Garota Interrompida - Final
Meri terminou de tirar os bolinhos da forma, passando-os para uma pequena cesta de vime. O pai realmente era um sujeito engraçado. Sabendo que Lucien iria visitá-los, fez questão de preparar alguns quitutes para receber o namorado da filha.
Olhou para a mesa da cozinha, que já estava completamente preparada para receber a visita. Mas, a menina sentiu que faltava alguma coisa. Pegou então, uma jarra bonita que ficava em cima da geladeira, indo buscar algumas flores no quintal. Aquilo deixaria a ocasião mais festiva.
Depois de selecionar alguns lírios, suas flores favoritas, e também alguns ramos de jasmim, a ruivinha voltou para dentro de casa. Mas, sentiu que alguma coisa anormal estava acontecendo. Ela não sabia explicar a sensação, mas a casa estava silenciosa. Silenciosa demais.
Puxou a varinha, que mantinha sempre consigo desde o anúncio da guerra, de dentro do bolso da calça. Sorrateiramente dirigiu-se até a porta da cozinha, abrindo-a lentamente. A imagem que teve ao vislumbrar a sala de estar e parte do corredor de entrada, que ficava logo atrás dela, fez o sangue de Meridiana gelar.
Ludovic segurava um Nicholas desacordado - ou talvez morto - pelo colarinho, apontando-lhe uma adaga ornamentada na altura do rosto.
A reação imediata da menina foi lançar um feitiço contra o tio, que ainda estava de costas para ela. Mirou no ombro, mas o nervosismo e o temor de involuntariamente ferir o pai, fez com que ela acertasse apenas o braço de Ludovic.
Sentindo o sangue escorrer pelo corte feito pelo feitiço de Meridiana, o comensal se virou, sorrindo.
- Laminus, minha querida? Eu não poderia estar mais orgulhoso. Não sabia que agora ensinavam esse tipo de magia em Hogwarts. Ou será que você andou aprendendo de "outras fontes"? Frida, talvez?
Meridiana não respondeu, apenas continuou mirando a varinha no tio.
- Na-na-na-não, meu amor. Você não vai lançar um feitiço de novo em mim. - disse o comensal, pressionando a adaga com um pouco mais de força no rosto de Nicholas, perto do olho esquerdo. Um pequeno filete de sangue escorreu pela bochecha do escritor. - Você não faria isso com seu papaizinho trouxa a minha mercê, não é? Por enquanto ele ainda está vivo... Mas eu não garanto que isso se mantenha por muito tempo.
Meri tremia por dentro. O que ela poderia fazer? A situação que tinha diante de si parecia completamente sem saída. Se não atacasse o tio, certamente ela e o pai estariam perdidos. Mas se tentasse atacar e falhasse, o resultado seria o mesmo.
- Você não tem escolha, sobrinha. Renda-se de uma vez, ou você prefere ficar aí parada, assistindo a mim mutilando o seu pai? Porque é isso que eu vou fazer, querida. Primeiro vou furar os olhos dele... Quem sabe cortar a língua e os dedos depois? Assim esse lixo que corrompeu a minha irmã nunca mais vai poder fazer aquilo que mais gosta: escrever aquelas baboseiras patéticas que ele tem a ousadia de chamar de livros!
- Não! - disse, finalmente, Meridiana. Havia uma terceira possibilidade naquele confronto. Uma que pelo menos salvaria a vida do pai dela. Meri iria barganhar. - Não, tio, você não vai precisar fazer nada disso. Eu vou com você. Sem lutar. Desde que você não mate nem machuque o meu pai.
O ruivo gargalhou, triunfante.
- Se é o que quer, sobrinha, é o que eu farei.
- Isso para mim não basta, tio. Eu só acredito em você, se você jurar que vai cumprir nosso acordo em memória de minha avó, Marguerith. - disse Meridiana, que sabia, através de Frida, que uma das poucas coisas que Ludovic respeitava era a memória da falecida mãe.
O comensal deixou escapar uma ligeira careta. Estava desgostoso com aquilo, mas paradoxalmente orgulhoso. A sobrinha o atingira em seu ponto fraco, uma atitude indispensável para uma futura comensal, como ele desejava que ela se tornasse.
- Eu juro, minha querida, em memória de minha amada mãezinha. - respondeu o ruivo, soltando o cunhado desacordado no chão.
Meri deu um longo suspiro resignado. Sentiu medo, e uma vontade enorme de chorar, mas havia prometido a si mesma que nunca iria fraquejar diante do tio. Seu consolo era que o pai estaria bem no fim das contas. Era isso que lhe importava. Não suportaria perde-lo também.
A menina soltou a varinha no assoalho do tapete da sala. Ludovic conjurou algumas cordas, que prenderam firmemente os pulsos e tornozelos de Meridiana, que caiu, indefesa no chão. O comensal se aproximou de onde a sobrinha estava, ainda com a adaga nas mãos.
Abaixou-se até ficar na altura de Meri. Vendo o tio tão próximo de si, foi, então, que ela percebeu que o rosto do comensal, assim como seus braços, estavam cobertos de horríveis feridas.
- Seu rosto... - balbuciou a menina.
- Estas coisas? - respondeu Ludovic com desdém. - São um pequeno preço que eu paguei por entrar aqui e, finalmente, ter você sob minha custódia. Sua mãe lançou um feitiço de proteção extremamente poderoso nesta casa. Levei dezesseis anos para descobrir um contra-feitiço, mas ele não foi forte o suficiente...
A ruiva não escondeu a surpresa em seu rosto. Nunca soubera que a mãe fizera um encantamento sobre a casa, provavelmente nem o próprio pai sabia.
Indiferente à reação da sobrinha, Ludovic pegou a varinha da menina que estava próxima dela, e a partiu no meio.
- Você não vai mais precisar dessa velharia. - disse ele, passando agora a mão sobre o pescoço de Meridiana, que tremeu de asco ao sentir o toque da mão do tio sobre sua pele. Ludovic puxou com força a correntinha dourada que sustentava o pingente em forma de fada que pertencera, um dia, a Elizabeth. - Também não vai precisa disso aqui. Não posso me arriscar com um possível localizador.
Ludovic segurou, então, os ombros de Meridiana, para leva-la embora dali, porém repentinamente ele soltou um alto urro de dor. Nicholas recobrara a consciência, e fincara o atiçador da lareira nas costas do cunhado.
- Deixa a minha menina em paz. - gritou o escritor.
O comensal arrancou o atiçador de suas costas. Aproveitando a deixa, Nicholas pulou sobre Ludovic, engalfinhando-se com o ruivo no chão. Meridiana gritava de angústia. O trouxa conseguira desferir alguns socos em Ludovic, mas o ruivo também conseguira acertar-lhe alguns golpes. A luta estava indefinida, até que Ludovic, apalpando o tapete, conseguiu pegar sua adaga de chifre de arpéu, que caíra quando Nicholas o atingiu com o atiçador.
Sem piedade, fincou o atame no ventre do trouxa, que gemeu de dor. A ferida era bastante profunda...
- Pai!!! Pai!!!!! Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiii!!!! - gritava Meri.
Ludovic sentou ao lado do cunhado, arfante.
- Seu idiota! Eu não queria te ferir nem te matar. Meu sonho era que minha própria sobrinha acabasse com sua miserável existência algum dia. Mas você tinha que bancar o herói, não é mesmo cunhadinho? Tinha que estragar tudo!
Nicholas continuava se contorcendo no chão. Mesmo postando as mãos por sobre a ferida, o sangue escorria abundante. Lágrimas desciam de seus olhos castanhos, enquanto ele observava a filha, indefesa, deitada próxima a ele. Falhara como marido. Falhara como pai. Perdera Elizabeth, e agora iria perder Meridiana.
Como se lesse os pensamentos de Nick, Meri murmurou em um fio de voz...
- Eu te amo, pai... sempre...
Nicholas tentou falar, mas estava cada vez mais fraco. Contudo, sentiu dentro de si uma inexplicável certeza de que, apesar do horror da situação, no fim a filha ficaria bem. Meri era forte, ele a criara para ser forte. E ela ainda tinha quem olhasse por ela, Frida... Mesmo que não fosse por suas mãos, Nick sabia que Ludovic iria pagar por tudo que fizera à Elizabeth e à Meridiana...
Ludovic começou a rir histericamente.
- Despedidas são ocasiões tão tristes, não? Os momentos finais do papaizinho e da filhinha. Tão comovente!!! Como eu sou uma pessoa tão boa, vou abreviar esse momento tão doloroso. Você já me fez quebrar involuntariamente a promessa que eu fizera sob o nome da minha amada mãe, cunhado, portanto agora vou terminar o serviço.
- Não, por favor, não. - implorou Meridiana. Mesmo o pai estando seriamente ferido, ela ainda tinha esperanças de que quando Lucien chegasse, ainda fosse possível salvar Nicholas. - Você prometeu, tio. Prometeu...
- Tarde demais, sobrinha.
Nick fechou os olhos esperando o próximo movimento do cunhado. Estava preparado. Finalmente iria para casa, finalmente estaria com Elizabeth.
Retirando a varinha que guardara nas vestes, Ludovic apontou para Nick, dizendo.
- Avada Kedrava!
A luz esverdeada envolveu o corpo ferido de Nicholas, silenciando o escritor para sempre.
Meridiana soltou um grito alto e estridente. Tentou se soltar das cordas que a prendiam, mas o resultado foi inverso do que queria. As cordas retesaram ainda mais, machucando-lhe os pulsos. Ela não suportava aquilo. Gritava tão alto que parecia a ela que não era ela própria quem gritava, mas o próprio desespero encarnado. Não conseguia acreditar que tudo aquilo era verdade. Lutou com todas as forças contra si própria, mas foi, incapaz de manter a promessa que fizera. As lágrimas desceram, mornas, pelo seu rosto.
- Sei que parece ruim agora, querida - disse Ludovic - mas com o tempo você vai se acostumar, e até mesmo gostar de sua nova vida.
A menina não conseguiu dizer nada. Não havia mais nada que pudesse dizer. Todos os seus mais profundos temores tinham se concretizado. Ela fechou os olhos, sentindo o corpo ser puxado bruscamente. Estavam aparatando. Seu último pensamento antes de deixar a casa onde crescera foi que o tio poderia finalmente tê-la capturado, mas ela não se dobraria à vontade dele tão facilmente. Resistiria até o fim. Por ela, pela mãe, e pelo pai que acabara de perder.
por Meri
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*******Final do Expresso Hogwarts Half Blood Year*******
Notas: Encerramos o ano 6 e a partir da semana que vem, entraremos em hiatus, com previsão de retorno para o dia 17 de março, mas não abandonaremos vocês. Toda segunda e toda sexta colocaremos no ar posts especiais (trailers, pôsteres, fics extras, wallpapers e muito mais).
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