que matara seu melhor amigo, matara Elizabeth anos antes e prendera a própria sobrinha. Alguém que Jack já aprendera a odiar mesmo sem conhecer.

-Tudo bem – ele disse, levantando-se e colocando a mão no ombro de Lucy, fazendo com que ela o fitasse – vamos ao hotel onde você está hospedada, pegamos sua bagagem e trazemos para cá. Faço questão que fique conosco.

-Mas...- Lucy o encarou com olhos surpresos.

-Nada de mas...Você não mudou de aparência? Com esses cabelos escuros e olhos azuis, dá para fingir até que é minha prima. No meio de trouxas você vai estar mais segura. Além disso, que raio de cavaleiro de armadura brilhante eu seria se virasse as costas para uma dama em perigo?- ele completou, dando uma piscadela e um sorriso para a mulher.

Lucy assentiu, deixando um sorriso melancólico se formar em seu rosto, sentindo se formar, no peito, uma tênue esperança de que as coisas iriam se resolver exatamente do modo como ela desejava.



Chamado às "armas" - Vai começar a Rebelião



Retirem as vassouras do armário, espanem as varinhas! Preparem-se!

Para a indignação geral e revolta da comunidade mágica mundial, o filme Harry Potter e o Enigma do Principe, que seria previamente lançado em novembro, foi adiado - CLIQUE AQUI - para o ano seguinte.

Não podemos ficar de braços cruzados diante dessa mudança tão drástica.

Assim, a equipe da CPBH convoca todos os membros a um reunião geral para planejarmos nosso levante revolucionário.

Mais detalhes no button abaixo:

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