Os Primeiros Dias do Resto de Suas Vidas- Final
Golden Times
Fizera sol na manhã em que Albus Dumbledore fora enterrado. Sentada ao lado de seu pai nos assentos destinados às autoridades ministeriais, Adhara Ivory assistira quietamente ao funeral.
Um sentimento que não conseguia definir lhe preenchera quando vira o cadáver envolto em uma túnica roxa ser pousado molemente sobre a mesa, como se fosse um boneco de pano. Somente naquele momento era possível acreditar que o diretor, de fato, havia se ido.
A morte de Dumbledore havia sido abrupta demais, violenta demais, para que a maioria dos alunos realmente tivessem sido capazes de assimilar o acontecimento. Adhara entre eles.
Era estranho pensar que não mais veria Dumbledore levantando de seu lugar ao centro da mesa dos professores, sua barba prateada e seus óculos de meia-lua refletindo o brilho das velas que flutuavam pelo salão principal antes de começar mais um discurso de boas vindas ou de despedida.
Crescera ouvindo falar que Albus Dumbledore era o diretor de Hogwarts, o melhor que aquela escola já tivera. Imaginar outra pessoa ocupando aquela posição era simplesmente... Estranho.
Virou o rosto para o lado, fitando seu pai e buscando descobrir se talvez ele partilhasse daqueles mesmos sentimentos, afinal o Auror também fora um dos alunos de Dumbledore. Mas as feições de Kamus eram tão duras e rígidas quanto um bloco maciço de ferro.
Chamas brancas irromperam e envolveram o corpo do diretor e Adhara soube que a cerimônia estava encerrada, assim virou-se para trás, apoiando as mãos no encosto da cadeira e observando a multidão.
Apesar de sentir distintamente um par de olhos conhecidos a fitando, evitou propositalmente olhar na direção onde sabia que Trowa estava sentado, na companhia dos pais e do irmão, de Gauthier e Moreau e de uma outra pessoa que havia tornado-se companhia constante do trio durante os últimos dois meses: Leanne Carmichael, uma setimanista da Grifinória que era também a nova namorada de seu primo. Pelo visto Trowa não perdera tempo sequer esperando que a marca da aliança sumisse de seu dedo.
Reconheceu Meridiana não muito distante do assento de Barton, acomodada ao lado de Frida Black-Thorne, os cabelos rubros da garota tornando-a reconhecível mesmo de longe. A prima grifinória acenou-lhe discretamente, ostentando em semblante visivelmente abatido. Adhara correspondeu ao aceno e seus olhos azuis continuaram vagando até encontrarem o local onde os alunos da Sonserina estavam acomodados próximos a Slughorne.
Havia poucos representantes da Casa verde e prata. A maioria, Nott incluso entre eles, deixara o castelo na manhã seguinte à morte do diretor. Supôs que realmente não seria de bom tom os filhos de Comensais da Morte permanecerem em Hogwarts para prestarem tributos quando para todos era tão clara a verdadeira autoria do assassinato de Dumbledore.
Um burburinho de retirada iniciou-se em vários pontos da platéia e Adhara levantou-se de seu assento juntamente com os demais membros da delegação ministerial, percorrendo as fileiras de cadeiras lentamente, com o peso da mão de Kamus se fazendo presente sobre o seu ombro.
Já deixavam para trás os assentos localizados junto ao lago e rumavam para os jardins quando Adhara reconheceu a prima se aproximando discretamente, com Frida ao seu encalço. Parou, esperando que Meridiana a alcançasse, e com isso chamando a atenção de Kamus. Mas o Auror sequer precisou perguntar à filha o motivo da parada tão súbita quando viu a ruiva chegando até deles.
- Olá, senhor Ivory - Meridiana cumprimentou o homem, que retribuiu com um aceno, depois, voltando-se para a prima continuou - Queria me despedir de você antes de irmos embora. - ela deu um sorriso pálido para a sonserina.
A morena retribuiu o sorriso, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouviu a voz de Kamus atrás de si:
- Creio que seria melhor deixarmos as meninas conversarem. – disse ele, encarando Frida, a polonesa assentiu com um gesto mínimo antes que Ivory se voltasse para a filha – Não demore. – encerrou.
- Até mais, Adhara. Espero revê-la em breve - Frida disse para a moça, antes de se afastar ao lado de Kamus.
- Até mais. – ela respondeu, baixinho, observando a loira que seguia ao lado de seu pai.
Adhara perdeu alguns segundos observando aquela cena. Apesar de já saber há vários meses que Frida estava trabalhando junto com seu pai a fim de recapturarem Ludovic, dava-se conta de que aquela era a primeira vez que de fato via o Auror ao lado da viúva de Aldebaran.
A sonserina estava acostumada a ver as pessoas, de certa forma, “desaparecem” quando chegavam perto de seu pai, a imponência de Kamus sempre parecia anulá-las. Assim, foi com uma dose de surpresa, mas não assombro, que constatou que o mesmo não ocorria com Frida. A Sra. Black-Thorne seguia, tão soberana quanto sempre, ao lado de seu pai. Quase como... E Adhara franziu o cenho diante do pensamento que lhe ocorreu - “quase como se ela pertencesse ali”.
Ao longe ela viu Kamus apoiar uma das mãos nas costas de Frida e aproximar-se para lhe dizer algo em sigilo. E Adhara registrou vagamente que nunca vira seu pai assim tão próximo de ninguém antes.
Intrigada, Meri seguiu o olhar da prima, encontrando a mesma cena que a sonserina. A ruiva sorriu de leve, conhecia a tia o suficiente para saber que Frida era uma mulher educada, mas nunca permitia aquele tipo de aproximação caso se tratasse de qualquer pessoa. E poderia não conhecer muito o Sr. Ivory, mas, pela seriedade que ele emanava, duvidava que também fosse muito afeito a aproximações. Aquilo praticamente confirmava as suspeitas que tivera durante a páscoa, mas optou por não comentar nada com Adhara, afinal não fazia idéia do que a prima sabia, ou mesmo se ela sabia de alguma coisa. Além de tudo, aquele era um assunto que dizia respeito apenas à Adhara e o pai.
- Dhara... – a ruivinha chamou, percebendo que a sonserina parecia distraída. Adhara voltou-se de imediato para ela – Bem, a verdade é que eu não vim aqui apenas para me despedir, mas para agradecer também. Você saiu do seu caminho para nos ajudar quando Herman e os outros sumiram e... Bem, obrigada. Eles são pessoas importantes para mim.
A morena assentiu, encarando o gramado por alguns segundos.
- Acho que é a convivência com grifinórios... – ela então levantou os olhos para a ruiva – Eu estou começando a enfiar o meu nariz onde não fui chamada.
Meridiana apenas sorriu em resposta e observou a prima por alguns segundos, como se, pela primeira vez tomasse plena consciência de que ambas já haviam ultrapassado quaisquer que fossem as barreiras que existiam no relacionamento delas. A prima se tornara invariavelmente parte importante da vida da grifinória.
- Sabe, Dhara, meu pai vai estar de volta à Inglaterra dentro de mais ou menos uma semana... – disse Meridiana, com um ligeiro sorriso ao mencionar Nicholas – Você poderia ir nos visitar se quisesse, tenho certeza de que meu pai iria gostar de te ver.
Adhara anuiu.
- Eu irei sim. O Sr. Nicholas havia me prometido algumas fotos, além do mais... – e ela também deu um pequeno sorriso para a prima – Estou com saudades da comida dele.
O sorriso da ruiva ampliou-se um pouco mais.
Sem se importar com a multidão ao redor, ou mesmo a presença do pai da sonserina, Meridiana inclinou-se em direção a prima, dando um abraço como aquele que trocaram na primeira vez que Adhara pernoitara na casa dos Johnson.
- Vamos estar esperando então.
A morena assentiu em um gesto mudo quando as duas se separaram, acenando brevemente para as figuras de Frida e Meridiana antes que o pai a guiasse para seguirem a torrente de pessoas que esvaziavam os terrenos de Hogwarts.
Ao sentir o sol queimar morno em seu rosto pálido, Adhara concluiu que talvez o verão que a aguardava dentro das frias paredes de pedra do casarão Ivory talvez não fosse ser assim tão longo e solitário.
por Adhara
* Para quem quiser ler a versão completa deste arco, basta clicar AQUI
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