A carta de Herman
“Mina:
Depois do modo como as coisas acabaram em junho, eu pensei muito se deveria te escrever ou não. Quer dizer, a forma como você foi embora de Hogwarts. Mas, eu pensei bastante e achei que seria melhor não esconder a verdade de você. Seria muito pior quando você soube. Queria te dar boas noticias, mas, infelizmente, aconteceram coisas que... até escrever é dificil.
Eu não sei se a Meri chegou a te contar sobre o tio dela, um comensal da morte chamado Ludovic Black-Thorne. Ela era muito reservada quanto a isso, mas, agora, não tem mais importância. O tio dela, ele invadiu a casa do Johnson e levou a Meri embora com ele e ele matou o pai dela também.
Cara, eu não queria parecer tão seco quando dissesse isso, mas, se eu não falar de uma vez seria pior.
Olha, a gente não sabe onde ela está. As coisas estão um pouco caóticas. Talvez seja melhor você não voltar para cá, Mina. Eu vou tentar tomar conta de todo mundo.
Abraços,
Herman.”
A menina sentiu cada músculo de seu corpo congelar, enquanto, mais uma vez, seus olhos percorriam as linhas que Herman lhe traçara. Aquilo era um pesadelo. Só podia ser.
Parado à frente dela, Lusmore tentava ler na expressão da prima o que estava acontecendo. Finalmente, ela estendeu o pergaminho para ele, enquanto desabava sentada numa cadeira.
- Isso é um pesadelo. – ela murmurou baixinho, escondendo o rosto entre as mãos.
- Está datada de cerca de um mês atrás. – ele observou – Muita coisa pode ter mudado de lá pra cá.
- Mudado para pior também. – ela observou, levantando o rosto para ele – Nós temos que voltar.
O rapaz passou uma mão pelos cabelos negros, pensativo, enquanto soltava a carta sobre a mesa.
- Herman disse que talvez fosse melhor...
- Herman não sabe o que é melhor ou pior para mim. E você não quer realmente que eu fique aqui sentada de braços cruzados, não é? Ele quer ‘cuidar de todo mundo’ e vem me dar um conselho desse? Ah, tenha dó, Lusmore!
- Muito bem... E o que você vai fazer quando chegar lá? – ele perguntou, cruzando os braços – Vai desafiar esse tio da Meri para um duelo? Supondo, obviamente, que você o descubra, você, uma criança, sobrepujando o Ministério; porque certamente haverá gente do Ministério procurando a Meri. Você que...
- Eu já entendi, Lusmore. – ela o interrompeu, amarga – Eu não pretendo me enfiar no meio de nenhuma luta. Mas tem de haver alguma coisa que eu possa fazer. Nem que seja para estar por perto quando alguém precisar ser consolado.
Ele caminhou até ela, se ajoelhando diante da prima, apoiando os braços sobre o colo dela.
- Sabe o que eu acho? Que ninguém precisa mais de consolo nesse momento do que você.
- Então talvez eu queira voltar porque sou egoísta demais para ficar aqui sozinha. – ela respondeu quase num sussurro – Prometa que não vai contar dessa carta para ninguém. Meus pais já estavam pensando em deixar que a gente viajasse com Kieran no final do mês. Podemos organizar tudo para partir na próxima semana.
Ele suspirou, assentindo.
- Eu prometo. Com a condição de que você prometa que não vai correr nenhum risco desnecessário.
Ela assentiu.
- Obrigada, Lusmore.
Ele sorriu de leve, levantando-se.
- É sempre um prazer, Mimuca.
Nota Para quem quiser um pouco mais sobre as férias da Mina, recomendamos a leitura do volume 3A da série Hopelessly Addicted, do Mahou Gakkou Amaterasu.
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