E caem-se as máscaras - Parte 6
Por alguns instantes, os quatro se viram mergulhados na mais completa escuridão, antes que seus olhos se acostumassem o suficiente para perceber que havia uma claridade difusa dentro do aposento onde tinham sido encerrados.
O som de móveis se arrastando ecoou acima deles. As cadeiras tinham voltado ao lugar, cobrindo a passagem novamente, selando-os definitivamente. Lore deixou escapar um soluço.
Herman aproximou-se da namorada, abraçando-a cuidadosamente pelos ombros, fazendo com que ela se sentasse no chão. Ele não sabia explicar a razão, mas acreditou na promessa de Melinda. Heather ficaria bem, portanto, ele tinha que concentrar-se agora em Lorelai.
-Vai dar tudo certo, MJ – ele disse,afagando os cabelos da moça. – Eu prometo.
Lorelai deixou-se cair em prantos após a fala do namorado, a situação inteira era demais para ela digerir naquele exato momento.
Aquilo era mais do que ela podia agüentar. Tentando controlar a própria vontade de chorar, Mina soltou-se de Isaac, voltando a subir, começando a esmurrar a porta violentamente, sentindo as farpas de madeira penetrarem na pele frágil de suas mãos, os olhos ardendo, a garganta rapidamente tampando com os próprios soluços que tentava controlar a todo custo.
Isaac deu alguns instantes de espaço para ela, sabendo que, naquele instante, era a única forma que a menina tinha de extravasar o que estava sentindo. Ele mesmo sentia vontade de enfiar a cabeça contra o maldito alçapão.
Entretanto, a visão do sangue dela, começando a escorrer ao longo do pulso, fê-lo perceber que já fora o suficiente.
- Mina... – ele chamou, subindo, colocando uma mão sobre o ombro dela, tentando chamar a atenção da moça para si.
- Me larga! – ela respondeu com a voz entrecortada, batendo com ainda mais força contra a madeira.
- Mina, chega! - ele praticamente gritou, enquanto a puxava pela cintura, arrastando-a para baixo - Assim você só vai conseguir se machucar!
- Eu não me importo! Eu vou colocar essa porcaria abaixo e depois eu vou, eu vou...
Ela mordeu os lábios com força, enquanto soltava-se dele mais uma vez, quase com violência. Nesse instante, ela percebeu Herman continuava sentado no fundo do cômodo, com o rosto de Lorelai escondido junto ao peito, tentando acalmá-la. Ela cerrou os pulsos, voltando-se mais uma vez para a porta, a respiração acelerada com o esforço que fizera até instantes atrás.
Isaac voltou a se aproximar, tomando a mão dela sobre a sua, tirando do bolso um lenço para limpar o machucado. Mina ainda tentou escapar mais uma vez, mas ele a segurava firmemente pelo pulso, e sua expressão não parecia ser a de quem a soltaria tão cedo.
- Você não precisa fazer isso. - ela tentou interrompê-lo, de mau jeito.
- Se, por um momento, você baixasse a guarda e me deixasse entrar no seu mundo, eu estaria aqui para te apoiar. - ele respondeu com a voz baixa, encarando-a sério, sem deixar de segurá-la - Uma única chance. Apenas uma. E eu provaria a você que pode realmente confiar em mim.
Ela abaixou a cabeça, a visão completamente embaçada pelas lágrimas que tinham se formado nos olhos escuros, e que ela controlava com esforço. Foi nesse momento que ela sentiu as mãos dele passarem por debaixo de seus braços, pousando em suas costas, trazendo-a para junto de si.
Mina não opôs resistência. Estava cansada demais para tanto. Apenas se deixou levar, sentindo as mãos dele correrem por seus cabelos, enquanto, aos poucos, sua respiração voltava a se estabilizar. Pouco depois, descobriu-se sentada no chão, a cabeça apoiada junto ao ombro do rapaz, enquanto ele a abraçava pelos ombros.
Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes, quebrado apenas pelos murmúrios do outro casal. Isaac observou-a brincar com os dedos, os cabelos soltos agora formando uma cortina sobre o rosto dela. Suspirando, ele apoiou a cabeça contra a parede, fechando os olhos, sentindo-se estranhamente cansado.
- Eu confio em você. - Mina observou finalmente, num quase fiapo de voz.
Isaac virou-se para ela, surpreso. Embora não o encarasse, ele podia perceber o rosto vermelho dela por entre os fios de cabelo que se pregavam com o suor sobre a pele rosada. Um sorriso mínimo surgiu nos lábios do rapaz, enquanto ele erguia o braço, apoiando os dedos sob o queixo dela, forçando-a delicadamente a erguer a cabeça.
Por alguns instantes, ela apenas o encarou de volta, antes de se soltar, corando mais um pouco. A proximidade só a fazia ter mais consciência do que descobrira pouco antes de encontrá-lo. O bolo que tinha na garganta, entretanto, impediria qualquer confissão. Aquele não era o momento. E ela duvidava que fosse capaz de dizer o que tinha de dizer a Isaac em qualquer tempo próximo.
Ela voltou a apoiar a cabeça sobre o ombro dele, deixando que a presença dele lhe servisse de conforto, e rezando para que pudesse fazer o mesmo por ele.
Aquela seria uma longa espera.
por todos acima
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