Monday, January 28, 2008

It's the end of world as we knew it - Parte 7


Lupin observava suas antigas alunas enquanto esperavam a resposta para a mensagem que enviara via patrono para a vice-diretora. A reação das duas não foi muito diferente do que ele deduziu que seria. Conviveu cerca de um ano com elas e sabia que Raven tinha um temperamento mais passional enquanto Meridiana tentava conter os sentimentos e ponderar antes de agir, mesmo que, por dentro, estivesse imersa em turbilhão de emoções. Embora fisicamente a ruivinha lembrasse a falecida colega de escola de Lupin, Elizabeth Black-Thorne era bem mais expansiva que a filha.

Enquanto a sonserina, apesar de calada, caminhava de um lado para o outro pelo corredor, a grifinória estava encostada na parede de pedra, com as mãos atrás das costas, olhando fixamente para o teto.

- Professor? - Meridiana desceu o rosto, chamando Lupin com em um tom tão baixo que quase foi sobrepujado pelos ecos dos sapatos de Raven contra o assoalho duro.

Remus fixou os olhos no rosto da garota, esperando que ela continuasse.

- Mais cedo... Fui um pouco rude, me desculpe.

O homem lançou um sorriso discreto e compreensivo para a jovem de cabelos rubros.

- Não precisa se desculpar, Meridiana. Eu entendo que esteja preocupada com seus amigos. Regras de etiqueta sempre ficam em segundo plano em situações assim.

- Obrigada. - a moça disse, dando um sorriso tímido e melancólico em resposta.

Raven parou de caminhar ao perceber a aproximação de uma forma prateada e brilhante, que lembrava em muito um felino. Mais precisamente, segundo os conhecimentos da sonserina, apaixonada por gatos, de um espécime da raça maine coon, de porte grande e fartos bigodes. Certamente deveria ser o patrono da professora de Transfigurações. A aparição espectral aproximou-se de Lupin, transmitindo a mensagem de Minerva.

- A professora McGonnagal pediu para levá-las até a sala dela.

*****


A vice-diretora ajeitou os óculos quadrados com a ponta dos dedos antes de encarar novamente as duas sextanistas, cuja apreensão era notável em cada uma das linhas de suas expressões.

A própria Minerva McGonnagal estava apreensiva apesar de nada em sua postura e modos indicar o temor que crescia em seu âmago. Uma rede de jovens comensais parecia ter florescido debaixo dos narizes deles, mesmo com todo o cuidado que haviam tido. Agora havia quatro alunos desaparecidos. Sem falar das instruções que Dumbledore lhe passara antes de partir em missão, onde quer que esta fosse. Ele deixara ordens para que membros da Ordem da Fênix patrulhassem o castelo naquela noite, como se intuísse que algo iria acontecer em sua ausência. Seria o que as garotas acabaram de relatar ou algo ainda mais sinistro?

- Se metade do que disseram for verdade, a situação é realmente grave – ela disse em um tom de voz paradoxalmente compreensivo e repreensor – Não deveriam ter esperado a situação se tornar tão drástica para nos procurar.

Meridiana abaixou a cabeça, incapaz de encarar a professora, pois sabia que ela estava certa. Eles queriam provas concretas para apresentar ao diretor sobre a rede de comensais mirins, mas, talvez, por ingenuidade ou arrogância, não acreditavam que tinham o suficiente, mesmo com os exemplares do Olho da Serpente, mesmo com os atentados e as ameaças, mesmo com as descobertas de Adhara...

Entretanto, se culpar não faria com que Mina, Lore, Herman e Isaac fossem encontrados mais rapidamente.

- Bem, Johnson, Sinclair, eu prometo que faremos todo o possível para encontrar seus amigos – Minerva continuou, tentando tranqüilizar as garotas.

- A senhora... Promete?! - arriscou Raven, com um misto de irritação e surpresa - Eles estão sumidos há horas, e não sei se seria prudente esperar mais para procurá-los. O Professor Snape...

- Senhorita Sinclair – a vice-diretora interrompeu em um tom firme, suavizando sutilmente a voz ao prosseguir – Raven... Eu realmente entendo o que está sentindo, mas, no momento, é a única coisa que eu posso fazer por vocês. Há algumas pessoas patrulhando o castelo e vou pedir a eles que fiquem atentos a qualquer coisa que possa indicar onde seus amigos estão ou o que aconteceu a eles.

Aquela resposta não pareceu a Raven melhor do que a anterior; porém, percebendo que argumentar não levaria a nada naquele momento, a sonserina se limitou a exalar um profundo suspiro e menear a cabeça em um consentimento não muito convincente.

- Acho que o melhor que as duas podem fazer agora é voltar diretamente para as respectivas salas comunais; qualquer notícia, comunico a vocês.

Meridiana notou um discreto tremor percorrer involuntariamente o corpo de Raven, sabia que a sonserina iria contestar aquela ordem dada pela professora. Ela pousou a mão no pulso de Raven, comprimindo levemente, mas de forma que desse a outra a entender que era melhor se calar. Discutir seria pior para todos, e, uma coisa a ruiva concluiu. A professora Minerva realmente sabia como ela e Raven estavam se sentindo. McGonnagal viveu a primeira guerra contra Voldemort, deveria ter passado por situações talvez mais terríveis que aquela que Meri e os amigos viviam naquele instante.

- Tudo bem, professora – a ruivinha disse – Nós vamos fazer o que nos pediu.

Assim que colocaram os pés fora da sala da vice-diretora, Raven esperou apenas estarem o suficientemente longe para falar com a amiga.

- Olha, Meri, eu não sei quanto a você, mas eu não tenho a mínima condição de obedecer à Professora McGonagal. Eu não vou para a minha sala comunal, vou continuar procurando o pessoal, vou atrás de Severus, vou fazer qualquer coisa, menos me sentar e esperar - exclamou Raven, tentando a custo manter o tom de voz baixo.

- Eu concordo com você – a ruiva respondeu, com determinação. – Enquanto não soubermos dos nossos amigos desaparecidos, só volto para a sala comunal da Grifinória arrastada ou estuporada. Mas não poderia dizer isso para McGonnagal. Só acho que não deveríamos ir atrás do Snape...

Raven abriu a boca para retorquir, mas Meridiana não permitiu que a amiga se pronunciasse, não podiam perder tempo com discussões desnecessárias.

- Não é implicância com o Snape, Rav, mas acho que seria melhor irmos primeiro ao QG, não? Os outros já devem estar por lá e, quem sabe, tiveram mais sorte? Mesmo se não tiveram, se você quiser mesmo ir atrás do Snape pedir ajuda, é melhor que vá com o máximo de informações possíveis.

Raven anuiu, ainda que parcialmente a contragosto. O que Meridiana falou fazia sentido. Desse modo, as duas começaram a caminhar apressadamente de volta à sala escondida sob a tapeçaria de Sir Ulrich, com a esperança ínfima de que os demais pudessem ter encontrado algo mais consistente que elas.

por Raven e Meri

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