Blefe - Parte 01
A noite estava excepcionalmente clara, considerando as névoas quase perpétuas que dominaram a Grã-Bretanha no último ano, obra dos dementadores que se aliaram ao Lorde das Trevas. A mulher deixou que seus olhos ambarinos se fixassem nas parcas estrelas que despontavam no céu. Ao fundo, podia escutar a música clássica que vinha do interior do refinado restaurante em que se encontrava. Abaixo, do alto da sacada onde Frida se refugiara, vários carros, dirigidos por trouxas que ignoravam completamente a guerra mágica que também os ameaçava, dirigiam-se para casa.
O moreno alto e elegante aproximou-se a passos suaves da mulher. Um meio sorriso formou-se em seus lábios ao notar o modo como o vestido longo e negro delineava a silhueta da polonesa, e como as costas alvas se insinuavam no decote. Aquele poderia ser um encontro de "negócios", mas nada impedia que o conde Jarno se rendesse à sua atividade preferida: apreciar a beleza feminina.
-Buona notte, signora Black-Thorne.
Frida virou-se na direção de onde vinha a voz, reconhecendo o homem. Não era novidade para ela que o italiano era um seguidor de Voldemort, embora, ele não tenha feito nada que pudesse fazer com que as autoridades britânicas desconfiassem do caráter dele. Entretanto, a polonesa sabia, desde a época em que trabalhou como espiã do Lorde das Trevas durante a primeira guerra bruxa, que o seu antigo mestre fizera aliança com uma organização criminosa da Itália, recentemente descobrindo que seu atual líder era o homem que tinha, no momento, diante de si.
-Creio que ainda não tivemos o prazer de nós conhecermos pessoalmente - o italiano falou, enquanto se aproximava da mulher, beijando suavemente as costas da mão dela - Jarno Massimo de Camposanto.
-Frida Black-Thorne - ela anuiu com um delicado menear de cabeça. - Você é diferente da maioria dos seguidores do Lorde. Eles teriam marcado este encontro em um beco escuro, talvez uma casa abandonada ou em alguma ruína. Escolha interessante a sua.
-Não é porque nossos assuntos são sérios que eu tenha que trata-los em lugares desagradáveis, caríssima. - o homem sorriu com visível malícia. - Então, ao que devo o piacere?
A polonesa o fitou com uma expressão impassível em seu rosto, tentando esconder a leve ansiedade que se formava dentro dela, e, ao simultaneamente surpresa que mesmo depois de todos aqueles anos ainda era capaz de retomar a máscara dissimulada que costumava usar em seu ofício de espiã. Mas, daquela vez, o fazia por uma boa causa. Passaram-se alguns dias que retornara de seu fracasso na Grécia, contudo, na situação em que Meridiana se encontrava, cada dia era crucial, portanto Frida precisava usar todos os seus recursos naquele blefe.
-Imagino que você tenha meios de contatar Ludovic, não? - Frida disse, de maneira aparentemente neutra - Agamennon Star, antes de fugir com a filha, deixou escapar para mim algumas informações dos velhos tempo dele de comensal...Uma delas foi a relação próxima de meu cunhado com sua família, Camposanto.
Jarno fez um gesto de aparente desdém pelo que a mulher acabara de dizer, como se o fato de ele manter uma amizade estreita com um comensal foragido fosse algo insignificante e sem importância.
-Não vejo por que negar o que o Star lhe contou, mas faz um bom tempo que não tenho a satisfação da companhia agradável do Signor Black-Thorne...
Frida estreitou discretamente os olhos, ela duvidava que o italiano estivesse falando a verdade, mas, mesmo que estivesse, ele era o único recurso que ela possuía no momento para chegar até Ludovic, para chegar até Meridiana.
Depois que descobriu sobre Camposanto, passou a investiga-lo, contudo, ele era discreto demais...Ela sabia que uma aproximação direta a exporia também, por isso a colocou como a opção a que recorreria quando não houvesse mais nenhuma outra. Exatamente o que acabou por acontecer, especialmente depois da recusa de Lucy Renfield em auxilia-la.
-Caso tenha a oportunidade de falar com ele, peço, por favor, que lhe dê um recado...que eu preciso que ele interceda por mim junto ao mestre.
continua
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