Friday, August 22, 2008

Inerlúdio: Into Darkness


Os eventos deste post acontecem entre a fuga de Meridiana e a chegada dela no apartamento de Frida

Ludovic encarou o arco de pedra que dava acesso a entrada da casa de seus ancestrais com um sorriso triunfante em seus lábios. A aliança entre os Ivory e o Lord das Trevas era um fato praticamente sólido ... além disso, ele encontrara algumas pistas sobre o paradeiro de algo que o mestre desejava ansiosamente.

Contudo, a maior satisfação do ruivo estava nos triunfos pessoais.Finalmente conseguira extirpar por completo a parte trouxa que contaminara sua sobrinha. Claro que ele precisou ser duro com Meridiana, castiga-la quando necessário, mas, tudo o que fez foi por amor.

E o resultado de tanto empenho seria concretizado naquela noite, quando Meridiana realizaria seu primeiro assassinato...

Ludovic estava tão feliz que até mesmo se dera ao luxo de comprar um presente para a sobrinha na Rússia. Ele trazia debaixo do braços uma caixinha de madeira, onde dentro estava guardada uma matrioshka, aquela típica boneca russa, que na realidade eram várias bonequinhas que se encaixavam uma dentro das outras.

Escolhera uma cuja aparência lembrava Meridiana. Cabelo curtos, ruivos e encaracolados. Olhos verdes. A roupa pintada sobre a madeira polida era um traje tradicional. A sobrinha iria gostar, meninas gostavam daquele tipo de agrado. E, não custava nada a Ludovic mimar um pouco Meri, especialmente quando ela estava sendo tão obediente.

Contudo, o sorriso nos lábios do homem morreu no instante em que ele entrou na câmara secreta de sua família. Estava vazia, completamente vazia! Aquilo era impossível. Ele lacrara a passagem que a sobrinha usara para tentar fugir, e, Meridiana não tinha conhecimento do modo como se usava para entrar e sair do recinto.

Ainda assim, não havia sinal algum da moça.

E ela não poderia ter desaparecido no ar...mesmo se ela soubesse aparatar, pois, além do fato de Meridiana não possuir uma varinha que lhe permitisse o uso de magia, Ludovic garantira que a câmara fosse a prova de aparatação.

A expressão do homem era um esgar de fúria e incompreensão. Ele soltou a caixa de madeira no chão, sacando a varinha e revirando todos os móveis do recinto, transformando-os praticamente em escombros no processo.

Ainda assim, a presença de Meridiana não se revelou.

-Perdeu alguma coisa? – a voz de uma mulher ressoou, desdenhosa.

O homem levantou o rosto, percebendo um rosto familiar no quadro que presenteara à sobrinha.

-Aribeth – ele sibilou o nome da tia-avó por entre os dentes, notando que a pequena fada também estava no quadro, escondida atrás da antiga matriarca dos Thorne, como se estivesse petrificada de medo ante o acesso de fúria de Ludovic. – Foi você quem a ensinou como sair daqui...você a envenenou contra mim...a convenceu a ir embora...

A mulher assentiu, em seu rosto havia uma expressão determinada e segura.

-Você deveria saber que mesmo prendendo um pássaro, não nos tornamos donos do canto dele.

O homem franziu o cenho, sentindo a fúria ampliar, tomando conta de cada uma das fibras de seu corpo. Ele sabia que havia conseguido, sabia que Meridiana havia se tornado sua. Sua pupila, sua herdeira, sua filha.

Não fosse Aribeth, a menina ainda estaria à sua espera. Agora, Meridiana estava novamente no mundo, ao alcance dos inimigos de Ludovic, todos eles prontos para envenenar sua sobrinha e destruir todo o trabalho que ele teve em purifica-la nos últimos meses.

Ele não compreendia era como a tia aparecera naquele quadro. Pouco depois de ter sido libertado de Azkaban pelo mestre, Ludovic esteve na casa de seus ancestrais. A mente dele ainda estava embotada, o ódio que acumulou durante os anos de cárcere transpiravam por todos os poros do seu corpo na ocasião. Assim, para livrar-se da carga excessiva que o impedia de preparar-se devidamente para destruir seus inimigos, o homem acabou por incendiar todos os quadros que havia na casa.

Fogo era algo poderoso...era um modo de reconstruir das cinzas a glória dele próprio e de sua família...

Contudo, aparentemente, havia deixado uma das pinturas de fora. Um erro do qual ele agora se arrependia amargamente. Um erro que não iria repetir.

Sem proferir palavra alguma, ele lançou um feitiço contra o quadro. As mulheres dentro da obra estremeceram, percebendo que estavam encerradas naquela pintura, que o que quer que Ludovic desejasse fazer, não poderiam escapar para a outra moldura, escondida em uma sala secreta que Aribeth usava em vida.

-Você pode ter tirado minha sobrinha de mim por hora, tia. Mas Meridiana é minha, sempre vai ser. Quanto a você, acredito que mereça um castigo...algo definitivo para que nunca mais atrapalhe meus planos.

O homem ergueu novamente a varinha em direção ao quadro, contudo, daquela vez, optou por não esconder suas intenções em um feitiço não-verbal.

-Incendio! – ele proferiu, com um brilho sádico perpassando pelas orbes esmeraldinas.

As duas mulheres se abraçaram, tanto a fada quanto a druidesa encararam o homem de cabeça erguida, enquanto as chamas lentamente destruíam qualquer vestígio da existência pictórica de ambas.

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