Fic Especial: Mad Tea Party – Parte 19
Kieran enfiou o rosto contra os travesseiros, embolando-se com os lençóis, antes de engatinhar até os braços da irmã. Mina continuava profundamente adormecida.
Mesmo assim, em meio aos seus sonhos, a jovem sorriu enquanto o aconchegava melhor. Contente, Kieran deixou-se abraçar, embalado pelo corpo quentinho da irmã mais velha.
E de volta à Terra do Nunca...
O som de gritos e espadas se entrechocavam no ar, coalhado de meninos voando descuidadamente, dando rasantes por cima dos piratas. Havia pólvora e palavrões de deixar qualquer um de cabelos em pé.
Mina estava enriquecendo muito seu vocabulário de pragas em meio ao caos.
No meio da bagunça, ela percebeu Darien Pan lutando contra o capitão que, de alguma forma, parecia-lhe muito familiar.
Draco Malfoy??
Nesse momento, muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Primeiro, o tique-taque de um relógio aproximou-se da amurada do navio. Segundo, as flechas de penas coloridas acabaram. Terceiro, Mina perdeu o equilíbrio...
E foi direto para a água.
As escamas de um crocodilo apareceram na crista das ondas. Mina tentou dar impulso para o alto e avante, mas, aparentemente, o pó de pirlimpimpim passara do prazo de validade.
*tantan tantan tantan tantan...*
Ao fundo, começou a tocar a trilha sonora de “Tubarão”. E Mina chegou a uma conclusão:
Era tudo culpa do Spielberg.
O crocodilo estava agora muito próximo para que ela pudesse tentar escapar nadando. O peso do vestido também não ajudava.
Ela não teve nem tempo de murmurar uma prece ou encomendar sua alma. A última coisa que a jovem viu foram os olhos lacrimosos do crocodilo e sua bocarra cheia de dentes.
Alguém apagou a luz.
Algum tempo se passou antes que Mina notasse que estava agora sentada numa poltrona de cinema, seus olhos sendo a única coisa que conseguia mexer. A cabeça ainda rodava com a caudada que levara do crocodilo quando ele praticamente a atropelara, acercando-se do navio.
Agora, na tela, ela podia ver o Capitão Draco Gancho preso na amurada de seu navio apenas por seu... gancho. E o crocodilo logo embaixo, de boca aberta e cheio de expectativa.
De repente, não mais que de repente, o filme mudou. E ela tinha certeza de que agora estava assistindo ao sonho de Darien Semog. Só lhe faltavam as pipocas...
Darien corria velozmente, amedrontado com todos os olhares dos quadros do castelo direcionados a ele; não sabia mais para onde ir, nem o que fazer. Contava as horas que passavam, sem que se importassem com o menino, os dias zombavam dele.
Os corredores avermelhados da escola contradiziam a camisa e os cabelos do garoto: azuis da cor do céu. A essa altura, o medo tomava conta daqueles olhos brilhantes como os de Becky, o corpo atlético de Darien correspondia a negações a cada movimento dado por ele.
- Preciso achar um jeito de me safar dessa – Repetia o menino.
Ninguém apareceu na escola, ninguém parecia estar ali, somente ele e sua própria sombra. Somente o corvinal que tinha medo de duelar, que cobrava a si mesmo coisas impossíveis, que nem mesmo pessoas completa e altamente mais sábias do que ele tinham capacidade em fazer.
O garoto se sentia só, mas jurava ver vultos pelos corredores ao longe. Darien se apegou olhando para si mesmo através de um vidro de porta quebrado, próximo às masmorras. Temia a solidão mais que tudo na vida.
O menino, de tanto andar, sentiu as pernas pesadas, sentiu o coração trepidar rapidamente, como algo que fosse sair de sua boca, de seu peito, de sua alma. As mãos estavam frias e úmidas, o que era incomum a Darien, pois regularmente tinha as palmas das mãos e o restante do corpo tão quente quanto salamandras incandescentes em festa.
Ainda atormentado por figuras imaginárias, Darien saltou sobre uma parede negras, escalando-a o mais rápido que pôde. As mãos estavam surradas, devido à anormalidade da parede. Ao topo do paredão encontrado, misteriosamente, na escola, Darien viu a sua própria imagem deitada sobre uma esquife de metal enegrecido pelo tempo, coberto por lavanda e uma planta amarelada que exalava uma fragrância de terra molhada por chuva forte de verão.
As luzes do cinema se apagaram. Ela sentiu algo mudar sob seu corpo e, de repente, uma luz ofuscante incidiu sobre seus olhos, deixando-a cega por um instante.
continua
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