Friday, August 29, 2008

Reconhecimento - Parte 2


-Como você está? - Frida perguntou, sentando-se no sofá ao lado de Meridiana.

-Eu acho que bem...considerando as circunstâncias - a moça respondeu, voltando a abraçar as pernas, fitando a tia, mesmo tendo a cabeça apoiada nos joelhos - quer dizer... rever todo mundo...estar aqui com vocês...isso ajuda...

A loira pousou a mão no braço de Meridiana, aquele gesto fazendo com que a moça se sentisse infinitamente melhor.

-Eu sei exatamente como você se sente, niña, talvez até mais do que você imagina. - Frida disse - Você têm evitado demonstrar isso, mas sentir tristeza ou medo é normal, aliás, eu me preocuparia se você não os sentisse.

Meridiana desviou momentaneamente os olhos, incapaz de responder. Havia coisas com as quais ela ainda não sabia como lidar...coisas que ela preferia evitar pensar...

-Dhara me contou sobre você e o Sr. Ivory - a ruiva disse, voltando a encarar a tia, mudando propositalmente de assunto - Eu suspeitei disso na Páscoa, mas imaginei que preferiria me contar quando fosse mais oportuno. Se você estiver feliz, eu fico feliz por vocês dois.

-Eu estou sim, Meri. - Frida sorriu de modo sereno. - Eu amo Kamus, de um modo diferente do que eu amei Aldebaran. Não seria justo com nenhum dos dois compara-los. Mas sim, eu realmente amo Kamus, de uma forma que às vezes me surpreende.

Meridiana sorriu em retribuição.

-Dhara me falou sobre a possibilidade de eu ir morar com vocês...

-E o que você acha?

-Eu gostaria sim...não apenas pelo fato de o Sr. Ivory ser meu padrinho ou pelo carinho imenso que eu tenho por Adhara, mas porque você também é minha família. Seria bom ficarmos juntos, especialmente, agora que eu vou ganhar um priminho ou, "irmãozinho", considerando que você é praticamente minha madrinha.

Meridiana soltou uma das mãos, pousando-a sobre a de Frida, que retribuiu o gesto. Por algum tempo elas permaneceram assim, apreciando a presença uma da outra, até que a expressão da polonesa endureceu-se ligeiramente.

-Talvez não seja o momento mais apropriado, entretanto, existem outras coisas que precisamos conversar.

A ruiva sentou-se no sofá de modo ereto em resposta ao tom sério que a tia utilizara.

-Embora não seja oficial, os seguidores do Lorde tomaram o governo. Nós estamos tentando resistir ao nosso modo, mas a situação é complicada por isso...

-Eu não preciso esperar que Ludovic seja punido - Meridiana cortou a tia.

As palavras soaram tão frias e amargas que chegaram mesmo a surpreender a polonesa, ela não imaginara até aquele instante, o quão profundas eram as marcas que o ex-cunhado deixara no coração de Meri.

-Não. E, parece, que ele foi incorporado ao ministério como "diplomata". Contudo, não é apenas isso que eu preciso te contar. Alexis foi ao norte da Inglaterra, onde você esteve presa. Ludovic destruiu tudo que havia no lugar, incluindo o retrato de Aribeth.

Meri mordeu os lábios de leve, sentindo-se culpada por ter deixado o quadro da tia-bisavó para trás, mas o lamento foi logo substituído por uma pergunta quase urgente. Apenas descendentes dos Thorne poderiam ter acesso direto à câmara da família...como o sogro conseguira entrar?

-Você já ouviu falar de Lucy Renfield? - Frida perguntou, como se adivinhasse os questionamentos que surgiam na mente da ruiva.

-A "esposa" de Ludovic - ela respondeu - ele me contou tudo sobre ela...

-Kyle é filho dela - Frida disse, sabendo que não demoraria muito para que Meridiana chegasse às devidas conclusões.

A ruiva piscou os olhos, até arregala-los, quase em completo horror, tapando a boca com ambas as mãos.

-Eu preciso falar com ele! - ela exclamou, levantando-se em um ímpeto após se recompor do choque - Eu preciso falar com ele agora!

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