Friday, January 18, 2008

E caem-se as máscaras - Final


Melinda deixou a sala sem olhar para trás, imaginava que os garotos estivessem gritando por ajuda ou mesmo socando o alcapão, mas de nada adiantaria. Edward Nashton, o sonserino que a acompanhava havia sido meticuloso em seus planos. Ele enfeitiçara a entrada do alcapão com um feitiço que impedia a passagem do som do que ocorria no cárcere para a sala acima.

Os dois percorreram o caminho em silencio quase sepulcral, mas Melinda sabia, pelos resmungos baixos que Edward ocasionalmente soltava, de que ele não estava nem um pouco satisfeito com a promessa que ela fizera à irmã e seus amigos. Finalmente eles chegaram na escadaria onde haviam se encontrado antes, desceram por seus degraus, as mãos apoaiadas nas paredes, para conseguir discernir o caminho.

Quando alcançaram o lance final de degraus, deram de cara com uma parede. Aparentemente aquele caminho não levava a lugar algum, se você não soubesse exatamente como abrir as portas do que havia por trás daquele espessa parede de pedra. Edward passou os dedos com cuidado sobre os tijolos, até que sentiu a sutil saliência se destacar. Era a figura quase minúscula de uma cobra.

-In sanguis puritas est - ele murmurou, fazendo com que uma passagem se abrisse na parede, revelando uma sala ampla, de móveis escuros com detalhes em verde e prata e cadeiras de espaldar alto.

A sala em questão havia sido feita por Slytherin para os seus seguidores. Enquanto a Câmara Secreta que guardava o basilisco era destinada ao seu herdeiro, aquele covil era o refúgio perpétuo daqueles que acreditavam na pureza do sangue, cuja localização era transmitida a séculos para o membro de uma família fiel, de pai para filho. Rezava a lenda que ali também era o refúgio do Grimório de Salazar Slytherin, um livro das trevas tão poderoso quanto perigoso, e que, supostamente, estaria de posse do Lorde das Trevas no momento.

Mas era apenas uma lenda, como tantas e tantas outras que se confundiam com a verdadeira história da milenar escola.

Aquela sala poderia ter sido construída por Salazar, mas a grifinória tinha certeza que os demais fundadores deveriam ter feito algo semelhante.Melinda sempre pensava consigo quantos segredos cada um dos fundadores daquela escola deveriam ter escondido uns dos outros. Mesmo com o ideal de integração com que Helga Hufflepuff, Goddric Grynfidor, Rowena Ravenclaw e Salazar Slytherin supostamente tinham ao criar Hogwarts, ela duvidava que eles fossem tão nobres assim, duvidava até mesmo que Slytherin fosse por completo o vilão que alguns diziam. Eles eram humanos, com qualidades e defeitos.

A certeza dela repousava em seu envolvimento com os comensais. Ao contrário da inocente e hipócrita certeza que perpassava por quase todos no castelo de que sonserinos eram os primeiros suspeitos quando se tratavam de comensais, ela descobrira, na prática, que eles estavam sutilmente espalhados por todas as casas.

Ela era a prova disso, assim como a lufana de cabelos loiros que brincava com duas garotinhas que estavam sentadas em um sofá aveludado.

-Inha! - Felicity levantou-se, os olhos brilhantes se destacando no rosto usualmente sério e carrancudo.

Melinda inclinou-se, abraçando a irmã caçula.

-Espero que você e Heather não tenham dado trabalho à Amélie enquanto eu estive fora.

-Nós somos boas meninas, Mel - foi a irmã de Herman que respondeu, pelas duas, risonha, segurando um pacote de sapos de chocolate e com o rosto visivelmente sujo pela comilança.

Amélie apenas encarou a grifinória com um aceno de cabeça, confirmando que tudo correra na mais perfeita ordem desde a saída de Dashwood e Nashton.

-Gostaria que me explicasse o que foi aquilo lá em cima, Dashwood - o rapaz finalmente se pronunciou, sem esconder a raiva na voz.

Melinda virou-se para ele com uma expressão que era impossível de se decifrar. Ela aprendera a duras penas a manter aquela atitude quando estava ao lado de seus colegas comensais.

-Eles não facilitariam as coisas para nós se não prometéssemos deixar as pequenas ilesas - ela respondeu.

-Então aquilo foi apenas um blefe? - Edward sorriu com malícia.

-Não - a grifinória respondeu de modo firme, quase autoritário. Ela precisava agir daquele modo ou o sonserino não a levaria a sério - eu vou devolver as meninas. Pense bem, Nashton, nós sumimos com quatro estudantes do quinto e sexto ano, se mais duas primeiranistas ligadas a eles também estiverem desaparecidas, vai levantar suspeitas demais. E não queremos isso. As duas estão sob o Imperius e vão acreditar no que dissermos a elas para acreditar.

-Ela tem razão, Edward - Amelie se manifestou.

Embora contrariado, o sonserino tinha que dar o braço a torcer, os argumentos da grifinória faziam muito sentido.

-Tudo bem, pode levar as duas embora.

Melinda anuiu, e, segurando cada uma das meninas pelas mãos, levou as duas para fora do esconderijo.Ela as guiou em direção à saída de acesso aos jardins. Deixar as duas meninas ali chamaria muito menos a atenção que em qualque outro lugar mais ermo.

-Fê - ela chamou a caçula, enquanto as três paravam próximas à fonte - se alguém perguntar você e a Heather passaram parte da tarde comigo, comendo doces. Eu a chamei para se despedir. A minha mãe me mandou uma carta, pedindo que eu fosse para casa por uns dois dias, pois não está bem de saúde. Eu não me despedi da Lore porque não a encontrei.

A moça inclinou-se abraçando a irmãzinha, sabia que aquela seria a última vez que veria Felicity em muito, muito tempo.

-Você vai dizer a mesma coisa, Heather - Melinda falou, ao soltar-se da irmã, virando-se para a outra garotinha - Cuide da Felecity para mim.

Sem dizer mais nada, Melinda seguiu de volta ao castelo, ao esconderijo que dividia com os demais jovens comensais, sabendo que aquela seria a última noite dela em Hogwarts.


RESUMOS DAS NOSSAS HISTÓRIAS



ÍNDICE COMPLETO E ATUALIZADO DE NOSSAS FICS



FICHA DOS PERSONAGENS



* Para quem quiser ler fics das semanas anteriores, basta clicar AQUI

No comments: