Tuesday, March 25, 2008

Mudanças


O frio da madrugada londrina obrigou a morena, que naquela hora descia as escadas, a levantar. Samantha não dormia direito há dias desde que seu avô a buscara na estação King Cross, vindo de Hogwarts.

Ao entrar na cozinha seus olhos, cinzentos como os dias atuais de Londres, viram que era quatro da manhã, tivera somente quatro horas de sono. Suspirando, ela pegou a chaleira e a encheu, tomar chá para se acalmar estava começando a virar um hábito. Ela viu preso na geladeira o papel com a data que deveria voltar ao Ministério da Magia, para fazer testes de aparatação.

Sua mente vagou para o que acontecera há algumas semanas

“- O que você decidiu?

Sam conseguiu se conter até chegar a casa, mas o silêncio do seu avô a fez ter que perguntar o que aconteceria em sua vida a partir daquele momento.

- Sente-se. - Peter falou calmamente. - Temos muito que conversar.

A garota sentou um pouco apreensiva. Não achava que seria fácil ficar em Londres, mas tinha esperanças que seu avô compreendesse seus motivos.

- Conversei com os seus pais, sobre o que aconteceu em Hogwarts e também sobre o grupo do qual você fazia parte. Falei sobre o que você me contou na lareira, o que aconteceu com seus amigos e com você.

- Eles me mandaram voltar para casa imediatamente, certo? - A barriga de Sam gelou ao pensar na possibilidade.

Peter levantou sua varinha e, ao movimentá-la, a chaleira, na cozinha, se encheu e foi ao fogão, que acendeu o fogo.

- Se acalme, confie em mim. - Ele sorriu para sua neta ao perceber que ela estava perdendo a cor do rosto. - Sim, foi exatamente o que eles falaram. Depois continuei, contando o que eu achava. Foi uma longa conversa e não vale a pena eu entrar em detalhes agora.

- Sim, não conte os detalhes, me fala logo se vou para Paris ou se vou poder ficar aqui e lutar.

As xícaras de chá flutuaram até a mesa de centro da sala e Peter entregou uma delas à Sam.

- Não e não também. - Ele respondeu. - Você não vai para Paris, mas também não vai lutar. Ainda mais assim, despreparada. Você deu muita sorte em Hogwarts, sabe que poderia ter se machucado seriamente e também as duas crianças que estavam com você.

A jovem anuiu, concordando com o avô. Ela bebeu um gole do chá, sentindo o líquido aquecer seu corpo que, junto com a notícia que ficaria em Londres, a acalmava.

Ao ver sua neta quieta, esperando ele continuar, Peter soube que estava tomando a decisão correta.

- Você ainda tem 16 anos e é muito inexperiente para pensar em lutar. Eu vou ficar em Londres também, vou te ensinar algumas coisas que eu considero o mínimo que deve saber.

O senhor sentiu os braços de sua neta o rodearem e ela o agradecer. Sam repetiu ‘Obrigado’ algumas vezes até que seu avô a fizesse sentar, ainda tinham mais o que falar.

- Eu já marquei a entrevista e estou com a documentação completa assinada pelos seus pais. Devido ao que está acontecendo no Ministério e com as decisões que estão tomando, você vai se emancipar. Primeiro faremos você se tornar responsável por si mesma agora e depois, após treinar e estudar, irá fazer provas para poder aparatar.

- Vou me emancipar? – Sam estava estática. Nunca tinha pensado que seu avô faria algo assim, nem sabia que isso era possível, já que seus pais nunca fariam aquilo. - Como conseguiu convencer minha mãe?

- Não foi fácil, mas no final ela deixou você decidir sua vida. O que me lembra que após terminarmos aqui você vai falar com eles, usando a rede de flú para França. Seus pais estão preocupados e é bom conversar com eles, mesmo que não seja você estando fisicamente lá.”


A conversa com os pais foi boa. Eles não estavam felizes, mas entendiam a filha e a apoiaram no que queria fazer. Sam já era adulta, já estava emancipada e poderia decidir o que quisesse.

- Se me falassem um mês atrás que eu saberia aparatar, ou quase, antes dos 17 anos e que legalmente já poderia fazer isso, eu não acreditaria... A vida está começando a correr... - Ela pensou alto.

- Você tem que se preocupar menos com as coisas ou vai ganhar uma úlcera. - Peter falou ao entrar na cozinha. - Sente, vou ver algo para comermos.

A morena fez o que o avô falou. Desde que começara a ter aulas de feitiços e aparatação com ele, ouvia sempre que tinha que se acalmar ou não conseguiria se concentrar. Sam achou que isso era um dos motivos de ainda não conseguir fazer um patrono.

- Quando for nove horas vou co-aparatar com você até a casa da sua amiga, vai ser bom você ficar por lá esses dias. - Ele falou enquanto colocava torradas e o pote de geléia na frente da sua neta.

Peter não comentava, mas estava ficando preocupado com Sam. A jovem mudara muito. Dormia pouco, ficava a maior parte do tempo treinando feitiços em casa e o sorriso que ele tanto amava quase não aparecia. No fundo o ele tinha esperanças que uns dias na casa de sua amiga de tantos anos a animasse mais.

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