It's the end of world as we knew it - Parte 8
Adhara havia percorrido todo o quinto andar em uma corrida frenética, pouco se importando com o barulho de seus sapatos ecoando alto pelo chão de pedra. Se encontrasse Filch ou algum professor pelo caminho o máximo que eles fariam seria mandá-la ir diretamente para a sua sala comunal, e era exatamente para lá que a sonserina rumava naquele instante. A contragosto viu-se obrigada a parar um pouco. Apoiou-se na parede, inspirando fundo na tentativa de recuperar um pouco do fôlego perdido. Nunca antes havia se dado conta do quão distante o QG da Máfia ficava das escadarias que davam acesso aos andares superiores e inferiores do castelo. Sentia a franja grudar em sua testa e o cabo da varinha escorregar levemente através de seus dedos suados. Para alguém que estava acostumada a ficar sempre nas masmorras, nunca havia se dado conta do quanto as noites poderiam ser abafadas no restante do castelo durante o verão. Ou talvez aquilo fosse apenas reflexo do cansaço e da tensão que a corroíam. Respirou fundo pela última vez, sentindo-se preparada para reiniciar a corrida, mas quando se virou em direção à próxima bifurcação foi que notou algo estranho. Adhara deu alguns passos para trás, atônita, enquanto fitava o que parecia ser um manto negro que se precipitava pelo corredor como um monstro de sombras pronto para lhe abocanhar. Mas o que realmente a sobressaltou foram as vozes alteradas que emergiam ao longe, vindas do escuro, aliadas ao som de feitiços ricocheteando ao encontrar as paredes de pedra e passos apressados que se aproximavam cada vez mais. Seguindo seus instintos, que no momento gritavam para que ela saísse dali o mais depressa possível, a sonserina deu às costas àquilo tudo e correu na direção contrária, voltando pelo corredor ainda iluminado de onde viera. Ela sequer tinha idéia do que estava fugindo, sabia apenas que nunca antes havia sentido arrepio semelhante de apreensão passar pela sua espinha, nem como se algo gelado houvesse se alojado em seu estômago daquela forma. A escuridão a envolveu por completo e ela só teve tempo de mergulhar atrás de uma fileira de imensas armaduras que seguiam por alguns metros rente às paredes antes que um jato de luz vermelha passasse raspando pelo seu ombro. E apenas um segundo depois um brilho alaranjado surgiu pela bifurcação, acompanhado de três vultos, dois deles sendo tão pequenos que deveriam ser crianças. Eles corriam desembestados, parecendo em pânico, antes de desaparecerem na próxima bifurcação. Foi então que os perseguidores apareceram: três vultos, altos, dois deles bastante corpulentos e um mais franzino, suas varinhas brilhavam em meio ao breu com pequenas chamas conjuradas em suas pontas como se fossem tochas, iluminando seus corpos vestidos com capas negras e os rostos cobertos por máscaras e capuzes. A sonserina prendeu a respiração ao reconhecê-los: Comensais da Morte. - Você viu para onde eles correram? - perguntou o mais alto deles. - Não, mas... - e o menor foi interrompido pelo som de alguma coisa se chocando contra o chão de pedra bem mais à frente, vinda de uma área que ainda remanescia iluminada. - Lá estão eles, devem ter seguido até o final do corredor! Vocês dois vão atrás desses pivetes e dê um fim neles, eu vou voltar para a luta. Precisamos desbloquear as escadas deixar a saída do castelo livre para Amycus e os outros. Os dois vultos maiores assentiram e seguiram depressa pelo corredor enquanto o remanescente deu meia-volta, o brilho de sua varinha oscilando em meio à escuridão conforme ele desaparecia na direção dos sons longínquos de uma batalha. Vendo-se finalmente sozinha no corredor, Adhara suspirou, aliviada por ter passado despercebida. Mas o que faria agora? A julgar pela conversa que acabara de entreouvir, uma luta estava se desenrolando próxima às escadarias e alguns Comensais estavam tentando forçar passagem... Se seguisse por aquele caminho daria de cara com mais deles. Seu plano de descer até o salão comunal da Sonserina para interrogar Nashton acerca do desaparecimento de Isaac, Mina, Lorelai e Mercury estava arruinado. Será possível que os Comensais tivessem invadido a escola com o intuito de matar os quatro? Não... Aquilo era absurdo. O "Olho do Grifo" poderia representar uma ameaça para aprendizes de Comensais que tinham que manter suas atividades ilícitas incógnitas dentro de uma escola vigiada pelo maior inimigo do Lord das Trevas, mas não amedrontaria bruxos adultos que estavam lá fora, matando diretamente sob as ordens de Você-Sabe-Quem. Algum outro acontecimento sombrio deveria estar tomando palco em Hogwarts naquela noite... O que quer que fosse, ela não poderia permanecer ali, escondida precariamente atrás de uma armadura, sendo um alvo tão fácil. Não dispunha de muitas opções no momento, mas sabia que entre seguir em frente e se meter em um fogo cruzado e retroceder, correndo o risco de encontrar dois Comensais, a última opção ainda era mais aceitável. Melhor apenas dois do que uma meia dúzia ou sabe-se lá quantos estariam batalhando nas escadarias. Decidida, ela apertou firmemente o cabo da varinha e deixou seu esconderijo. Imitando os Comensais, ela executou um Inflamarae, conjurando uma chama pequena, suficiente para iluminar apenas alguns poucos centímetros à sua frente, e seguiu pelo corredor escuro com passos cautelosos e os sentidos em alerta. A garota apenas conseguiu sentir-se mais aliviada quando virou na bifurcação e entrou em outro corredor iluminado. Constatando que não havia nem sinal do Comensal ela abaixou a varinha e, apressada, abriu a primeira porta que viu, adentrando o que pensava ser uma sala de aula vazia. Exceto que a sala em questão não estava vazia...
por Adhara
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