Tuesday, August 26, 2008

Reconhecimento - Parte 1


Meridiana estava sentada na poltrona da sala de estar do apartamento da tia. Ela abraçava as pernas, apoiando a cabeça nos joelhos. Adhara estava no banho, e, embora a ruiva se sentisse tomada por um estado de pânico por estar completamente sozinha pela primeira vez desde que escapara, ela sabia que estaria ultrapassando qualquer limite do razoável se pedisse para a prima não deixa-la desacompanhada.

No St Mungus, havia sempre alguém por perto, usualmente Lucien, ou algum dos amigos, ou mesmo uma das enfermeiras. E, na maior parte do tempo, ela estava dormindo devido ao efeito colateral da poção que usaram para limpar quaisquer traço da intoxicação causada pelo uso contínuo de secreção de besouro da melancolia que Ludovic lhe aplicara.

Meri repetia para si que o pior havia passado. O apartamento de Frida era protegido pelo Fidelius, não haveria como Ludovic encontra-la. Além disso, ela não poderia viver sempre com medo da própria sombra. O tio havia lhe roubado tanto, não poderia permitir que ele roubasse também o resto de sua vida. Ela tinha que voltar a ser forte, a não se render ao impulso de fugir e se esconder.

Além disso, havia dentro dela um ódio brando e constante que lhe sussurrava volta e meia que ela deveria conceber um modo de fazer Ludovic pagar por todos os crimes que ele cometera. Pagar dolorosamente...pelo que fez a ela...aos pais...a Adhara...e tantos outros mais.

Antes, ela queria justiça, agora, Meridiana reconhecia amargamente, isso não era o suficiente.

Ela tentou abafar as sombras que pareciam querer crescer dentro ela, tentando focalizar sua atenção nas imagens que apareciam na televisão. Piscou os olhos ao reconhecer a imagem de um desenho animado a que assistia quando menina... Ela deu um leve sorriso, pois, de alguma forma, aquele eco de um passado que parecia distante, lhe trouxe certo conforto.

Meridiana lembrou se, então, da conversa que tivera a pouco com Adhara. Ela não estava sozinha...nunca estaria...

E pensar naquilo foi o suficiente para que se sentisse plenamente segura.

A moça levantou o rosto ao escutar o barulho da maçaneta da porta sendo girada. Poucos segundos depois, Frida surgiu pela entrada, lançando à sobrinha o mesmo sorriso sereno com o qual Meri se acostumara.

Meridiana retribuiu, mas franziu rapidamente o cenho em seguida, como reflexo à curiosidade que lhe assaltara, ao notar que pouco atrás de Frida vinha um rapazinho de cabelos castanhos e olhos verdes estranhamente familiares. Ele lembrava à ruiva alguém que ela não sabia precisar, embora nunca o houvesse visto antes.

-Meri, bem vinda - Frida disse aproximando-se da sobrinha e depositando um beijo suave na testa da moça.

-Obrigada - ela murmurou, verdadeiramente agradecida por tudo o que a tia vinha fazendo por ela, não apenas nos últimos tempos, mas desde que se conheceram.

Meridiana admitia para si mesma que, embora Frida não ocupasse por completo o lugar que deveria ter sido de Elizabeth, a tia era o mais próximo de uma mãe que ela possuía.

-Obrigada mesmo, tia... - ela repetiu.

A loira sorriu mais uma vez, em retorno, ter Meridiana finalmente sob seu teto, longe das garras de Ludovic, era como finalmente acordar de um pesadelo que durou muito mais do que ela desejou.

Frida virou a cabeça em direção de Kyle, que parecia ligeiramente indeciso sobre como agir, não necessariamente constrangido, apenas...ele não sabia o que pensar. Aquela era a prima dele...a menina que o pai dele havia seqüestrado...Ela parecia tão magra, tão abatida, tão fraca, tão indefesa. Mesmo depois da temporada no hospital...Ele não conseguia se refrear em imaginar qual exatamente teria sido o estado em que ela foi encontrada, uma vez que, supostamente, ela estava "melhor" naquele momento. Repentinamente, a imagem da própria mãe cruzou rápida por seus pensamentos, mas ele foi trazido de volta à realidade ao escutar Frida chamando-o.

-Kyle, essa é Meridiana - a polonesa falou - Niña, este é Kyle O'Neil, veio da Grécia e está hospedado aqui conosco.

-Prazer - Meridiana respondeu estendendo a mão, a sensação de que conhecia o garoto pulsando ainda mais forte.

O rapazinho demorou um pouco até apertar a mão da ruiva, os olhos verdes dele se cruzando com os dela, contudo, ele não soube a razão, mas não conseguiu fita-la por muito tempo.

-O prazer é meu. - ele disse, soltando a mão da prima. - Se vocês não se importarem, eu vou para o meu quarto - ele emendou.

-Tudo bem, imagino que tenha sido um dia cheio. - Frida respondeu - Além disso, tenho algumas coisas para conversar com Meridiana.

Kyle assentiu, despedindo-se das duas, com um menear de cabeça, seguindo, então, em direção ao corredor que dava acesso aos quartos. No meio do caminho, acabou por cruzar com Adhara, que saia do banheiro, enxugando as pontas dos cabelos negros com uma toalha felpuda. Não passou despercebida a ela a expressão séria e desconcertada do rapaz mais novo.

-Você conheceu Meridiana - ela afirmou, ao que ele concordou silenciosamente.

-Ela e a Sra. Black-Thorne estão na sala conversando.

-Entendo - Adhara disse, mais para si, que para Kyle - Acho que vou deixa-las ter a privacidade que merecem.

O rapazinho apenas assentiu, observando Adhara entrar no quarto que agora dividia com Meridiana. Durante certo tempo, ele ficou no corredor, indeciso sobre o que fazer ou pensar, aceitando, finalmente, que, por hora, restava a ele apenas esperar.

Recado do CPBH - Encontro de Domingo - Informações


Como algumas pessoas estão se perguntando seguem as informações sobre o encontro de Domingo.
Objetivos:
*Organizar uma manifestação contra a mudança de data do filme;
*Ouvir e Debater idéias sobre como, onde e quando realizar esta manifestação;
*Gravação de vídeo protesto.


Outras Considerações:
*Sanar dúvidas referentes ao Baile de Inverno
*Sorteio de brindes
*Sorteio de ingressos para o Baile


Local e Data:
31 de Agosto (Domingo)
Praça da Liberdade (Coreto)
13:30 hrs

Compareçam!



Mais detalhes no button abaixo:

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