Partida sem Despedida
Mina observou a costa se afastar aos poucos, enquanto o navio tomava seu rumo. Um rumo que ela mesma não gostaria de tomar, mas do qual, no momento, não podia escapar.
Vincent e Godfrey tinham chegado à conclusão que o melhor a fazer era mandar Mina para junto dos pais, no Japão. Para não correr riscos desnecessários, ela viajaria por meios trouxas, na companhia do tio e de Lusmore. Vincent preferira depender minimamente de qualquer coisa que dissesse respeito ao mundo exterior às Hébridas.
- Eles vão ficar bem, Mina.
A moça virou-se, dando de cara com o primo. Deu um sorriso fraco para ele, assentindo.
- É só nisso que quero acreditar, Lusmore. - Mina respondeu com a voz fraca - Tudo o que eu podia fazer, eu fiz. À minha própria maneira, eu lutei desesperadamente. Mas parece que não foi o suficiente...
- Você foi obstinada até o último momento. - ele respondeu, parando junto à amurada, ao lado dela - Ninguém jamais poderá acusar você de ter ficado inerte, Mina.
- E eu não estou inerte agora? - ela sussurrou - Não estou fugindo para ficar em segurança, enquanto todos os outros...
- Você não está fugindo, Mina. - ele a interrompeu, sério - Não foi uma decisão sua. Você precisa se acostumar com o fato de que existem situações que estão além do nosso alcance mudar. O mundo não funciona como queremos. E seu avô só quer seu bem. Quer que você fique em segurança. Você não pode culpá-lo por isso.
Ela não respondeu. Em vez disso, voltou a atenção para o mar novamente. Quando voltaria a estar reunida com os amigos? Quando poderia sentar-se para conversar besteiras com as outras mafiosas, ou deitar no colo de Meri quando quisesse ser mimada, fazer graça com Sat e Raven, escrever junto com Herman? Mina fechou os olhos ligeiramente. E havia Isaac também...
- É isso que a guerra faz, não é? - ela questionou em voz alta, mais para si mesma do que para o primo - Ela nos separa de tudo aquilo que amamos; de todas as pessoas com quem nos importamos. Essa é a crueldade da guerra; a ausência sem notícias, a saudade sem termo. E uma longínqua esperança de que um dia todos nos reencontraremos para tomar chá.
Lusmore, passou a mão pela cabeça dela, acariciando ligeiramente os cabelos revoltos.
- Ao menos ainda há uma esperança, Mina. Apegue-se a ela, deixe que ela seja a chama secreta que aquece seus pensamentos.
Ela voltou-se para ele.
- Isso soou terrivelmente clichê, sabia? Você está colecionando frases de efeito, por acaso?
Lusmore deu de ombros.
- Se virou clichê, é porque é bom. Ou estou errado?
Mina apenas sorriu de lado. Lusmore tinha razão. Se não quisesse sucumbir à tristeza e aos arrependimentos, tinha que se apegar à esperança de que eles voltariam a ter tempos felizes. Todos reunidos.
A costa agora já quase sumia no horizonte. Era hora de dar o último adeus ao lugar que sempre chamara de lar. Um adeus que ela não pudera dizer aos amigos.
- Eu tenho outro clichê para você, Lusmore. - ela observou, afastando-se da amurada e dando as costas ao mar - "Eu voltarei".
Lusmore sorriu.
- Tenho certeza que sim, Mina. Tenho certeza que sim.
por Mina
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